Não é vergonha nenhuma sentir-se um pouco de melancolia de quando em quando, José... E, por vezes, a melancolia pode servir de tempero a um belo poema. Somos humanos e todos nós possuímos um vastíssimo leque emocional, ninguém pode passar a vida a rir à gargalhada, mesmo que seja uma pessoa muito alegre.
Seis da manhã. Dia de Natal. João percebe movimento no corredor. Estremunhado imagina ser um sonho, para no instante seguinte escutar conversas em surdina. Devagar acorda a mulher e faz-lhe um sinal de silêncio e pede para se levantar. Depois ambos escondem-se atrás da porta do quarto. No corredor continua um diálogo em tom muito baixo mas que ainda assim o pai consegue escutar: - Vai tu Santiago és o mais velho... - Não posso, vai o Simão que é o mais novo! - Não quero, tenho medo! - Pronto vou eu - avançou Salvador. O rapaz do meio entra no quarto meio escuro, todavia encontra a cama vazia. Recua e nem sequer repara nos pais escondidos. - Não estão cá! Os miúdos olham-se e temem o pior. Simão palpita: - Foi o Pai Natal que os levou? - Deixa-te de ideias parvas miúdo. O Pai Natal não existe, pá! - Existe sim... eu já o vi! - Viste nada, os pais levantaram-se mais cedo e devem ter ido para baixo. Os três rapazes de 12, 9 e 5 anos descem as escadas e aparecem na cozinha. M...
Não quero fama nem proveito Diz este pobre escriba de versos. Continuar mesmo sem jeito, A esgalhar textos travessos. Ser poeta não é apenas isto, Deixar as palavras fugirem. É qual oleiro, criar um registo Das muitas almas a abrirem. Não serei, nem bom nem mau, Poeta de enormes feitos. Como o tocador de berimbau Que não sabe outros preceitos. Vivi anos a tentar escrever O que ninguém ousara dar luz. Passou o tempo mui a correr Nem percebi qual a minha cruz. Qual amor, qual paixão A varrer-me todo por dentro. Ficou dorido, sim, o coração Por ser só ou apenas o centro.
Um poema melancólico mas muito bonito no seu todo, José
ResponderEliminarUm bom dia!
Muito bonito.
ResponderEliminaràs vezes dá-me para estas melancolias... E não escrevo mais destas porque me sinto (quase) envergonhado!
ResponderEliminarObrigado boa amiga!
ResponderEliminarNão é vergonha nenhuma sentir-se um pouco de melancolia de quando em quando, José... E, por vezes, a melancolia pode servir de tempero a um belo poema. Somos humanos e todos nós possuímos um vastíssimo leque emocional, ninguém pode passar a vida a rir à gargalhada, mesmo que seja uma pessoa muito alegre.
ResponderEliminarAbraço!
Maria João,
ResponderEliminarpor vezes só me sinto bem a escrever coisas tristes... Aqui!
É natural que isso aconteça de quando em quando... Em compensação, ri-se bastante nas quadras
ResponderEliminarSomos todos humanos, não somos nenhuma IA.
Abraço!