Três quadras ao Santo António!

Ó meu bom santo lisboeta


António de teu rico nome


Avia-me aí uma lambreta*


Antes que morra à fome.


 


Brincamos hoje quase todos


Aos bons santos populares


Sob uns resistentes toldos


Há que dar aos molares.


 


Todos os anos tem sido uso


Escrever parvoíce a preceito


Quiçá algo em mor desuso,


Não quero saber. Está feito.


 


* lambreta - cerveja em copo pequeno

Comentários

imsilva disse…
Aos santos tenho por costume versar
Os clientes passaram a gostar
Este ano não estou para inventar
Eles que me possam perdoar
José da Xã disse…
Estás certamente perdoada
já que tão bem versejas
Escala aí uma boa dourada
Um canteril ou algumas vejas!
Olá bom dia amigo José,
Com o mau tempo que está
Brincar nos Santos é um Oxalá,
Vamos é à chuva bater o pé!
José da Xã disse…
À bela da natureza
Para quê bater o pé
A dúvida é ora certeza
Que chova até, até!
Leite Pereira disse…
Não sou santo nem santeiro
Não sou rico nem pobre
O rico tem muito dinheiro
O pobre nada que sobre

Se há uns santos populares
Porque é que os outros não são?
Por serem menos regulares
Nos milagres e no perdão?

Há gente que acredita
Em santos e santidades
Só que ninguém explica
Isento de ambiguidades

Tenho amigos que são Santos
Outros Alves e Oliveira
Não sei bem por que encantos
Também sou Leite Pereira



Está feito e está com mestria
Dedicado a Santo António
E eu em música a poria,
Tão só tivesse um harmónio

Um abraço, José!
É bater o pé p'ra dançar
Ora m'essa, queremos festa
Faça sol ou chuva estamos nessa,
E os Santos vamos festejar!
As rimas em ABBA, não são os suecos,
Que não são para aqui chamados.
É influência dos queridos Sonetos,
Q' assim se mostram endiabrados.
José da Xã disse…
Maria com imensa gratidão
Escrevo esta pobre quadra.
Sinto-a bem no meu coração,
Que não é de pó nem pedra!
Não será de pó nem pedra
Coração que quadra escreva
E, em mim, a quadra medra
Como no chão medra a esteva!

Abraço, José!
José da Xã disse…
Nem ouses comigo falar
De danças e outras vidas
Sempre fui de muito bailar
Mesmo com comprometidas.
José da Xã disse…
Medra a esteva e o mangerico,
A boa prosa e a bela poesia
Quem escreve será sempre rico
Pois está infectado de alegria.
Infectada de alegria
Inda que toda dorida,
Respondo a quem desafia
Que amo a quadra e que amo a vida
José da Xã disse…
Amar a vida é coisa boa
Nem todos a sabem amar.
Eu vivo a vida sempre à toa,
Não há nada que enganar.
Não há nada que enganar
Entre casa e hospital
Passo a vida a cirandar...
Nem assim lhe quero mal
José da Xã disse…
Para quê querermos mal,
Tem destas coisas a vida.
Um dia triste outro normal
Tal qual criança crescida.
Tal qual criança crescida
Com as quadras vou brincando
E enquanto em mim houver vida
Hei-de vivê-la cantando
José da Xã disse…
Eu não canto nem trovo
Já que sou fraco escriba.
Serei mais um estorvo,
Que nem com chuva arriba.



Que nem com a chuva arriba,
Vai dizendo o meu amigo
Que me diz ser fraco escriba:
Se chove eu procuro abrigo
Olha que isso é um perigo
Uma aventura sem esperança!
Quem to diz é teu amigo,
É melhor ficares pela dança!
José da Xã disse…
Foi ousadia mui antiga
Qu'hoje sou comedido
Já não bailo com amiga
Nem que seja a pedido.
José da Xã disse…
Com ou sem bom abrigo
vou desfiando estas letras
Serão cantigas de amigo
Ou ditos de palestras.
Sem saber se são palestras,
Se são cantigas de amigo,
São as quadras grandes mestras
E eu desgarro bem consigo
José da Xã disse…
Jamais desgarrei assim
Com tanto empenho e calor
É uma alegria para mim,
Esgalhar com tamanho valor.
Não tenho valor algum,
Estou até sem um vintém,
Mas desgarrar é comum
Pra mim, que não sou ninguém
José da Xã disse…
Afirma não ser Ninguém
Mas este foi de Sousa
Um verdadeiro vai-vém
Nesta tarde nebulosa.


Nesta tarde nebulosa,
Se de mim estiver cansado,
Em vez de dar-me uma rosa
Mande-me ir pra outro lado
José da Xã disse…
Nem perto nem de longe
me cansaria de desgarrar
Preferiria ser um monge
A ter que a abandonar.


Estou bem perto de monja
Porque vivo em reclusão,
Mas nisso passo uma esponja
Quando canto uma canção
Enganei-me com a pressa, quebrei a melodia!

Estou bem perto de ser monja
Porque vivo em reclusão,
Mas nisso passo uma esponja
Quando canto uma canção
Bem fazes, melhor assim.
É fazer uma bela sardinhada,
P'ra nos Santos teres um festim
Mais a boa da batata assada!
José da Xã disse…
Cantar uma canção
Eu jamais ousaria
Tenho voz de trovão
Seria apenas gritaria.

Também eu perdi a voz
Que, em tempos, foi bem bonita
E que agora é mais atroz
Que a do José, quando grita
José da Xã disse…
Imagino a Maria João a cantar
Deliciando uma verde horta.
Eu até a falar só sei gritar.
pois sou surdo qual porta.

Anónimo disse…
Boa noite José!!
Eu fiquei sem palavras.

Parabéns aos POETAS. 🌷🌼🌹🌷
Um excelente trabalho.

Luísa Faria.
Tenho ouvido de primeira
Mas a voz... coitada dela,
Rachava a cântara inteira
Se eu fosse à fonte com ela!
José da Xã disse…
Olá Luísa,

Mas isto ainda não acabou!
Bom feriado.
Já leste o livro?
Anónimo disse…
Então divirtam-se. .SENHORES POETAS. Estou a adorar.

Eu ainda não li o livro, mas já tinha lido os desafios no teu blogue.
Bom feriado
Luísa Faria
José da Xã disse…
Já não há água nem fonte
Por isso nada quebraria.
Que tal subir a um monte
E de lá muito bem cantaria.
Ó José, nós dois berrando
Quais bezerros desmamados
E o monte desabando
Pra fugir aos nossos brados?



José da Xã disse…
Não creio em tal demanda
somos ambos gente pacata
No monte só este manda
Escutai! no sopé há serenata!


Se houver uma serenata
Vou ouvi-la com certeza
E se a ceia for barata
Posso até sentar-me à mesa

Vou amanhã que hoje é tarde
E o velho João Pestana
Pé ante pé, sem alarde,
Já me mandou ir prá cama
José da Xã disse…
Que a noite seja repousante,
Amanhã será um novo dia.
Só espero que não se levante.
Para escrever mais uma poesia.

Prometo deixá-lo em paz!
Até depois, meu amigo,
Que se mostrou bem capaz
De escrever quadras comigo!
E neste Santo desafio,
Entre o Gato Franjola
E a Cotovia Piu-Piu,
Foi o gatinho q' fugiu...
Bento Soares Dias disse…
Muito bom, José.
Abraço
José da Xã disse…
Sardinhas é comigo
Às duzias faxavor
Com bom tinto amigo
Ainda sabem melhor!
José da Xã disse…
Não sei quem é o Gato
Mas conheço a Cotovia.
Ele andou sempre de fato,
Ela escreve bonita poesia.

A Cotovia voou p'ro Alvor
O tempo devia ser ameno
Mas nada aqui está de calor
Que mais parece inverno!

Chamou o Urso Pardo
Que não quer bailarico
Apenas ficar hibernando
Armado em mafarrico!

Estes Santos populares
Vieram c'o vento da Madeira
Anda tudo pelos ares
É preocupação verdadeira.

Q'até ao 13 d'Santo António
Fique bom p'ra festarola
Que afaste este demónio,
E com grande pintarola!

Pois então elas que venham
Q'as tristezas não pagam dívidas,
Ainda mais as aumentam,
Se estamos c'as barrigas vazias!
José da Xã disse…
Peço desculpa pela ausência
Assim obrigam outros trabalhos
Peço a magnânima clemência
Antes que me meta em sarilhos.

Limpar casas não é o meu forte
Mas alguém tem de o fazer
Desejo a outros melhor sorte,
O que é que hei-de dizer.
José da Xã disse…
Obrigado.
Mas o mérito vai todo para a Maria João...
José da Xã disse…
Leite Pereira é bom amigo
Daqueles que não se olvida.
Não sei se ainda consigo
Dar conta desta partida.

Alves, Mendonça e Oliveira
Conheci diversos e de sobra
Antunes, Lopes e Figueira
Muitas mãos para uma obra.

Deixe-me dizer com fervor
Quem bem escreve assim
Nao deve ter qualquer temor
Em bem responder a mim.
Boa sorte, boas limpezas e que contemple algum descanso, bom resto de dia de feriado de Corpo de Deus, bom fim-de-semana prolongado, José!
Beijinhos 🐦
José da Xã disse…
Pois é... a vida não é fácil!
Agora sem empregada
É necessário espírito táctil
Para não ganhar nada!

Continuação de bom fim de semana!
Ora essa? Para mim? Fomos três a desgarrar, estamos os três em pé de igualdade

O que eu gosto é de companhia, que desgarrar comigo mesma é uma grande chatice

Além do mais eu desisti que o João Pestana já andava de roda de mim, ehehehe...

Amanhã estarei no hospital durante uma boa parte do dia, mas se lhe apetecer desgarrar um pouco mais durante o fim-de-semana, conte comigo, a menos que eu esteja em coroa com algum dos meus amigos sonetistas...

Um abraço e obrigada por me ter dado este gostinho a desgarrada
José da Xã disse…
Como já disse noutro local eu é que agradeço.
Uma noite descansada e as melhoras!
Leite Pereira disse…
José da Xã é pseudónimo
E Luís é o seu prenome
Ou será antes heterónimo
Mas Santiago é sobrenome

Eu também sou leão
Segundo a astrologia
Somos os dois com razão
Avessos à hipocrisia
muito espírito táctil!! obrigada José, bom fim-de-semana! 🐦
Leite Pereira disse…
Reparei agora, meu amigo
Que leão não o é signo
Li algures num artigo
Que o Sporting foi seu desígnio?

Abraço
José da Xã disse…
Bem verdade, verdadinha
Que Leão é meu comparsa.
É uma boa mania minha.
Sem direito a choro ou farsa
José da Xã disse…
José da Xã é meu nome
nestas coisas de escrita
Preferiria outro prenome
Mas este não faz mais fita.
José da Xã disse…
'Inda aguardo as sardinhas
Que são da cor da prata
Só não quero tainhas,.
Que vêm com uma lata.
Beatriz Costa disse…
Muito bem!!!
Lambreta - cerveja em copo pequeno... esta é que eu não sabia..

Olá José!
Talvez amanhã pelo 13 de Santo António o padroeiro da nossa Lisboa esse aguardar termine numa bela sardinha!
Boa semana, beijinhos!🐦
José da Xã disse…
Ó pá estou em depressão alimentar!
Não posso comer... Agora é por uma palhinha (quase!!!).
Colocaram-me hoje um implante.
Óh não fazia ideia. Que grande chatice, mas sendo necessária, há que fazer a intervenção.
Que tenhas rápidas melhoras!
Boa recuperação, segue à risca as indicações médicas sff!
Beijinhos, José!

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