Três quadras a São Pedro!

Ei-lo o derradeiro


São Pedro popular.


Dizem que sorrateiro


Se recusou a falar.


 


De Sintra é orago


A sorte que ele tem.


Queijadas de um trago


melhor só os de Belém.


 


Acabam breve as festas


Que enchem de alegria


O pópulo sem sestas,


Vida e alma rebeldia.


 

Comentários

Muito me contas amigo,
Que São Pedro fecha o ciclo
Destas festas populares,
Do que me foste lembrar!

O que São Pedro não diz
É que esta época é feliz
Vamos então aproveitar
P'ra mui alegres festejar!
José da Xã disse…
Queres uma começar
Desgarrada a preceito.
Alegria para brindar,
Meias quadras a eito.
Pois que seja a meias
Neste dia vai a jeito
Haja vontade nas veias
Para o fazer a preceito

Vão-se as marchas populares
São Pedro acaba com fervor
Fica a devoção e os altares
Decorados com muito amor.
José da Xã disse…
Vamos lá dar luz e cor
À batalha sem treguas
Escrever assim com ardor
Nem preciso de réguas.

São Pedro me socorra
A vencer esta luta.
Nem que eu bem corra.
Vencerei a disputa.

Mas já estou vencida
Sou Cotovia fraquita
P'ra rima desgarrada
Não estou destinada!
José da Xã disse…
Oh não sejas modesta
Que isso assim não vale.
Escrever é uma festa
Aqui e no Sanguinhal!

Não sou nada modesta
Tenho é noção do real
Mas vamos lá a esta festa
Tentar fazer um arraial!
José da Xã disse…
Bora lá ao arraial
Que se quer folgazão.
Ninguém nos quererá mal
Por brincar de coração.

José da Xã disse…
Viva!
Podes alinhar nesta desgarrada!
Bora lá?
Com o São Pedro a olhar
Teremos de ser audazes
Não vá o Santo azedar,
Ao achar-nos menos capazes!
José da Xã disse…
Seremos capazes nós
De vencer esta bravata
Escrever quadras a sós
É nó que se desata.

Olha faz-me lembrar
Da sardinhada e batata
Será que é para assar
Ou com'ós camones, frita?
Pergunto já em aflição
Que se faz no São Pedro
Pra cumprir a tradição?
Não vá eu cair em erro! [<)]
Pois fiquei preocupada
De por tão mal rimar
Nos portões ser barrada
E no céu não entrar...

Que até a grande paciência
Mesmo no caso de Santo
Tem um limite e ciência
Não aguenta é desencanto!
Perguntará em voz irada
Foste tu mulher q'em 2023
Escreveste desgarrada
Em rima tão atrapalhada?

Responderei eu mui aflita
Não fui não, foi a Cotovia...
Sabe lá senhor meu santo
O que eu com ela sofria!

Era criatura penada
De voo em voo andava
Era ela tão desalmada
Que a rimar me obrigava!
Acaso tem aí perdida
Chave p'ra abrir a gaiola
P'ra me ver livre da dita?
Poder ficar sossegadita?

Tenho de ir ver o José
Para lhe pedir desculpa,
Não saí nem pelo meu pé
Nem foi minha essa culpa.

Foi dos muitos afazeres
Não me deixam continuar
Com estes escreveres.
Bom S. Pedro vou voar

Outra altura cá regresso
Pode ficar a aguardar
Por agora me despeço,
Boa noite e bom jantar! 🐦
Bento Soares Dias disse…
Muito boa a desgarrada.
Parabéns.
José da Xã disse…
Batatas melhor assar
Que fritas ou cozidas.
Sardinha a acompanhar
Venhas elas coitadas.

José da Xã disse…
Nem sei minha amiga
Qu'essas coisas são tontas.
O que conta é ter barriga
E as sardinhas prontas.
José da Xã disse…
Tadinho do São Pedro
De muitas chaves na mão
Anda em busca do adro
E quiçá de São João.

Paciência há que ter
para levar esta fé
de versejar e escrever
Nem que seja de pé!
José da Xã disse…
Boa noite,

pode entrar. Será bem vindo!
José da Xã disse…
Grande resposta esta
Que agora eu bem li.
Isto vai aqui uma festa
Que eu até já sorri.

Culpar a Cotovia
Será pura maldade
É ave de boa magia
Nem se sabe a idade.

As rimas são marotas
Umas danadas creio.
Aparecem como tortas
Parece um recreio.
José da Xã disse…
Se Pedro tiver chave
Será da liberdade.
Para versejar a ave
Cotovia de verdade.

Bento Soares Dias disse…
Agradeço o convite, mas prefiro deixar para quem sabe.
Um excelente dia
PJ disse…
Belas linhas e adorável desgarrada com a Cotovia!!!

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