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A mostrar mensagens de maio, 2020

Desafio de escrita dos pássaros # 2.16

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Nota introdutória: Agradeço à Olga de blogue A cor da escrita o belo desenho que ilustra este meu último desafio. Um pedido meu que esta simpática bloguer aceitou. Um desenho diria que... perfeito!   Mote: vou ali e já venho Hoje dia 22 de Maio de 2032 faleceu Elizário Mota, aos 80 anos de idade, nascido na bela ilha das Flores, numa Fajã inexistente e tendo sido, entre muitas coisas, avô de duas meninas sem nunca, todavia, ter sido pai. A sua atribulada vida deu um salto qualitativo quando Gusmão e Maria Heliodora numa noite de voluntariado aos sem-abrigo deram a mão ao florentino. Uma sorte para eles dizia o casal, uma bênção de Deus afirmou sempre o ilhéu. Elizário apagou-se neste dia triste como uma vela sem pavio, sentado no quintal, no seu banco preferido, sob uma frondosa laranjeira, enquanto as suas meninas Maria da Luz e Maria Flor brincavam alegremente. Uma vida que começara dura numa Fajã longínqua e miserável. Depois… o Serviço Militar Obrigatório em África e um regresso ...

Aquela cor!

Descanso a cabeça Numa doce almofada Insuflada De ínclita esperança. Cubro-me Com cobertores de alegria, Lençóis alvos, E frescos de risos.   Sopro por fim Na vela que a alma Pobre, ainda vai mantendo Quente e acesa.   É a vez de a noite, Semear um silêncio, Prenhe de fantasmas E lícitas dúvidas. Para acordar suado De vontades e sonhos, Miríades de luzes E mansas realidades.   Mas há sempre Um sol por detrás Da montanha inerte Que trás vida e cor!   É um novo dia, Que somo A tantos outros Já lavrados Nas minhas mãos. Ora não busco fortuna Nem lágrimas salgadas. Nem dores ou fulgores.   Apenas percebo Que no céu imenso, Há uma outra cor Que não sei distinguir!

O que é o amor?

O que é o amor? Li eu algures Num compêndio de ideias. A dúvida formulada, A pergunta assumida, A fórmula mágica!   O que é o amor? Penso eu sozinho, Numa daquelas noites de alertas. A questão dói, O pensamento duvida A alma voa.   O que é o amor? De mãe, de pai, De avó, de avô. De filho e irmão, Dos apaixonados.   O que é o amor? Senão um lampião Na floresta escura, Um brilhante fanal, No mar tenebroso, Uma lava incandescente.   O que é o amor? Será simplesmente.... Um brilho no olhar, Uma mão que treme, Um coração que explode, Uma madrugada fresca.

Desafio de escrita dos pássaros # 2.15

Mote: Mais oito! - Mais oito, avô, mais oito! - Mais oito quê, Maria da Luz? Elizário era o único que chamava a menina pelo nome completo. A mãe tratava-a por Bia, enquanto o pai usava carinhosamente… Luzinha. - Mais oito dias para irmos até à tua ilha… - Minha não… nossa! Não se esqueça, a menina, que a mamã também é das Flores. E portanto… tu também és. Um enorme sorriso desceu sobre a face rasgada e cansada do ilhéu, enquanto acariciava os caracóis doirados que nem seara, da neta. Num fogacho recuou mais de meio século para parar naquela noite em que o mar enraivecido com alguma coisa, tentava desesperadamente alcançar terra. Não lhe permitiam as rochas negras que surgiam como uma parede natural contra as investidas violentas de Neptuno. Nessa invulgar noite tiveram todos de fugir da casa pequena para se recolheram na velha orada que ficava um pouco acima do nível do mar. Não percebeu porque naquele momento em que sossegadamente olhava a menina, adpotiva sim, mas neta se lembrara da...

Fuga!

Naquela distante linha do horizonte há um segredo por desvendar, um desejo por realizar, uma lágrima por chorar, uma mentira por denunciar, um farol para orientar, uma luz para aceitar, um sentido para a vida.   Diz-me então porque foges?

Desafio de escrita dos pássaros # 2.14

Mote: Cantas bem, mas não m’encantas! - Elizário, Elizário... A jovem tentava correr no meio da terra, umas vezes enlameada outra atapetada de erva verde e escorregadia. O açoriano andava de enxada em punho a desviar regos de água que um motor barulhento despejava. Só reparou na Luízinha quando se virou. - Que se passa menina? A voz ofegante impedia-a de falar. Respirou fundo e por fim meio a chorar: - Elizário, venha depressa, venha...  E pegou na mão e puxou-o. - O meu pai... O empregado largou a alfaia, desligou o motor e correu com a jovem a seu lado até a casa. De vez em quando parava para que a jovem o acompanhasse. Aproveitou para perguntar: - Mas o que se passa? - O meu pai desmaiou… - Desmaiou? Assim sem mais nem menos? - S… sim… - E já chamaram uma ambulância para o levar para o hospital? - Ainda não… Quando arribaram Joaquim encontrava-se sentado numa cadeira, mas o tom pálido da face mostrava que estava deveras doente. - Menina, chame os bombeiros… Depressa! Um quarto de ho...

Queria…

Queria ser um belo poeta, Camões, Garrett ou Pessoa. Queria ser uma simples seta, Disparada por Cupido à toa.   Queria ser um bom escritor Eça, Herculano, Namora Queria ter esse primor De saber colher uma amora   Queria escrever lindos poemas, Coisas sentidas, quiçá choradas Queria viver sentidos dilemas, Gritos, raivas e dores caladas.   Queria escrever certas palavras Que nunca ousei enfim dizer-te Queria desenhar nas minhas lavras O que é amar-te e querer-te.   Sou pobre e reles prosador. De sonhos, amores e cantigas Choro num brando fervor, A triste escrita, as imensas fadigas.

Desafio do conto

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Um desafio de escrita foi lançado pela Ana (só podia!!!) que a Amor Líquido fez seguir. Depois veio a bii yue que após ter continuado lançou a bola para mim. E eu escrevi o que está no fim a negro...   Era uma vez uma jovem mulher, de seu nome Clariana, que pastoreava gansos. Ela era o primeiro ser vivo que os gansos reconheciam, desde tenro berço, e eram lhe totalmente fiéis. Aprendera com o avô todos os segredos desta mestria. Clariana era a mais velha de três irmãos, todos eles filhos de Izabel e João Bernardo. Uma família de origens humildes que ocupava os seus dias na tranquilidade do campo, entre a lavoura do trigo, da batata, e a agropecuária. Izabel ocupava-se de todos os assuntos relacionados com a atividade económica do que produziam, contando com a ajuda de Clariana no terreno, junto dos animais, e Juca, a forma carinhosa como o pai era tratado, debruçava-se sobre a contabilidade da família. Os gémeos Tiago e Guilherme eram ainda pequenos, pelo que o seu maior contributo ...

Às mães

De que sangue são as mães, Que ousam amar os filhos, Para além da vida e da morte?   De que alma se revestem as mães, Quando através de um vidro, Celebram do filho doente, a vida?   De que vontade talham as mães, Sob dores, tristezas e angústias, A esperança de dias melhores?   De que cor é a crença das mães, Nas lágrimas e nos beijos por dar, No filho ausente em parte incerta?   As mães… são feitas de sofrimento e agonia, de risos e amparos, de dores e silêncios.   Perfeitos os corações das mães.

Intempérie!

Sopra um vento feroz, Traz fogo, fúria e raiva, De solidão e ausência, Um mundo agitado.   Sopra uma brisa branda, Traz cheiros e sons, De ondas e mar, De brilhos e alegrias.   Sopra um sopro mui leve, Traz a simples esperança, De sol, luz, sonhos, Uma mão estendida.   De quase nada!  

Desafio de escrita dos pássaros #2.13

Mote: E elas saltaram e saltaram, sem nunca mais parar Já haviam decorrido alguns anos desde que o Mundo conhecera uma nova forma de estar. Entretanto nascera uma menina no seio da família que adoptara o florentino, e a quem deram o nome de Maria da Luz. A criança foi crescendo feliz rodeada de um amor profundo dos pais e de um avô que, curiosamente, nunca fora pai. Elizário, desde que Maria começara a andar, levava a cachopa a passear vezes sem conta e brindava-a no caminho com muitas histórias que a sua cabeça inventava. Especialmente com origem na sua ilha… Falava-lhe do mar azul, muitas vezes bravio e inóspito, outras manso e doce que nem mel. De um azul que se perdia no horizonte até tocar o anil do céu. Relatava-lhe histórias de um pôr de um sol morno e de cores alaranjadas. Contava-lhe fantasias das cascatas de água pura e fria que nasciam do ventre da terra e desapareciam no mar. Depois era o momento de recordar a família, provavelmente toda desaparecida. Do pai, homem duro e c...