Uma das coisas que Hipólito mais detestava era ter que rapar a barba, mesmo que fosse a longos espaços temporais. Desde jovem, quando os primeiros espigos apareceram na face, o imberbe deixou-os ficar. Mas as feridas que começaram a surgir obrigaram-no a escanhoar-se amiúde. Assim aconselharam alguns amigos mais velhos… Uma arrelia, pois o rapaz considerava aquele acto um verdadeiro desperdício de tempo. Contudo e sempre que Hipólito passava nas ruas da aldeia de Montes Negros escanhoado e limpo suscitava nas jovens aldeãs sonhos de muitas cores e, quiçá, pecaminosos. Porém o rapaz, ainda no dealbar da sua descoberta da puberdade sentia que aquele peso facial deveria ser para ficar. Foi já perto da idade adulta quando viu, pela primeira vez, Elfrida ao longe, o seu coração até ali amorfo e pacato quase saiu do peito. Percebeu que provavelmente para a conquistar teria de rapar a barba mais vezes do que gostaria. Valeria a pena tamanho sacrifício? Hipólito fez a pergunta a si mesm...