Desabafo!

Porque quero escrever


Se mais não sei qu'isto?


Alinhar palavras e ver


Se vale a pena o misto.


 


Não serei nunca poeta


Pois nem sei chorar


Escrevo à dor pateta


Esta raiva de corar.


 


Desembainho motes


Que me dão alento


Ao ver nas frias fontes


O rosto do momento.


 


Que esperarás ó tu


Deste trágico viver


Que seja um gabiru


Até ao dia de morrer.

Comentários

Beatriz Costa disse…
Então, José?! Espero que esteja tudo bem, um beijinho de bom dia!
Bom dia, José da Xã!
Já tinha saudades suas...
Como está nesta manhã,
Depois de uma ou duas luas?
*
Parece mal humorado,
Ou mesmo um pouco abatido
E eu, daqui, deste lado,
Já nem sei bem com quem lido...
*
Diz que quer ser gabiru
Porque não sabe chorar?
Olhe que eu nem com vodu
Deixo as lágrimas rolar!
*
Vamos lá a arrebitar,
Vamos lá sorrir um pouco!
Estar-se-á a lamentar
Deste mundo, que anda louco?
*
José da Xã disse…
Pura melancolia da noite!
Está tudo bem!
Obrigado Beatriz.
José da Xã disse…
Viva quem é uma flor
Verdadeira resistente.
A tudo até à dor.
A vida será em frente.

Não estou abatido
Quiçá bem nostalgico
Necessito de um sentido
Para ser menos apático.

Estes dias de calor
Sao maus e terríveis
Dias de grande pavor
Receio os perecíveis.

Bora lá nos animar
Mais um ror de quadras
É preciso rir, brincar
Sem aventar as pedras.


Vamos lá então às quadras
Que versejar só faz bem
E venham as gargalhadas
Porque eu quero rir também
*
Essa branda nostalgia
Pode até ser transformada
Numa quadra de alegria
Brincalhona e bem esgalhada
*
Compreendo que o calor
Nos ` teja a deixar suados,
Mas as gotas de suor
Também podem regar prados
José da Xã disse…
Sou fraco versejador
Mas gosto de esgalhar
Quadras com assaz ardor
E rimadas sem falhar.

Eu nasci versejadora...
Com poucos anos de idade
Era de quadras autora
Com toda a facilidade
*
Porque era tão pequenina,
Meu avô as registava
Com pena de ponta fina
Em cadernos que guardava
Vou agora ao cafezinho,
Volto pelas oito e meia
A menos que algum vizinho
Me of`reça jantar e ceia
Maribel Maia disse…
Diferentes inspirações!!!
Beijinhos!
José da Xã disse…
Não lembro ter nascido
Também não interessa.
Escrevo iludido.
Ser poeta depressa.

José da Xã disse…
Óptimo café com sabor
A alegre liberdade.
Que lhe saiba a calor
Um sonho sem idade.

Cheguei um pouco mais cedo,
Não tive nenhum convite
Pra jantar, ou pr`arremedo
Que me enchesse de apetite
*
Vou é comer a sopinha
Que deixei desde manhã
No armário da cozinha
No qual guardo a hortelã
Para ser muito sincera,
Também eu não me recordo
Desse momento em que a espera,
Deixa a espera e passa a acordo...
José da Xã disse…
Sopinha ao relento
Não terá azedado?
Com este calor e tanto
É um risco observado.

Por aqui pouca coisa
Para manter o peso
Um dia a folha poisa
Eu grito de obeso.

Fiquei de rabo entalado
Mas podia ser pior:, rsrsrs
O tacho ficou guardado,
Mas no refrigerador
*
Não acho rima que rime
C`o frigorificozinho
E antes que eu desanime
Vou comer um geladinho
É uma desgarrada de quadras, Maribel.
Só falta cada um de nós começar a partir do último verso do outro para ser uma desgarrada a sério
José da Xã disse…
Comer um geladinho
Também cairia bem
Só que "je" coitadinho
Nem disso em casa tem!

Tenho outros docinhos
Outrossim muitos e bons
O Céu em pedacinhos
Em diversas cores e tons.

"Em diversas cores e tons"
Tenho telas e mais telas
Pois pra mim até dos sons
Me surgem cor`s muito belas...
José da Xã disse…
Surgir cores mui belas
Com açúcar... gelatinas
Gosto e muito delas
Bastam doces e finas.

Bastante doces e finas
São algumas iguarias:
Com ovos e margarinas
Podem, porém, dar azias
José da Xã disse…
Nem azias nem azares
Que eu tomo cuidado
Doces nem aos jantares
Com copos e bons fados.


Com copitos e bons fados
Passa-se a noite à maneira,
Mas eu, de lábios cerrados,
Não mais serei cantadeira

(é verdade, tenho as cordas vocais estragaditas)
José da Xã disse…
Cantador jamais serei
Para tal não tive queda
Mas sempre bem falarei
Desta rima desatada.

Anda a rima desatada
E estou eu meia a dormir...
Se a quadra sair quadrada,
Faça o favor de se rir
*
È que ainda publiquei
Um poema remendado
Que de Morfeu afastei
Pra não me sair estragado...
*
Boa noite e bom repouso
Pra quem comigo desgarra:
Isto a alguns não dará gozo,
Mas, pra nós, é uma farra!
"P'ra ser desgarrada a sério"
Mas levada mui a brincar,
Se possível sem impropério,
Para ser tudo a reinar.

Até porque durante a noite
Andei sentada a dormir
Mais realeza que essa
Não se pode consentir.

Foi uma tosse maldita,
Que me andou a perturbar,
Foi por essa triste desdita
Que aqui não vim desgarrar!

Como hábito atrasada,
Sei que me vão desculpar,
E mesmo um pouco cansada,
Acho que estou a acertar?
José da Xã disse…
Bom dia. Ja acordei.
Para mais um dia viver
Lento ou fugaz não sei
Só quero o Sol sorver.

O tempo passa rápido
Não há forma de travar
O que conta é sabido
Rir até a alma salvar.

Desgarrar é mesmo bom
Serve de bela farra
De palavras e de som
Anda-se sempre na berra.

José da Xã disse…
Tu acertas a preceito
A versejar és um ás
Quem me dera o jeito
Sei como responderás.

Cuidado com a tosse
Não é coisa somenos
Muito pior se fosse
Um Covid dos tramados.

Agora vens desgarrar
À nossa forma ou lei
Consegues fazer rimar
A dita lei com... sei!


" A dita lei com...sei!"
Sei eu bem o mal que fiz,
Com o lindo Sol levei
Logo acertou no nariz!

E de cabeça perdida,
P'ra aqui fiquei esquecida,
Pois que sou muito bandida,
Fui pela MJ advertida!

"Lá no blog do José d'Xã
Em desgarrada estou
Anda ver nosso afã"...
E a Cotovia voou!

Não perco oportunidade
De ao comprido me espalhar!
Vos fazer rir com vontade,
Sempre comigo a brilhar!!!
Bom dia!

Ainda mal acordada,
Que de noite nem dormi,
Vou tentar que a desgarrada
Não se fique por aqui!
*
Nem sempre estarei sorrindo
Mas não me falta a vontade
De, ao verso que for surgindo,
Dar um`alma... e liberdade!
Claro que estás a acertar,
Ó pequena Cotovia...
Eu é que estou a falhar
Que acordei ao meio-dia!
*
Eu com cãibras, tu com tosse,
Quando é que isto irá parar?
Quem dera que tudo fosse
Escrever quadras e brincar
*
Porém, a falta de sono,
Vai deixar-nos mal dispostas,
Com cara de cão sem dono
E com muita dor nas costas, rsrsrs
José da Xã disse…
O teu brilho é de luz
Sempre a rir connosco
Um vôo que nos seduz
Eu a ler quem nem louco.

De vez em quando
Ora fiquei sem saber,
Se é p'ra seguir o louco,
Ou quando, queres lá ver?
Terei de esperar um pouco?
José da Xã disse…
Ouso dar liberdade
Ás palavras escritas
Umas serão verdade
Outras enfim mal ditas

Tome cuidado João
Com o sono não brinque
Lá diz nosso coração
Qu'a vida é um instante.

José da Xã disse…
De génio e de louco
Serei eu concerteza
O génio será pouco
De louco uma fineza.

"com muita dor nas costas"
É falar com'ó Rui Veloso,
Eufemismo em dor imposta,
Que vai do pé ao pescoço!

Não sei o que dizer
Este meu lado lunar,
De difícil adormecer
Só me tem feito penar!

De penas estou cansada,
Mais sendo uma Cotovia,
Devia estar animada,
Por estar tão bom dia!
" de louco uma fineza"
Partilho dessa loucura
Que é uma beleza,
Aproveito enquanto dura!

Aprender a bem rimar
Será uma nobre luta,
De amigos a desgarrar,
Nesta salutar disputa!
Por estar tão belo o dia
É que não desanimei:
Sou pardoca, Cotovia,
E ao Carlos T. falarei
*
Assim que a roupa estender
Porque agora a realidade
Sem me impõe... Vai-me doer
Estar fora de validade
*
E ter de fazer de conta
Qu`inda estou dentro do prazo...
Faço figura de tonta,
Mas, na poesia, arraso!, rsrsrs
Se arrasas na poesia!
Eu também sou um arraso,
Uma letra nos distância,
No caso eu sou um atraso!

Que esta vida é um instante,
Bem o sei, José da Xã,
Mas sendo a cãibra constante
Na noite e não na manhã,
*
É de manhã que adormeço,
Fica-me o dia estragado
Pois só à tarde eu começo
A dar conta do recado
*
Dos remédios por tomar,
Da roupita por estender,
Das quadras por desgarrar
E d` inda estar sem comer
José da Xã disse…
Muitos dias a doer
As pernas e a alma
Passei vida a correr
Agora quero calma.

Mas seja noite ou dia
Há uma vil moinha
Que me tira a folia
E me dá uma linha.


José da Xã disse…
Ó pá tu és miúda
Ainda tens de aprender
Que a gente graúda
É pessoal de bom viver


Escrever é bom assim
Uma conversa a tantos
Rimar bem pobre de mim
Que os termos são muitos.

"Os termos são muitos"
E usados mui a preceito
Umas vezes aos murros,
Outras com mais jeito.

Quanto a mim já fico bem
Se rimar sem ser em ABBA,
Pois me disse alguém
Qué a rima p'ra quadra?
José da Xã disse…
De ABBA muito gosto
Mas não é para rimar
A musica é um posto
Os versos para cantar


A luta que eu tenho
Para a rima achar
Basta um só desenho
Para as ditas encontrar.

"Para as ditas encontrar"
Lembrei-me das outras,
Não me podem faltar
Senão quais, as gotas!

Pra botar no nariz,
E ver se arrebito
Vem aí o chamariz
Dias com solito!
Hahahahahahah!

"No caso eu sou um atraso"
Pois só ando alguns passitos
E entro logo no ocaso
Dos ossos, rangendo aflitos
*
E que me dá uma linha
Pra coser... ou pra escrever?
Ando a dar voltas à pinha
Sem saber o que escolher...
*
Mas com isso das moinhas
Posso eu bem... Mal dou por elas!
Só dou pelas dores fininhas
Nos pulsos e nas canelas
*
Pra não falar da coluna
Com as vértebras coladas
Que gritam mais que uma tuna
Se se sentem pressionadas
"dos ossos rangendo aflitos"
E os ouvidos de incautos
P'los poéticos pirulitos
Mais p'ro brutos, nada doutos!

Mas a vontade é forte,
Nada me vai demover,
Pois é uma enorme sorte
Por assim vos conhecer!
Por assim vos conhecer,
Não paro de desgarrar...
Melhor não podia ser
Prá minha dor mitigar
*
E quando ela for mais forte
Do que a minha Musa errante,
Deito umas rimas à sorte,
Convoco a Musa gigante!
"Convoco a Musa gigante"
Só se for p'ra ser multada
De uma forma fulminante
Por ser tão atrapalhada!

Até aí me devo enganar
E convocar ajudante,
Que p'ra qui vem cirandar
Armado em mau estudante!
Anónimo disse…

Parabéns aos poetas...

Luísa Faria.
Armado em mau estudante
Não vi, nem vejo ninguém,
Mas seria inquietante
Ver quem estude sem ser bem...
*
Sempre estudei com paixão
Aquilo de que gostava...
Ao resto dizia não
Mas no fim lá me safava...
Obrigada pelo pedacinho que me cabe, Luísa.
Um abraço
"Mas no fim lá me safava"
Mais não seja à tangente
Qu'era p'ra isso eu estudava,
Muita recta e concorrente.

Geometria descritiva,
Mais Projecto e desenho,
Nunca andava à deriva
Navegava com empenho!
Obrigada querida Luísa!
Um grande beijinho.🐦
José da Xã disse…
Pressionado o dedo
Por um qualquer gatilho
Para operar sem medo
Já tenho um sarilho.

Dor nos pés? É a gota
Terrível até, até
Dói-me o sapato, a bota
Onde nem cabe um pé!

Outras dores também há
Mas nem delas eu falo
Vais ao médico, já!
Por isso eu só, me calo!

José da Xã disse…
Tu toma cuidado, vá!
Qu'isso é vil e chato
Bora por as gotas, já.
Para rimares de facto.
Para rimares de facto
Neste grande espaço
Veio MJ de avião a jacto
E eu trago-te um abraço.

P'ra isso somos amigos
Sem causar embaraço
A enfrentar os perigos
Tão fortes como o aço!
José da Xã disse…
Tão fortes como o aço?
Ó pá toma cuidado.
Um dia ainda passo
Por ti de braço dado!

A amizade é um dom
Que nem todos sabem ver
Nem é preciso ser Dom
Basta saber escrever.

Rimar a bom rimar
É para quem tem jeito
Cá o "je" é só brincar
Aos poetas. Está feito!
"Navegava com empenho"
No mar do desconhecido,
Montada num velho lenho
De jangada travestido
*
O mar não tinha tamanho,
Mas não havia sentido
A que eu não franzisse o cenho
Por não o ter percorrido...
*
Tudo chamava por mim,
Quase tudo me encantava
Nesse mar que era sem fim
*
E no qual eu navegava
Como quem acha um jardim
Num pedacinho de lava...
"Por isso é que só me calo"
Sempre que há convocatória
Pra montar o meu cavalo
E mudar o rumo à História
*
Mas a história é sempre a mesma
E a consulta hospitalar
Faz-me sentir uma lesma
Que nem sequer pode andar
*
Senão dar alguns passitos,
Com a ajuda da bengala...
As mazelas não são mitos
Se vêm em grande escala
E que belo poema, querida Mª João!
Completo

"Num pedacinho de lava"
É como agora me sinto
Desta tosse uma escrava
Na noite logo a pressinto.

Por este verso me rendo,
Nesta paixão me encontro
A bela poesia querendo
Tal como se fosse um astro!
"Aos poetas está feito"
E um desafio à espera
Em Tanka sempre a jeito
É da Paz, é d'outra Era.

Ela vai de braço dado
Bem forte com a amizade
Ditadura p'ra outro lado,
Queremos é Liberdade!

Disso mesmo vou poetar,
Agora lá na Cotovia
Para a noite terminar,
Cheia de grata alegria.

Amizade e poesia,
Há melhor combinação?
Só tráz boa harmonia
E muita animação.
José da Xã disse…
Bom dia 'nha amiga
Mais uma semana
Outro dia de briga
Com a minha mana.

Esta chama-se vida
E eu luto com ela
Anda bem entretida
A ver se tombo da janela.

Enganou-se já a dita
Cair não é meu forte
Está longe a maldita
De ver a minha morte.


Bom fim de semana
"De ver a minha morte"
Não é uma realidade
Longe de nós essa sorte
Diria mesmo maldade.

E apesar de Cotovia
Não sei dess'informação:
Qual foi essa agonia
Esse grande trabolhão?

Assim é preocupante,
Pois caro amigo José
Quem foi essa tratante?
E lhe darei um pontapé!🐦
"Tal como se fosse um astro"
Vos desejo um feliz dia
E uma bandeira no mastro
Da barca da poesia
*
Por cá estou, neste meu castro,
Sem ter outra companhia
Além da gata e do lastro
Que me oferta a sinfonia
*
Fossem os braços que trago
Capazes de um golpe de asa,
Mas neste tempo aziago
*
Fico quase sempre em casa
Tão parada quanto o lago
Que cá por dentro transvaza...
José da Xã disse…
A danada tem nome
E tem um chavão
Idade como prenome
Velhice de profissão.

Aguenta digo eu
Nada mais posso dizer
Os dias de Filisteu
Foram no antes que fazer?

Eis a hora de almoço
Seremos mesmo poucos
Antes era alvoroço
Com muitos ao socos.

"que cá por dentro transvaza"
A vontade de poetar,
Essa é uma certeza
Que não me vai abandonar.

Mais ainda acompanhada
De tão mui nobres poetas,
É alegre caminhada,
Leve vôo de borboletas. 🦋
"Com muitos aos socos"
Saudade dos belos tempos
Desses momentos recíprocos
Ainda sem contratempos.

Eram poucos desabafos,
E muita a agitação,
Como mares super fofos,
Sempre em movimentação!
"Leve vôo de borboletas"
Sinto às vezes cá por dentro
Se correndo corto as metas,
Veloz como o pensamento
*
Nem tudo são linhas rectas
No que toca a sentimento
E às vezes somos cometas
A brilhar no firmamento...
*
Nem sempre seremos lidos
Mas seguimos céu afora:
Mais ou menos conseguidos
*
E pequeninos, embora,
Vimos desde os tempos idos
Até aos tempos de agora...
***
"Até aos tempos de agora..."
Andei meia a dormir
Acordei fora de hora
Nada consegui cumprir.

Assim nesta desgarrada
Com mote do desabafo
Fiquei tão desorientada
Que vou chamar um geógrafo...

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