Três quadras a São João!

Agora vem o amigo S. João


Santo bom sem manjericos


Talvez no mercado Bolhão


Haja aquele Abade Priscos.


 


Santo da invicta cidade 


Dos martelos até à Ribeira


Festa para qualquer idade


O que se quer é assadeira.


 


Na velha cidade de Almada


Também São João quer festa


Uns copitos uma sardinhada


Ui não batas aí com a testa.

Comentários

Olá amigo, aqui vai

Em resposta ao amigo digo
Há festa animada em Almada
Ou na Invicta a ser celebrada
Bela sardinhada, e mai nada. ;)

Que a fogueira e soltar o balão
Em noite encantada de São João
Tragam a alegria e felicidade
Nesta partilha de leal amizade!

No São João, amizade é de ouro,
Fogueira acesa, riso a estalar
É para brincar e bailar sem parar
Que a amizade é um tesouro!

E mai nada! 🐦
Viva o bom do São João:
Se há festa por todo o lado,
Cumpra-se hoje a tradição
De um São João desgarrado
*

Desgarrado mas com garra,
Que festa quer-se animada:
São João que não desgarra
Não é festa, não é nada!
José da Xã disse…
Desgarrar não é para todos
Muito menos para este pobre
Escrever quadras a rodos,
Será causa bela e mui nobre.

José da Xã disse…
Com a "bubadeura" é necessário ter cuidado com tudo.

Bom São João!
José da Xã disse…
Ja escrevi que desgarrar
Pode ser causa ou coisa.
Não sei se tal irei alcançar
Nem sei se a dita poisa.

Escrever ao bom São João
Não é de somenos valor.
Pois falar com o coração,
É cantar com mais ardor.


Tivesse eu um alho porro
E a festa redobraria
Que eu da pancada não morro,
Nem a nossa Cotovia
*
Gritaria por socorro
Quando visse o que eu trazia
Por debaixo do meu gorro
Pr`animar a romaria


"É cantar com mais ardor"
Porque hoje é dia de festa:
Tem São João mais valor
Quando uma quadra lhe empresta
*
Versos de belo teor,
Como essa ou como esta
Que bailam em derredor
De quem quer dormir a sesta...
De alho-porro não percebo nada
Mas na festa, sou vossa companhia.
Com felicidade e imensa alegria!
A brincadeira é muito bem-vinda.
Desgarrar é um dom que encanta,
Quadras soltas, ricas em saber.
Bem escreves, tua arte m'espanta,
Será a Cotovia que te vai responder.
Peço desculpa, atrasei-me
Porque à senhora do banho
Não quem com ela teime:
Seu trabalho é o meu ganho
*
E cheirando a sabonete,
Cá estou eu, toda lampeira,
Limpinha como compete
À boa São Joaneira!
Ai, no terceiro verso da primeira quadra é "Não há quem com ela teime"
Na Cotovia não há São João
O feriado é a quatro de Maio
Jesus das Chagas e procissão
Será este desorientado desafio.
Não precisas desculpa amiga,
És São Joaneira por direito,
O banho é importante, não nego,
Mas levas as quadras com jeito.

Num instante as escreves
Até parece fácil e a brincar
Não perdes tempo e segues
P'ra esta festa abrilhantar. 🐦
José da Xã disse…
Responde bem a Cotovia
Sempre com um sorriso
Há muito que eu não via
Tanta quadra com siso.



Para a festa abrilhantar
Trago uma banda à maneira
Que mui bem sabe tocar
Diante de uma fogueira
*
Peço desculpa outra vez:
O Manuel Rui tel`fonou,
E eu não quis ser descortês,
Porque descortês não sou!

José da Xã disse…
Aqui festa também não
Só em Setembro dia onze.
Mas haverá sempre S.João
No dia dez mais catorze.


José da Xã disse…
Dormir uma bela sesta
Não é coisa mui minha
Prefiro uma boa festa
E nunca ir à caminha.

Estes versos ora tecidos
São desafios bem valentes.
Uns pensamentos urdidos,
Escritos por mãos competentes.


"Escritos por mãos competentes"
Para andar à desgarrada
Nas chamas tremeluzentes
Duma fogueira ateada
*
Pela alegria das gentes
Que até alta madrugada
Vão festejar c`os parentes
Esta festa abençoada
Isto é um caso bicudo,
A Cotovia quer participar
A Mafalda tem de trabalhar
Decerto fico para estudo.

Ainda me põem num balão
Que lançam logo à noite
Cotovia e Mafalda em aflição
Sem norte pelos ares vão,

É melhor portar-me bem
Ser muito ajuizada neste dia
Escrever quadra como convém
P'ro santo não ter um'arrelia...
🐦
Entre trabalho e desgarrada,
Quadras e ser levada em balão,
Divirto-me a valer, mas pela calada,
Pois o meu patrão não é São João.
José da Xã disse…
Abençoada ou talvez não,
O que o povo quer é festa.
Nesta véspera de S. João.
Haver folia é o que lhe resta.

Fui menino de muito brincar
Às belas festas populares.
Hoje quero mais é repousar,
Riscando uns versos seculares.

Meu patrão também não é,
Mas se o nome partilhamos
Posso ser parente até
Por parte de algum dos ramos
*
Dessa tal arvorezinha
Que define os parentescos:
Seja rica ou pobrezinha
Dá-nos sempre frutos frescos


José da Xã disse…
Enquanto por aí roda a dúvida
Aqui há uma enorme certeza.
A miúda está cheia de vida.
Uma imensa força da Natureza.

São assim os meus dias
Repletos como um ovo.
Hoje sao compras, avias
Amanhã um desejo novo.

Falta pouco para as férias
Daquelas boas a matar.
Não são petas nem lérias
Apenas desejos para passar!

José da Xã disse…
*a ultima palavra leia-se...passear.[>;P]
Os meus nasceram-me agora,
Não terão mais que uns instantes,:
Mais minha mão não demora
A criar versos errantes
*
Eu só quando era criança
Fui aos santos populares:
A escrita é melhor que a dança
E estas quadras são cantares


José da Xã disse…
As quadras são cantares
Bem cantadas e escritas.
São colhidas nos olhares,
Dos poetas e dos escribas.

Ai quem me dera assim
Tão bem cantar e versejar.
Sou pobre de letras, enfim
Mais não sei que mal imitar.

Não tem de imitar ninguém,
Só terá de distinguir
Se soa ou não soa bem
Aquilo que quer exprimir
*

Sete sílabas apenas,
Tem a quadra popular:
Todas devem ser pequenas
Maravilhas de encantar
José da Xã disse…
Nunca fui bom a contar
A escrever também não.
Quem me manda versejar
Em noite de São João.

Vai esta desgarrada
Bem lançada ja se vê!
Mas onde irá a danada
Ou será que alguém lê.

Leio-a eu de certeza
E o José também a lê...
Perdoe-me esta franqueza,
Mas s`tava à espera de quê?
*
Anda tudo na folia,
Nas noites de São João...
Só nós e a Cotovia
É que, pelo visto, não!




José da Xã disse…
Três é aquela conta
Das velhas como sabe.
Hoje a malta tonta
Nem sabe o que bebe.

Cotovia é uma ave
Ui sabe bem versejar
A si não há quem trave.
Eu apenas sei solfejar.

Só lhe falta é o solfejo
Que é a distinção dos sons:
Se o aprender, inda o vejo
A escrever versos dos bons!
*
Sabe bem quem é, pra mim,
A pequena Cotovia
Que vive no seu jardim
Dia e noite, noite e dia
Lá escapei ilesa deste dia
Hoje não fui despedida
O qu'era coisa muito séria
Nem São João me valia...
Dias cheios de certeza e alegria,
Vida a correr, cheia de energia.
Que as férias serão d'euforia,
Isso é uma certeza da Cotovia.
Eu e tu e o José
Somos mesmo uns desgraçados:
Anda tudo a dar ao pé
E, nós três, aqui sentados
*
Eu, com alguma soneira,
Escrevo uns versos desastrados,
Mas não será porque queira,
É por estar de olhos fechados

Mas mesmo perdida de sono
Não perdes o jeito nem o riso
Pois só agora me questiono
Das sete sílabas como bitola

Só por isso devia esta Cotovia
Levar com o martelito na tola
Em vez de estar a rir de alegria
Meter no saco a viola...
Comigo, talvez levasses
C`um pezinho de alho porro, rsrsrs
Talvez então te lembrasses
Que eu sei que se paro morro
*
O que não significa
Que não esteja a dormitar:
Se Morfeu não te critica,
Por que te hei-de eu criticar?
Lá voltamos ao alho porro
Que seria bem merecido
Nem se gritasse por socorro
Mudava este tonto sucedido

Na pressa da desgarrada
Quem consegue contar
Senão Poetisa consagrada
Sem nunca se atrapalhar

Suspeito que teve ajuda
Da Musa e de São João
E eu de mim gargalhada
Qu'até já choro d'emoção.
José da Xã disse…
Todos sabemos senhora
Quem é a santa Cotovia.
Por um verso penhora,
Ate a tal de Companhia.

Mal me consigo ouvir
Tal foi a força da surdez.
Se solfejo vou abrir.
A porta da gaiola de vez.

José da Xã disse…
Certezas tenho só duas
Mais também não preciso.
São João anda nas ruas
Qu'a malta anda sem juizo.

Juízo nenhum mesmo,
Que só percebi já tarde
Foram as quadras a esmo
Com métrica d'otra parte.
José da Xã disse…
Muitas quadras mesmo
Que gostei de versejar
Contigo e a Maria a esmo.
Foram sempre a aviar.
Eu nada tenho de "con"
E também não sou "sagrada"...
A quadra é brinquedo bom
Mas eu não presto pra nada, rsrsrsrs
Surdo também foi Beethoven
E compôs mil maravilhas!
Quando os surdos fazem que ouvem,
Ouvem até a gravilha
*
A cantar sob os seus pés!
Abra essa sua gaiola
E esqueça a sua surdez,
Que esta música é da "tola"
José da Xã disse…
Antes da tola que mola
Esta ode celestial.
Nem todos vão à bola
Com desgarrada bestial.

Jamais tal me aconteceu
Desgarrar ontem assim
Uma causa que bem correu,
Mas ainda não se viu o fim.
Não se viu ainda o fim
Porque é hoje o São João
E há um cheirinho a alecrim
Que nos enche de emoção
*
Logo à noite, já cansados,
Iremos então dormir
Que, por agora, acordados,
Qu`remos cantar e sorrir
José da Xã disse…
Qu`remos cantar e sorrir
E escreve muito bem.
Mais vale brincar e rir
Que pensar no além.

Hoje de neta às voltas
Com praia à mistura.
É dia de quadras soltas,
Quero estar à altura.

Há um tempo pra sorrir
E outro pra se pensar
E eu nem consigo dormir
Se um dos tempos renegar
```
Raio do meu asterisco!
Acabou de entrar em greve
E eu insisto, insisto, insisto,
Mas vou desistir em breve!

José da Xã disse…
Nada de desistir,
Que hoje é sábado.
Amanhã terei de ir
Em busca noutro lado.

Sorrir já não desejo
Apenas quero viver
Um dia, cada ensejo
Mas longe hoje morrer!


Quem parece ter morrido
Foi o asterisco, amigo!
Não funciona, está perdido
Nalguma zona de p`rigo...
___

O asterisco é a estrelinha
Que eu uso pra separar
Uma linha de outra linha
E agora não posso usar
José da Xã disse…
Procura-se asterisco,
Daqueles que se eclipsam.
Dar alvíssaras é um risco,
Mais vale que apareçam.

Há que reformar o dito
Com ou sem asterico
Regressa a mão ao escrito
Antes que lhe dê um fanico.

Um asterisco invisível
Não me serve para nada;
Estou pr`aqui sem combustível
De estar tão acalorada

&&&

Muito pode o improviso
E a quem saiba improvisar
Reconheço o muito sizo
E a contenção que bastar
José da Xã disse…
Para quê tal sinal
Que fugiu o danado.
Vamos jáao arraial
Saber se 'tá demorado.

Somos lusos espertos
Logo se cria solução.
Usamos outros apertos
Não fosse dia São João!


O São João já passou
E eu fiquei sem asterisco...
Se calhar tanto saltou
Que um peixe o tomou por isco
*
Ah! Mas agora voltou!
Não percebo nada disto,
Será que a tecla encravou
Nalgum momento malquisto?
José da Xã disse…
Se calhar regressou
Após noites de folia
Nunca ele calculou
A falta que faria.

Malandros são eles
Logo prontos a fugir
Vai gente saber deles
Estarão sempre a rir.

Asterisco é instrumento
A que dou grande valor,
Quando falha é um tormento
Tão mau quanto este calor
*
Que estou meio derretida
E quiçá desidratada:
Caloraça desmedida
Faz-me ficar desmusada
José da Xã disse…
Bem pior eu estarei
Vou ora para a estrada.
Num braseiro ficarei
E não digo mais nada.

Apanhar filas imensas
Quero ter uma só asa.
São horas e despesas,
Para chegar a casa.

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