Não quero fama nem proveito Diz este pobre escriba de versos. Continuar mesmo sem jeito, A esgalhar textos travessos. Ser poeta não é apenas isto, Deixar as palavras fugirem. É qual oleiro, criar um registo Das muitas almas a abrirem. Não serei, nem bom nem mau, Poeta de enormes feitos. Como o tocador de berimbau Que não sabe outros preceitos. Vivi anos a tentar escrever O que ninguém ousara dar luz. Passou o tempo mui a correr Nem percebi qual a minha cruz. Qual amor, qual paixão A varrer-me todo por dentro. Ficou dorido, sim, o coração Por ser só ou apenas o centro.
Comentários
Que São Pedro fecha o ciclo
Destas festas populares,
Do que me foste lembrar!
O que São Pedro não diz
É que esta época é feliz
Vamos então aproveitar
P'ra mui alegres festejar!
Desgarrada a preceito.
Alegria para brindar,
Meias quadras a eito.
Neste dia vai a jeito
Haja vontade nas veias
Para o fazer a preceito
Vão-se as marchas populares
São Pedro acaba com fervor
Fica a devoção e os altares
Decorados com muito amor.
À batalha sem treguas
Escrever assim com ardor
Nem preciso de réguas.
São Pedro me socorra
A vencer esta luta.
Nem que eu bem corra.
Vencerei a disputa.
Sou Cotovia fraquita
P'ra rima desgarrada
Não estou destinada!
Que isso assim não vale.
Escrever é uma festa
Aqui e no Sanguinhal!
Tenho é noção do real
Mas vamos lá a esta festa
Tentar fazer um arraial!
Que se quer folgazão.
Ninguém nos quererá mal
Por brincar de coração.
Podes alinhar nesta desgarrada!
Bora lá?
Teremos de ser audazes
Não vá o Santo azedar,
Ao achar-nos menos capazes!
De vencer esta bravata
Escrever quadras a sós
É nó que se desata.
Da sardinhada e batata
Será que é para assar
Ou com'ós camones, frita?
Que se faz no São Pedro
Pra cumprir a tradição?
Não vá eu cair em erro! [<)]
De por tão mal rimar
Nos portões ser barrada
E no céu não entrar...
Que até a grande paciência
Mesmo no caso de Santo
Tem um limite e ciência
Não aguenta é desencanto!
Foste tu mulher q'em 2023
Escreveste desgarrada
Em rima tão atrapalhada?
Responderei eu mui aflita
Não fui não, foi a Cotovia...
Sabe lá senhor meu santo
O que eu com ela sofria!
Era criatura penada
De voo em voo andava
Era ela tão desalmada
Que a rimar me obrigava!
Chave p'ra abrir a gaiola
P'ra me ver livre da dita?
Poder ficar sossegadita?
Tenho de ir ver o José
Para lhe pedir desculpa,
Não saí nem pelo meu pé
Nem foi minha essa culpa.
Foi dos muitos afazeres
Não me deixam continuar
Com estes escreveres.
Bom S. Pedro vou voar
Outra altura cá regresso
Pode ficar a aguardar
Por agora me despeço,
Boa noite e bom jantar! 🐦
Parabéns.
Que fritas ou cozidas.
Sardinha a acompanhar
Venhas elas coitadas.
Qu'essas coisas são tontas.
O que conta é ter barriga
E as sardinhas prontas.
De muitas chaves na mão
Anda em busca do adro
E quiçá de São João.
Paciência há que ter
para levar esta fé
de versejar e escrever
Nem que seja de pé!
pode entrar. Será bem vindo!
Que agora eu bem li.
Isto vai aqui uma festa
Que eu até já sorri.
Culpar a Cotovia
Será pura maldade
É ave de boa magia
Nem se sabe a idade.
As rimas são marotas
Umas danadas creio.
Aparecem como tortas
Parece um recreio.
Será da liberdade.
Para versejar a ave
Cotovia de verdade.
Um excelente dia
Apenas ouso!