Três quadras a São Pedro!

Ei-lo o derradeiro


São Pedro popular.


Dizem que sorrateiro


Se recusou a falar.


 


De Sintra é orago


A sorte que ele tem.


Queijadas de um trago


melhor só os de Belém.


 


Acabam breve as festas


Que enchem de alegria


O pópulo sem sestas,


Vida e alma rebeldia.


 

Comentários

  1. Muito me contas amigo,
    Que São Pedro fecha o ciclo
    Destas festas populares,
    Do que me foste lembrar!

    O que São Pedro não diz
    É que esta época é feliz
    Vamos então aproveitar
    P'ra mui alegres festejar!

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  2. Queres uma começar
    Desgarrada a preceito.
    Alegria para brindar,
    Meias quadras a eito.

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  3. Pois que seja a meias
    Neste dia vai a jeito
    Haja vontade nas veias
    Para o fazer a preceito

    Vão-se as marchas populares
    São Pedro acaba com fervor
    Fica a devoção e os altares
    Decorados com muito amor.

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  4. Vamos lá dar luz e cor
    À batalha sem treguas
    Escrever assim com ardor
    Nem preciso de réguas.

    São Pedro me socorra
    A vencer esta luta.
    Nem que eu bem corra.
    Vencerei a disputa.

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  5. Mas já estou vencida
    Sou Cotovia fraquita
    P'ra rima desgarrada
    Não estou destinada!

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  6. Oh não sejas modesta
    Que isso assim não vale.
    Escrever é uma festa
    Aqui e no Sanguinhal!

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  7. Não sou nada modesta
    Tenho é noção do real
    Mas vamos lá a esta festa
    Tentar fazer um arraial!

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  8. Bora lá ao arraial
    Que se quer folgazão.
    Ninguém nos quererá mal
    Por brincar de coração.

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  9. Com o São Pedro a olhar
    Teremos de ser audazes
    Não vá o Santo azedar,
    Ao achar-nos menos capazes!

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  10. Seremos capazes nós
    De vencer esta bravata
    Escrever quadras a sós
    É nó que se desata.

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  11. Olha faz-me lembrar
    Da sardinhada e batata
    Será que é para assar
    Ou com'ós camones, frita?

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  12. Pergunto já em aflição
    Que se faz no São Pedro
    Pra cumprir a tradição?
    Não vá eu cair em erro! [<)]

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  13. Pois fiquei preocupada
    De por tão mal rimar
    Nos portões ser barrada
    E no céu não entrar...

    Que até a grande paciência
    Mesmo no caso de Santo
    Tem um limite e ciência
    Não aguenta é desencanto!

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  14. Perguntará em voz irada
    Foste tu mulher q'em 2023
    Escreveste desgarrada
    Em rima tão atrapalhada?

    Responderei eu mui aflita
    Não fui não, foi a Cotovia...
    Sabe lá senhor meu santo
    O que eu com ela sofria!

    Era criatura penada
    De voo em voo andava
    Era ela tão desalmada
    Que a rimar me obrigava!

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  15. Acaso tem aí perdida
    Chave p'ra abrir a gaiola
    P'ra me ver livre da dita?
    Poder ficar sossegadita?

    Tenho de ir ver o José
    Para lhe pedir desculpa,
    Não saí nem pelo meu pé
    Nem foi minha essa culpa.

    Foi dos muitos afazeres
    Não me deixam continuar
    Com estes escreveres.
    Bom S. Pedro vou voar

    Outra altura cá regresso
    Pode ficar a aguardar
    Por agora me despeço,
    Boa noite e bom jantar! 🐦

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  16. Muito boa a desgarrada.
    Parabéns.

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  17. Batatas melhor assar
    Que fritas ou cozidas.
    Sardinha a acompanhar
    Venhas elas coitadas.

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  18. Nem sei minha amiga
    Qu'essas coisas são tontas.
    O que conta é ter barriga
    E as sardinhas prontas.

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  19. Tadinho do São Pedro
    De muitas chaves na mão
    Anda em busca do adro
    E quiçá de São João.

    Paciência há que ter
    para levar esta fé
    de versejar e escrever
    Nem que seja de pé!

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  20. Grande resposta esta
    Que agora eu bem li.
    Isto vai aqui uma festa
    Que eu até já sorri.

    Culpar a Cotovia
    Será pura maldade
    É ave de boa magia
    Nem se sabe a idade.

    As rimas são marotas
    Umas danadas creio.
    Aparecem como tortas
    Parece um recreio.

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  21. Se Pedro tiver chave
    Será da liberdade.
    Para versejar a ave
    Cotovia de verdade.

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  22. Agradeço o convite, mas prefiro deixar para quem sabe.
    Um excelente dia

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  23. Belas linhas e adorável desgarrada com a Cotovia!!!

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