Não é vergonha nenhuma sentir-se um pouco de melancolia de quando em quando, José... E, por vezes, a melancolia pode servir de tempero a um belo poema. Somos humanos e todos nós possuímos um vastíssimo leque emocional, ninguém pode passar a vida a rir à gargalhada, mesmo que seja uma pessoa muito alegre.
Não quero fama nem proveito Diz este pobre escriba de versos. Continuar mesmo sem jeito, A esgalhar textos travessos. Ser poeta não é apenas isto, Deixar as palavras fugirem. É qual oleiro, criar um registo Das muitas almas a abrirem. Não serei, nem bom nem mau, Poeta de enormes feitos. Como o tocador de berimbau Que não sabe outros preceitos. Vivi anos a tentar escrever O que ninguém ousara dar luz. Passou o tempo mui a correr Nem percebi qual a minha cruz. Qual amor, qual paixão A varrer-me todo por dentro. Ficou dorido, sim, o coração Por ser só ou apenas o centro.
A ribeira das Duas Pedras nasce no meio da serra entre dois enormes penedos graníticos que a baptizou. Durante todo o ano a água sai do ventre da terra com maior ou menor força, todavia sempre límpida, fresca e com força de vida. Se no Inverno o caudal farto vai descendo a encosta até encontrar a foz na ribeira dos Carvalhos, já no Estio o fio fresco fica naturalmente preso nalguns lameiros contíguos à linha de água, que agradecem. Porém a maior característica da ribeira é ser a divisão natural de duas enormes propriedades. Augusto Maciel era dono de uma enorme Quinta que tinha como limite a leste, a boa ribeira. Do outro lado vivia Vicente Peres um outro fazendeiro sempre muito cioso dos seus terrenos e mais ainda das suas partilhas. Certo é que estes dois homens… detestavam-se. Nunca ninguém, em boa verdade, soubera da razão do diferendo. Alguns aventavam a ideia de ser um problema antigo envolvendo saias, outros falavam de coisas de heranças e partilhas antigas e havia ainda quem ou...
Corro as longas cortinas Sobre este belo destino. Cerro as janelas finas Vivo longo desatino. Mais de cinco centenas De textos publicados. Alguns ingénuos apenas Mas sempre acarinhados. Para outros trilhos parto Não em busca da luz do Sol. Aqui e agora reparto Um gesto, um mero girassol. Uma dúzia de bons anos Tantos e tantos perdidos. Saio sem remorsos, danos Só agradeço aos sentidos. Remato finalmente Com a feliz sensação Escrever é ser doente De vida e de paixão.
Um poema melancólico mas muito bonito no seu todo, José
ResponderEliminarUm bom dia!
Muito bonito.
ResponderEliminaràs vezes dá-me para estas melancolias... E não escrevo mais destas porque me sinto (quase) envergonhado!
ResponderEliminarObrigado boa amiga!
ResponderEliminarNão é vergonha nenhuma sentir-se um pouco de melancolia de quando em quando, José... E, por vezes, a melancolia pode servir de tempero a um belo poema. Somos humanos e todos nós possuímos um vastíssimo leque emocional, ninguém pode passar a vida a rir à gargalhada, mesmo que seja uma pessoa muito alegre.
ResponderEliminarAbraço!
Maria João,
ResponderEliminarpor vezes só me sinto bem a escrever coisas tristes... Aqui!
É natural que isso aconteça de quando em quando... Em compensação, ri-se bastante nas quadras
ResponderEliminarSomos todos humanos, não somos nenhuma IA.
Abraço!