A cor e a dor

Vou brunindo esta minha alma


Com pedaços de bela memória.


Eram dias luminosos, de calma


Alegrias sem fim, horas de glória.


 


Folheio agora páginas de vida,


Bizantinas sinto-as finalmente.


Porque ora o dia é uma ferida


De uma primavera sem gente.


 


De que cor são as minhas lágrimas,


Que sempre deveria ter vertido?


Seriam pérolas de Brel, dramas,


Orvalhos matinais caídos sem ruído.


 


Há neste sentimento uma certeza,


De surdos gritos, suspiros e dores.


Sei, nesta hora de doentia tristeza,


Que é momento de colher as flores.

Comentários

Ana a Abelha disse…
abraço terno o poema é lindo mas de uma doçura triste espero que esteja tudo bem
MJP disse…
Belo poema, José (tão real)!
Fica Bem!
José da Xã disse…
Olá bom dia,

Ana... raramente escrevo poemas a rimar.
Hoje levantei-me cedo e olha... escrevi isto.
Que deu muito trabalho.
José da Xã disse…
Bem verdade...
Este virús anda a puxar por mim.
Será que estou louco?
José da Xã disse…
Divina ou diluviana tal é a chuva por aqui...
Ana a Abelha disse…
aqui tem chovido de noite.. os dias são cinzentos mas mansos
José da Xã disse…
Aqui bravio é o vento.
As ameixas caem em profusão.
C.C. disse…
Belo...mas triste!
Uma realidade que não nos convinha, mas que a ela temos que nos habituar!
Grande abraço.
imsilva disse…
Bela inspiração!
Gostava de saber porque é que este blog não aparece nas minhas leituras...

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