Desabafo!
Porque quero escrever
Se mais não sei qu'isto?
Alinhar palavras e ver
Se vale a pena o misto.
Não serei nunca poeta
Pois nem sei chorar
Escrevo à dor pateta
Esta raiva de corar.
Desembainho motes
Que me dão alento
Ao ver nas frias fontes
O rosto do momento.
Que esperarás ó tu
Deste trágico viver
Que seja um gabiru
Até ao dia de morrer.
Comentários
Já tinha saudades suas...
Como está nesta manhã,
Depois de uma ou duas luas?
*
Parece mal humorado,
Ou mesmo um pouco abatido
E eu, daqui, deste lado,
Já nem sei bem com quem lido...
*
Diz que quer ser gabiru
Porque não sabe chorar?
Olhe que eu nem com vodu
Deixo as lágrimas rolar!
*
Vamos lá a arrebitar,
Vamos lá sorrir um pouco!
Estar-se-á a lamentar
Deste mundo, que anda louco?
*
Está tudo bem!
Obrigado Beatriz.
Verdadeira resistente.
A tudo até à dor.
A vida será em frente.
Não estou abatido
Quiçá bem nostalgico
Necessito de um sentido
Para ser menos apático.
Estes dias de calor
Sao maus e terríveis
Dias de grande pavor
Receio os perecíveis.
Bora lá nos animar
Mais um ror de quadras
É preciso rir, brincar
Sem aventar as pedras.
Que versejar só faz bem
E venham as gargalhadas
Porque eu quero rir também
*
Essa branda nostalgia
Pode até ser transformada
Numa quadra de alegria
Brincalhona e bem esgalhada
*
Compreendo que o calor
Nos ` teja a deixar suados,
Mas as gotas de suor
Também podem regar prados
Mas gosto de esgalhar
Quadras com assaz ardor
E rimadas sem falhar.
Com poucos anos de idade
Era de quadras autora
Com toda a facilidade
*
Porque era tão pequenina,
Meu avô as registava
Com pena de ponta fina
Em cadernos que guardava
Volto pelas oito e meia
A menos que algum vizinho
Me of`reça jantar e ceia
Beijinhos!
Também não interessa.
Escrevo iludido.
Ser poeta depressa.
A alegre liberdade.
Que lhe saiba a calor
Um sonho sem idade.
Também podes entrar!
Não tive nenhum convite
Pra jantar, ou pr`arremedo
Que me enchesse de apetite
*
Vou é comer a sopinha
Que deixei desde manhã
No armário da cozinha
No qual guardo a hortelã
Também eu não me recordo
Desse momento em que a espera,
Deixa a espera e passa a acordo...
Não terá azedado?
Com este calor e tanto
É um risco observado.
Por aqui pouca coisa
Para manter o peso
Um dia a folha poisa
Eu grito de obeso.
Mas podia ser pior:, rsrsrs
O tacho ficou guardado,
Mas no refrigerador
*
Não acho rima que rime
C`o frigorificozinho
E antes que eu desanime
Vou comer um geladinho
Só falta cada um de nós começar a partir do último verso do outro para ser uma desgarrada a sério
Também cairia bem
Só que "je" coitadinho
Nem disso em casa tem!
Tenho outros docinhos
Outrossim muitos e bons
O Céu em pedacinhos
Em diversas cores e tons.
Tenho telas e mais telas
Pois pra mim até dos sons
Me surgem cor`s muito belas...
Com açúcar... gelatinas
Gosto e muito delas
Bastam doces e finas.
São algumas iguarias:
Com ovos e margarinas
Podem, porém, dar azias
Que eu tomo cuidado
Doces nem aos jantares
Com copos e bons fados.
Passa-se a noite à maneira,
Mas eu, de lábios cerrados,
Não mais serei cantadeira
(é verdade, tenho as cordas vocais estragaditas)
Para tal não tive queda
Mas sempre bem falarei
Desta rima desatada.
E estou eu meia a dormir...
Se a quadra sair quadrada,
Faça o favor de se rir
*
È que ainda publiquei
Um poema remendado
Que de Morfeu afastei
Pra não me sair estragado...
*
Boa noite e bom repouso
Pra quem comigo desgarra:
Isto a alguns não dará gozo,
Mas, pra nós, é uma farra!
Mas levada mui a brincar,
Se possível sem impropério,
Para ser tudo a reinar.
Até porque durante a noite
Andei sentada a dormir
Mais realeza que essa
Não se pode consentir.
Foi uma tosse maldita,
Que me andou a perturbar,
Foi por essa triste desdita
Que aqui não vim desgarrar!
Como hábito atrasada,
Sei que me vão desculpar,
E mesmo um pouco cansada,
Acho que estou a acertar?
Para mais um dia viver
Lento ou fugaz não sei
Só quero o Sol sorver.
O tempo passa rápido
Não há forma de travar
O que conta é sabido
Rir até a alma salvar.
Desgarrar é mesmo bom
Serve de bela farra
De palavras e de som
Anda-se sempre na berra.
A versejar és um ás
Quem me dera o jeito
Sei como responderás.
Cuidado com a tosse
Não é coisa somenos
Muito pior se fosse
Um Covid dos tramados.
Agora vens desgarrar
À nossa forma ou lei
Consegues fazer rimar
A dita lei com... sei!
Sei eu bem o mal que fiz,
Com o lindo Sol levei
Logo acertou no nariz!
E de cabeça perdida,
P'ra aqui fiquei esquecida,
Pois que sou muito bandida,
Fui pela MJ advertida!
"Lá no blog do José d'Xã
Em desgarrada estou
Anda ver nosso afã"...
E a Cotovia voou!
Não perco oportunidade
De ao comprido me espalhar!
Vos fazer rir com vontade,
Sempre comigo a brilhar!!!
Ainda mal acordada,
Que de noite nem dormi,
Vou tentar que a desgarrada
Não se fique por aqui!
*
Nem sempre estarei sorrindo
Mas não me falta a vontade
De, ao verso que for surgindo,
Dar um`alma... e liberdade!
Ó pequena Cotovia...
Eu é que estou a falhar
Que acordei ao meio-dia!
*
Eu com cãibras, tu com tosse,
Quando é que isto irá parar?
Quem dera que tudo fosse
Escrever quadras e brincar
*
Porém, a falta de sono,
Vai deixar-nos mal dispostas,
Com cara de cão sem dono
E com muita dor nas costas, rsrsrs
Sempre a rir connosco
Um vôo que nos seduz
Eu a ler quem nem louco.
De vez em quando
Se é p'ra seguir o louco,
Ou quando, queres lá ver?
Terei de esperar um pouco?
Ás palavras escritas
Umas serão verdade
Outras enfim mal ditas
Tome cuidado João
Com o sono não brinque
Lá diz nosso coração
Qu'a vida é um instante.
Serei eu concerteza
O génio será pouco
De louco uma fineza.
É falar com'ó Rui Veloso,
Eufemismo em dor imposta,
Que vai do pé ao pescoço!
Não sei o que dizer
Este meu lado lunar,
De difícil adormecer
Só me tem feito penar!
De penas estou cansada,
Mais sendo uma Cotovia,
Devia estar animada,
Por estar tão bom dia!
Partilho dessa loucura
Que é uma beleza,
Aproveito enquanto dura!
Aprender a bem rimar
Será uma nobre luta,
De amigos a desgarrar,
Nesta salutar disputa!
É que não desanimei:
Sou pardoca, Cotovia,
E ao Carlos T. falarei
*
Assim que a roupa estender
Porque agora a realidade
Sem me impõe... Vai-me doer
Estar fora de validade
*
E ter de fazer de conta
Qu`inda estou dentro do prazo...
Faço figura de tonta,
Mas, na poesia, arraso!, rsrsrs
Eu também sou um arraso,
Uma letra nos distância,
No caso eu sou um atraso!
Bem o sei, José da Xã,
Mas sendo a cãibra constante
Na noite e não na manhã,
*
É de manhã que adormeço,
Fica-me o dia estragado
Pois só à tarde eu começo
A dar conta do recado
*
Dos remédios por tomar,
Da roupita por estender,
Das quadras por desgarrar
E d` inda estar sem comer
As pernas e a alma
Passei vida a correr
Agora quero calma.
Mas seja noite ou dia
Há uma vil moinha
Que me tira a folia
E me dá uma linha.
Ainda tens de aprender
Que a gente graúda
É pessoal de bom viver
Escrever é bom assim
Uma conversa a tantos
Rimar bem pobre de mim
Que os termos são muitos.
E usados mui a preceito
Umas vezes aos murros,
Outras com mais jeito.
Quanto a mim já fico bem
Se rimar sem ser em ABBA,
Pois me disse alguém
Qué a rima p'ra quadra?
Mas não é para rimar
A musica é um posto
Os versos para cantar
A luta que eu tenho
Para a rima achar
Basta um só desenho
Para as ditas encontrar.
Lembrei-me das outras,
Não me podem faltar
Senão quais, as gotas!
Pra botar no nariz,
E ver se arrebito
Vem aí o chamariz
Dias com solito!
"No caso eu sou um atraso"
Pois só ando alguns passitos
E entro logo no ocaso
Dos ossos, rangendo aflitos
*
Pra coser... ou pra escrever?
Ando a dar voltas à pinha
Sem saber o que escolher...
*
Mas com isso das moinhas
Posso eu bem... Mal dou por elas!
Só dou pelas dores fininhas
Nos pulsos e nas canelas
*
Pra não falar da coluna
Com as vértebras coladas
Que gritam mais que uma tuna
Se se sentem pressionadas
E os ouvidos de incautos
P'los poéticos pirulitos
Mais p'ro brutos, nada doutos!
Mas a vontade é forte,
Nada me vai demover,
Pois é uma enorme sorte
Por assim vos conhecer!
Não paro de desgarrar...
Melhor não podia ser
Prá minha dor mitigar
*
E quando ela for mais forte
Do que a minha Musa errante,
Deito umas rimas à sorte,
Convoco a Musa gigante!
Só se for p'ra ser multada
De uma forma fulminante
Por ser tão atrapalhada!
Até aí me devo enganar
E convocar ajudante,
Que p'ra qui vem cirandar
Armado em mau estudante!
Parabéns aos poetas...
Luísa Faria.
Não vi, nem vejo ninguém,
Mas seria inquietante
Ver quem estude sem ser bem...
*
Sempre estudei com paixão
Aquilo de que gostava...
Ao resto dizia não
Mas no fim lá me safava...
Um abraço
Mais não seja à tangente
Qu'era p'ra isso eu estudava,
Muita recta e concorrente.
Geometria descritiva,
Mais Projecto e desenho,
Nunca andava à deriva
Navegava com empenho!
Um grande beijinho.🐦
Por um qualquer gatilho
Para operar sem medo
Já tenho um sarilho.
Dor nos pés? É a gota
Terrível até, até
Dói-me o sapato, a bota
Onde nem cabe um pé!
Outras dores também há
Mas nem delas eu falo
Vais ao médico, já!
Por isso eu só, me calo!
Qu'isso é vil e chato
Bora por as gotas, já.
Para rimares de facto.
Neste grande espaço
Veio MJ de avião a jacto
E eu trago-te um abraço.
P'ra isso somos amigos
Sem causar embaraço
A enfrentar os perigos
Tão fortes como o aço!
Ó pá toma cuidado.
Um dia ainda passo
Por ti de braço dado!
A amizade é um dom
Que nem todos sabem ver
Nem é preciso ser Dom
Basta saber escrever.
Rimar a bom rimar
É para quem tem jeito
Cá o "je" é só brincar
Aos poetas. Está feito!
No mar do desconhecido,
Montada num velho lenho
De jangada travestido
*
O mar não tinha tamanho,
Mas não havia sentido
A que eu não franzisse o cenho
Por não o ter percorrido...
*
Tudo chamava por mim,
Quase tudo me encantava
Nesse mar que era sem fim
*
E no qual eu navegava
Como quem acha um jardim
Num pedacinho de lava...
Sempre que há convocatória
Pra montar o meu cavalo
E mudar o rumo à História
*
Mas a história é sempre a mesma
E a consulta hospitalar
Faz-me sentir uma lesma
Que nem sequer pode andar
*
Senão dar alguns passitos,
Com a ajuda da bengala...
As mazelas não são mitos
Se vêm em grande escala
Completo
"Num pedacinho de lava"
É como agora me sinto
Desta tosse uma escrava
Na noite logo a pressinto.
Por este verso me rendo,
Nesta paixão me encontro
A bela poesia querendo
Tal como se fosse um astro!
E um desafio à espera
Em Tanka sempre a jeito
É da Paz, é d'outra Era.
Ela vai de braço dado
Bem forte com a amizade
Ditadura p'ra outro lado,
Queremos é Liberdade!
Disso mesmo vou poetar,
Agora lá na Cotovia
Para a noite terminar,
Cheia de grata alegria.
Amizade e poesia,
Há melhor combinação?
Só tráz boa harmonia
E muita animação.
Mais uma semana
Outro dia de briga
Com a minha mana.
Esta chama-se vida
E eu luto com ela
Anda bem entretida
A ver se tombo da janela.
Enganou-se já a dita
Cair não é meu forte
Está longe a maldita
De ver a minha morte.
Bom fim de semana
Não é uma realidade
Longe de nós essa sorte
Diria mesmo maldade.
E apesar de Cotovia
Não sei dess'informação:
Qual foi essa agonia
Esse grande trabolhão?
Assim é preocupante,
Pois caro amigo José
Quem foi essa tratante?
E lhe darei um pontapé!🐦
Vos desejo um feliz dia
E uma bandeira no mastro
Da barca da poesia
*
Por cá estou, neste meu castro,
Sem ter outra companhia
Além da gata e do lastro
Que me oferta a sinfonia
*
Fossem os braços que trago
Capazes de um golpe de asa,
Mas neste tempo aziago
*
Fico quase sempre em casa
Tão parada quanto o lago
Que cá por dentro transvaza...
E tem um chavão
Idade como prenome
Velhice de profissão.
Aguenta digo eu
Nada mais posso dizer
Os dias de Filisteu
Foram no antes que fazer?
Eis a hora de almoço
Seremos mesmo poucos
Antes era alvoroço
Com muitos ao socos.
A vontade de poetar,
Essa é uma certeza
Que não me vai abandonar.
Mais ainda acompanhada
De tão mui nobres poetas,
É alegre caminhada,
Leve vôo de borboletas. 🦋
Saudade dos belos tempos
Desses momentos recíprocos
Ainda sem contratempos.
Eram poucos desabafos,
E muita a agitação,
Como mares super fofos,
Sempre em movimentação!
Sinto às vezes cá por dentro
Se correndo corto as metas,
Veloz como o pensamento
*
Nem tudo são linhas rectas
No que toca a sentimento
E às vezes somos cometas
A brilhar no firmamento...
*
Nem sempre seremos lidos
Mas seguimos céu afora:
Mais ou menos conseguidos
*
E pequeninos, embora,
Vimos desde os tempos idos
Até aos tempos de agora...
***
Andei meia a dormir
Acordei fora de hora
Nada consegui cumprir.
Assim nesta desgarrada
Com mote do desabafo
Fiquei tão desorientada
Que vou chamar um geógrafo...