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Dois anos!

Ao meu neto Dois anos são já passados De alegrias e lágrimas Dos dias e passos dados Ficam lembranças óptimas.   Dois anos de vivência Parece pouco para nós Contudo com evidência Um real esforço atroz.   Dois anos sempre a crescer Ainda poucas palavras. Terá tempo para aprender A ser escriba destas lavras.   Dois anos? Quem diria a mim. Que amar um “canininho! Seria uma alegria assim, Dar-lhe uma mão no caminho!

O barbas!

Uma das coisas que Hipólito mais detestava era ter que rapar a barba, mesmo que fosse a longos espaços temporais. Desde jovem, quando os primeiros espigos apareceram na face, o imberbe deixou-os ficar. Mas as feridas que começaram a surgir obrigaram-no a escanhoar-se amiúde. Assim aconselharam alguns amigos mais velhos… Uma arrelia, pois o rapaz considerava aquele acto um verdadeiro desperdício de tempo. Contudo e sempre que Hipólito passava nas ruas da aldeia de Montes Negros escanhoado e limpo suscitava nas jovens aldeãs sonhos de muitas cores e, quiçá, pecaminosos. Porém o rapaz, ainda no dealbar da sua descoberta da puberdade sentia que aquele peso facial deveria ser para ficar. Foi já perto da idade adulta quando viu, pela primeira vez, Elfrida ao longe, o seu coração até ali amorfo e pacato quase saiu do peito. Percebeu que provavelmente para a conquistar teria de rapar a barba mais vezes do que gostaria. Valeria a pena tamanho sacrifício? Hipólito fez a pergunta a si mesm...

Dias de guerra.

Este não é o tal Mundo Que quero pr'os meus netos. Iremos cair num fundo Sem comida nem tectos. Cada dia corre pior  Tantas bombas, gritos, dores. Nada têm de bem maior O céu como cobertores. Correm assim dias maus, Repletos só de tristeza. Há muito as boas naus Não param aqui de certeza.

Dia Mundial da Poesia - 2026!

Todos os anos insisto Em escrever um poema. Um dia destes desisto Sem proveito nem fama.   Reparo em meu redor Naquelas puras que saltam. Em torrentes de ardor, Umas choram, outras cantam.   Escrevi ror de palavras Todas sentidas quiçá cruas. Umas certas, algumas parvas, Mas todas limpas e nuas!   Neste fantástico dia Há quem melhor que eu Faça bela poesia. A rimar até vir Morfeu .  

O bezerro!

Assim que se aproximaram as férias, Carlitos chegou-se junto de pai e mãe e comunicou: - Eu nas férias quero ir para ao pé dos avós na aldeia. Os pais perante esta vontade olharam-se com espanto e alguma incerteza na resposta a dar, mas foi a mãe que devolveu: - Pedes bem, mas não sei se temos tempo para lá ir… - Vou de camioneta… - Com oito anos? – e esboçando um sorriso, continuou – ainda ias parar ao outro lado do Mundo. O rapaz não se deixou intimidar pelas palavras da mãe e respondeu: - Isso julgas tu… Já sei bem o caminho para a avó e o avô. A mãe não lhe deu mais troco, porém todos os dias, Carlos insistia no desejo de ir para o campo. De tal forma e chegado ao último dia de escola, o menino assim que chegou a casa começou os preparativos da partida. Os pais olhavam de longe para aquele menino que sentia a terra com paixão. E não era só a terra, mas todos os animais e outros bichos… Decididamente o jovem estava de ideia fixa. Foi o pai que de forma serena suger...

A versão do Tomé

Uma coisa assumo desde já: detesto gente apressada. Eu sei que os tempos que ora se vivem não são somente vividos, são destruídos pela pressa e pelo desencanto. Mas eu, digam o que disserem, prefiro viver nesta calma, serenidade e não ando nunca a correr. Bom mas isto sou eu que ao fim de muito tempo já vivido tenho direito a dizer o que me apetece. Os últimos tempos tenho vivido numa quinta simpática, cheia de inimigos como são as galinhas, patos, perús e demais malta com penas, mas também recheada de personalidades bem curiosas. Ainda estou para saber como aterrei neste lugarejo com três humanos que aqui fazem a sua vida. Comigo curiosamente nunca se meteram, talvez por ser grande e eles terem medo de mim. Houve mesmo um, mais pequeno, que certa vez tentou tirar-me do meu caminho. Estava a ver que tinha de me encolher na casa, o que nem sempre é bom pois é muito pequena, mas enfim alguém acabou por me salvar desse facínora. Nessa manhã estava uma humidade bem saborosa e d...

O caracol

O menino Tomás nunca teve qualquer memória do ínfimo tempo que viveu na cidade com os pais. Aos dois anos o pai Zório e a mãe Eleutéria deixaram a cidade para se radicarem numa aldeia a três centenas de quilómetros da capital, portanto longe, muito longe do bulício da enorme urbe. O pai do rapaz, engenheiro de profissão, herdara uma enorme quinta oriunda, primeiro dos avós que durante dezenas de anos foram acrescentando pedaços de terra contíguos, fazendo do que fora um naco bom de chão agrícola, uma enorme fazenda com dezenas de hectares e mais tarde do pai que cuidara da Quinta da Ribeira Velha com afinco, trabalho e muito esforço. Eleutéria licenciara-se em Agronomia e detestava olimpicamente o seu trabalho de técnica na área, todavia sempre sentada a uma secretária. Preferia o trabalho no terreno, lidar com as culturas no local próprio, ajudar os agricultores. A decisão da vida no campo, ainda por cima já com uma criança, fora de ambos mesmo que Zório de duas em duas semanas ...