Desabafo!

Porque quero escrever


Se mais não sei qu'isto?


Alinhar palavras e ver


Se vale a pena o misto.


 


Não serei nunca poeta


Pois nem sei chorar


Escrevo à dor pateta


Esta raiva de corar.


 


Desembainho motes


Que me dão alento


Ao ver nas frias fontes


O rosto do momento.


 


Que esperarás ó tu


Deste trágico viver


Que seja um gabiru


Até ao dia de morrer.

Comentários

  1. Então, José?! Espero que esteja tudo bem, um beijinho de bom dia!

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  2. Bom dia, José da Xã!
    Já tinha saudades suas...
    Como está nesta manhã,
    Depois de uma ou duas luas?
    *
    Parece mal humorado,
    Ou mesmo um pouco abatido
    E eu, daqui, deste lado,
    Já nem sei bem com quem lido...
    *
    Diz que quer ser gabiru
    Porque não sabe chorar?
    Olhe que eu nem com vodu
    Deixo as lágrimas rolar!
    *
    Vamos lá a arrebitar,
    Vamos lá sorrir um pouco!
    Estar-se-á a lamentar
    Deste mundo, que anda louco?
    *

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  3. Pura melancolia da noite!
    Está tudo bem!
    Obrigado Beatriz.

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  4. Viva quem é uma flor
    Verdadeira resistente.
    A tudo até à dor.
    A vida será em frente.

    Não estou abatido
    Quiçá bem nostalgico
    Necessito de um sentido
    Para ser menos apático.

    Estes dias de calor
    Sao maus e terríveis
    Dias de grande pavor
    Receio os perecíveis.

    Bora lá nos animar
    Mais um ror de quadras
    É preciso rir, brincar
    Sem aventar as pedras.


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  5. Vamos lá então às quadras
    Que versejar só faz bem
    E venham as gargalhadas
    Porque eu quero rir também
    *
    Essa branda nostalgia
    Pode até ser transformada
    Numa quadra de alegria
    Brincalhona e bem esgalhada
    *
    Compreendo que o calor
    Nos ` teja a deixar suados,
    Mas as gotas de suor
    Também podem regar prados

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  6. Sou fraco versejador
    Mas gosto de esgalhar
    Quadras com assaz ardor
    E rimadas sem falhar.

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  7. Eu nasci versejadora...
    Com poucos anos de idade
    Era de quadras autora
    Com toda a facilidade
    *
    Porque era tão pequenina,
    Meu avô as registava
    Com pena de ponta fina
    Em cadernos que guardava

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  8. Vou agora ao cafezinho,
    Volto pelas oito e meia
    A menos que algum vizinho
    Me of`reça jantar e ceia

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  9. Não lembro ter nascido
    Também não interessa.
    Escrevo iludido.
    Ser poeta depressa.

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  10. Óptimo café com sabor
    A alegre liberdade.
    Que lhe saiba a calor
    Um sonho sem idade.

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  11. Cheguei um pouco mais cedo,
    Não tive nenhum convite
    Pra jantar, ou pr`arremedo
    Que me enchesse de apetite
    *
    Vou é comer a sopinha
    Que deixei desde manhã
    No armário da cozinha
    No qual guardo a hortelã

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  12. Para ser muito sincera,
    Também eu não me recordo
    Desse momento em que a espera,
    Deixa a espera e passa a acordo...

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  13. Sopinha ao relento
    Não terá azedado?
    Com este calor e tanto
    É um risco observado.

    Por aqui pouca coisa
    Para manter o peso
    Um dia a folha poisa
    Eu grito de obeso.

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  14. Fiquei de rabo entalado
    Mas podia ser pior:, rsrsrs
    O tacho ficou guardado,
    Mas no refrigerador
    *
    Não acho rima que rime
    C`o frigorificozinho
    E antes que eu desanime
    Vou comer um geladinho

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  15. É uma desgarrada de quadras, Maribel.
    Só falta cada um de nós começar a partir do último verso do outro para ser uma desgarrada a sério

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  16. Comer um geladinho
    Também cairia bem
    Só que "je" coitadinho
    Nem disso em casa tem!

    Tenho outros docinhos
    Outrossim muitos e bons
    O Céu em pedacinhos
    Em diversas cores e tons.

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  17. "Em diversas cores e tons"
    Tenho telas e mais telas
    Pois pra mim até dos sons
    Me surgem cor`s muito belas...

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  18. Surgir cores mui belas
    Com açúcar... gelatinas
    Gosto e muito delas
    Bastam doces e finas.

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  19. Bastante doces e finas
    São algumas iguarias:
    Com ovos e margarinas
    Podem, porém, dar azias

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  20. Nem azias nem azares
    Que eu tomo cuidado
    Doces nem aos jantares
    Com copos e bons fados.


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  21. Com copitos e bons fados
    Passa-se a noite à maneira,
    Mas eu, de lábios cerrados,
    Não mais serei cantadeira

    (é verdade, tenho as cordas vocais estragaditas)

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  22. Cantador jamais serei
    Para tal não tive queda
    Mas sempre bem falarei
    Desta rima desatada.

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  23. Anda a rima desatada
    E estou eu meia a dormir...
    Se a quadra sair quadrada,
    Faça o favor de se rir
    *
    È que ainda publiquei
    Um poema remendado
    Que de Morfeu afastei
    Pra não me sair estragado...
    *
    Boa noite e bom repouso
    Pra quem comigo desgarra:
    Isto a alguns não dará gozo,
    Mas, pra nós, é uma farra!

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  24. "P'ra ser desgarrada a sério"
    Mas levada mui a brincar,
    Se possível sem impropério,
    Para ser tudo a reinar.

    Até porque durante a noite
    Andei sentada a dormir
    Mais realeza que essa
    Não se pode consentir.

    Foi uma tosse maldita,
    Que me andou a perturbar,
    Foi por essa triste desdita
    Que aqui não vim desgarrar!

    Como hábito atrasada,
    Sei que me vão desculpar,
    E mesmo um pouco cansada,
    Acho que estou a acertar?

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  25. Bom dia. Ja acordei.
    Para mais um dia viver
    Lento ou fugaz não sei
    Só quero o Sol sorver.

    O tempo passa rápido
    Não há forma de travar
    O que conta é sabido
    Rir até a alma salvar.

    Desgarrar é mesmo bom
    Serve de bela farra
    De palavras e de som
    Anda-se sempre na berra.

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  26. Tu acertas a preceito
    A versejar és um ás
    Quem me dera o jeito
    Sei como responderás.

    Cuidado com a tosse
    Não é coisa somenos
    Muito pior se fosse
    Um Covid dos tramados.

    Agora vens desgarrar
    À nossa forma ou lei
    Consegues fazer rimar
    A dita lei com... sei!


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  27. " A dita lei com...sei!"
    Sei eu bem o mal que fiz,
    Com o lindo Sol levei
    Logo acertou no nariz!

    E de cabeça perdida,
    P'ra aqui fiquei esquecida,
    Pois que sou muito bandida,
    Fui pela MJ advertida!

    "Lá no blog do José d'Xã
    Em desgarrada estou
    Anda ver nosso afã"...
    E a Cotovia voou!

    Não perco oportunidade
    De ao comprido me espalhar!
    Vos fazer rir com vontade,
    Sempre comigo a brilhar!!!

    ResponderEliminar
  28. Bom dia!

    Ainda mal acordada,
    Que de noite nem dormi,
    Vou tentar que a desgarrada
    Não se fique por aqui!
    *
    Nem sempre estarei sorrindo
    Mas não me falta a vontade
    De, ao verso que for surgindo,
    Dar um`alma... e liberdade!

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  29. Claro que estás a acertar,
    Ó pequena Cotovia...
    Eu é que estou a falhar
    Que acordei ao meio-dia!
    *
    Eu com cãibras, tu com tosse,
    Quando é que isto irá parar?
    Quem dera que tudo fosse
    Escrever quadras e brincar
    *
    Porém, a falta de sono,
    Vai deixar-nos mal dispostas,
    Com cara de cão sem dono
    E com muita dor nas costas, rsrsrs

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  30. O teu brilho é de luz
    Sempre a rir connosco
    Um vôo que nos seduz
    Eu a ler quem nem louco.

    De vez em quando

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  31. Ora fiquei sem saber,
    Se é p'ra seguir o louco,
    Ou quando, queres lá ver?
    Terei de esperar um pouco?

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  32. Ouso dar liberdade
    Ás palavras escritas
    Umas serão verdade
    Outras enfim mal ditas

    Tome cuidado João
    Com o sono não brinque
    Lá diz nosso coração
    Qu'a vida é um instante.

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  33. De génio e de louco
    Serei eu concerteza
    O génio será pouco
    De louco uma fineza.

    ResponderEliminar
  34. "com muita dor nas costas"
    É falar com'ó Rui Veloso,
    Eufemismo em dor imposta,
    Que vai do pé ao pescoço!

    Não sei o que dizer
    Este meu lado lunar,
    De difícil adormecer
    Só me tem feito penar!

    De penas estou cansada,
    Mais sendo uma Cotovia,
    Devia estar animada,
    Por estar tão bom dia!

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  35. " de louco uma fineza"
    Partilho dessa loucura
    Que é uma beleza,
    Aproveito enquanto dura!

    Aprender a bem rimar
    Será uma nobre luta,
    De amigos a desgarrar,
    Nesta salutar disputa!

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  36. Por estar tão belo o dia
    É que não desanimei:
    Sou pardoca, Cotovia,
    E ao Carlos T. falarei
    *
    Assim que a roupa estender
    Porque agora a realidade
    Sem me impõe... Vai-me doer
    Estar fora de validade
    *
    E ter de fazer de conta
    Qu`inda estou dentro do prazo...
    Faço figura de tonta,
    Mas, na poesia, arraso!, rsrsrs

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  37. Se arrasas na poesia!
    Eu também sou um arraso,
    Uma letra nos distância,
    No caso eu sou um atraso!

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  38. Que esta vida é um instante,
    Bem o sei, José da Xã,
    Mas sendo a cãibra constante
    Na noite e não na manhã,
    *
    É de manhã que adormeço,
    Fica-me o dia estragado
    Pois só à tarde eu começo
    A dar conta do recado
    *
    Dos remédios por tomar,
    Da roupita por estender,
    Das quadras por desgarrar
    E d` inda estar sem comer

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  39. Muitos dias a doer
    As pernas e a alma
    Passei vida a correr
    Agora quero calma.

    Mas seja noite ou dia
    Há uma vil moinha
    Que me tira a folia
    E me dá uma linha.


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  40. Ó pá tu és miúda
    Ainda tens de aprender
    Que a gente graúda
    É pessoal de bom viver


    Escrever é bom assim
    Uma conversa a tantos
    Rimar bem pobre de mim
    Que os termos são muitos.

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  41. "Os termos são muitos"
    E usados mui a preceito
    Umas vezes aos murros,
    Outras com mais jeito.

    Quanto a mim já fico bem
    Se rimar sem ser em ABBA,
    Pois me disse alguém
    Qué a rima p'ra quadra?

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  42. De ABBA muito gosto
    Mas não é para rimar
    A musica é um posto
    Os versos para cantar


    A luta que eu tenho
    Para a rima achar
    Basta um só desenho
    Para as ditas encontrar.

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  43. "Para as ditas encontrar"
    Lembrei-me das outras,
    Não me podem faltar
    Senão quais, as gotas!

    Pra botar no nariz,
    E ver se arrebito
    Vem aí o chamariz
    Dias com solito!

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  44. Hahahahahahah!

    "No caso eu sou um atraso"
    Pois só ando alguns passitos
    E entro logo no ocaso
    Dos ossos, rangendo aflitos
    *

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  45. E que me dá uma linha
    Pra coser... ou pra escrever?
    Ando a dar voltas à pinha
    Sem saber o que escolher...
    *
    Mas com isso das moinhas
    Posso eu bem... Mal dou por elas!
    Só dou pelas dores fininhas
    Nos pulsos e nas canelas
    *
    Pra não falar da coluna
    Com as vértebras coladas
    Que gritam mais que uma tuna
    Se se sentem pressionadas

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  46. "dos ossos rangendo aflitos"
    E os ouvidos de incautos
    P'los poéticos pirulitos
    Mais p'ro brutos, nada doutos!

    Mas a vontade é forte,
    Nada me vai demover,
    Pois é uma enorme sorte
    Por assim vos conhecer!

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  47. Por assim vos conhecer,
    Não paro de desgarrar...
    Melhor não podia ser
    Prá minha dor mitigar
    *
    E quando ela for mais forte
    Do que a minha Musa errante,
    Deito umas rimas à sorte,
    Convoco a Musa gigante!

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  48. "Convoco a Musa gigante"
    Só se for p'ra ser multada
    De uma forma fulminante
    Por ser tão atrapalhada!

    Até aí me devo enganar
    E convocar ajudante,
    Que p'ra qui vem cirandar
    Armado em mau estudante!

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  49. Armado em mau estudante
    Não vi, nem vejo ninguém,
    Mas seria inquietante
    Ver quem estude sem ser bem...
    *
    Sempre estudei com paixão
    Aquilo de que gostava...
    Ao resto dizia não
    Mas no fim lá me safava...

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  50. "Mas no fim lá me safava"
    Mais não seja à tangente
    Qu'era p'ra isso eu estudava,
    Muita recta e concorrente.

    Geometria descritiva,
    Mais Projecto e desenho,
    Nunca andava à deriva
    Navegava com empenho!

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  51. Pressionado o dedo
    Por um qualquer gatilho
    Para operar sem medo
    Já tenho um sarilho.

    Dor nos pés? É a gota
    Terrível até, até
    Dói-me o sapato, a bota
    Onde nem cabe um pé!

    Outras dores também há
    Mas nem delas eu falo
    Vais ao médico, já!
    Por isso eu só, me calo!

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  52. Tu toma cuidado, vá!
    Qu'isso é vil e chato
    Bora por as gotas, já.
    Para rimares de facto.

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  53. Para rimares de facto
    Neste grande espaço
    Veio MJ de avião a jacto
    E eu trago-te um abraço.

    P'ra isso somos amigos
    Sem causar embaraço
    A enfrentar os perigos
    Tão fortes como o aço!

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  54. Tão fortes como o aço?
    Ó pá toma cuidado.
    Um dia ainda passo
    Por ti de braço dado!

    A amizade é um dom
    Que nem todos sabem ver
    Nem é preciso ser Dom
    Basta saber escrever.

    Rimar a bom rimar
    É para quem tem jeito
    Cá o "je" é só brincar
    Aos poetas. Está feito!

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  55. "Navegava com empenho"
    No mar do desconhecido,
    Montada num velho lenho
    De jangada travestido
    *
    O mar não tinha tamanho,
    Mas não havia sentido
    A que eu não franzisse o cenho
    Por não o ter percorrido...
    *
    Tudo chamava por mim,
    Quase tudo me encantava
    Nesse mar que era sem fim
    *
    E no qual eu navegava
    Como quem acha um jardim
    Num pedacinho de lava...

    ResponderEliminar
  56. "Por isso é que só me calo"
    Sempre que há convocatória
    Pra montar o meu cavalo
    E mudar o rumo à História
    *
    Mas a história é sempre a mesma
    E a consulta hospitalar
    Faz-me sentir uma lesma
    Que nem sequer pode andar
    *
    Senão dar alguns passitos,
    Com a ajuda da bengala...
    As mazelas não são mitos
    Se vêm em grande escala

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  57. E que belo poema, querida Mª João!
    Completo

    "Num pedacinho de lava"
    É como agora me sinto
    Desta tosse uma escrava
    Na noite logo a pressinto.

    Por este verso me rendo,
    Nesta paixão me encontro
    A bela poesia querendo
    Tal como se fosse um astro!

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  58. "Aos poetas está feito"
    E um desafio à espera
    Em Tanka sempre a jeito
    É da Paz, é d'outra Era.

    Ela vai de braço dado
    Bem forte com a amizade
    Ditadura p'ra outro lado,
    Queremos é Liberdade!

    Disso mesmo vou poetar,
    Agora lá na Cotovia
    Para a noite terminar,
    Cheia de grata alegria.

    Amizade e poesia,
    Há melhor combinação?
    Só tráz boa harmonia
    E muita animação.

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  59. Bom dia 'nha amiga
    Mais uma semana
    Outro dia de briga
    Com a minha mana.

    Esta chama-se vida
    E eu luto com ela
    Anda bem entretida
    A ver se tombo da janela.

    Enganou-se já a dita
    Cair não é meu forte
    Está longe a maldita
    De ver a minha morte.


    Bom fim de semana

    ResponderEliminar
  60. "De ver a minha morte"
    Não é uma realidade
    Longe de nós essa sorte
    Diria mesmo maldade.

    E apesar de Cotovia
    Não sei dess'informação:
    Qual foi essa agonia
    Esse grande trabolhão?

    Assim é preocupante,
    Pois caro amigo José
    Quem foi essa tratante?
    E lhe darei um pontapé!🐦

    ResponderEliminar
  61. "Tal como se fosse um astro"
    Vos desejo um feliz dia
    E uma bandeira no mastro
    Da barca da poesia
    *
    Por cá estou, neste meu castro,
    Sem ter outra companhia
    Além da gata e do lastro
    Que me oferta a sinfonia
    *
    Fossem os braços que trago
    Capazes de um golpe de asa,
    Mas neste tempo aziago
    *
    Fico quase sempre em casa
    Tão parada quanto o lago
    Que cá por dentro transvaza...

    ResponderEliminar
  62. A danada tem nome
    E tem um chavão
    Idade como prenome
    Velhice de profissão.

    Aguenta digo eu
    Nada mais posso dizer
    Os dias de Filisteu
    Foram no antes que fazer?

    Eis a hora de almoço
    Seremos mesmo poucos
    Antes era alvoroço
    Com muitos ao socos.

    ResponderEliminar
  63. "que cá por dentro transvaza"
    A vontade de poetar,
    Essa é uma certeza
    Que não me vai abandonar.

    Mais ainda acompanhada
    De tão mui nobres poetas,
    É alegre caminhada,
    Leve vôo de borboletas. 🦋

    ResponderEliminar
  64. "Com muitos aos socos"
    Saudade dos belos tempos
    Desses momentos recíprocos
    Ainda sem contratempos.

    Eram poucos desabafos,
    E muita a agitação,
    Como mares super fofos,
    Sempre em movimentação!

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  65. "Leve vôo de borboletas"
    Sinto às vezes cá por dentro
    Se correndo corto as metas,
    Veloz como o pensamento
    *
    Nem tudo são linhas rectas
    No que toca a sentimento
    E às vezes somos cometas
    A brilhar no firmamento...
    *
    Nem sempre seremos lidos
    Mas seguimos céu afora:
    Mais ou menos conseguidos
    *
    E pequeninos, embora,
    Vimos desde os tempos idos
    Até aos tempos de agora...
    ***

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  66. "Até aos tempos de agora..."
    Andei meia a dormir
    Acordei fora de hora
    Nada consegui cumprir.

    Assim nesta desgarrada
    Com mote do desabafo
    Fiquei tão desorientada
    Que vou chamar um geógrafo...

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