Três quadras ao 10 de Junho!

Hoje é dia dez de Junho


Dia do nosso Portugal


Onde estará o cunho


Que criou este quintal


 


Dia de Luis de Camões


O nosso maior poeta


Um ladrão de corações


Pior que um bom atleta.


 


Dia das Comunidades


Daquém e além mar


Em todas as cidades,


Há um lusitano a rimar.

Comentários

  1. No dia do nosso vate
    Falhei vergonhosamente!
    Lamento esse meu dislate,
    Mas... enfim, estive doente:..

    Mª João

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  2. Não se rale, eu também não
    Qu'estas coisas de poesia,
    Bem sentidas no coração
    São momentos de alegria.

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  3. São momentos de alegria
    Que ninguém nos roubará
    Pois nem mesmo a carestia
    Leva o que a quadra nos dá

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  4. O que esta quadra nos dá
    nem pouco nem suficiente.
    Mal encheria uma só pá
    Alfaia de muita boa gente.

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  5. Alfaia de muita gente,
    Por pequenina que seja,
    Ninguém lhe fica indif`rente,
    Mui boa gente a corteja!

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  6. De cortejar percebo eu
    pois sempre tal gostei
    Mas nunca disse ser meu
    O amor qu'as damas dei.

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  7. O amor qu`as damas dei?
    Ó José, mulher sou eu...
    Dessas damas nada sei
    E, de amor, só sei do meu

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  8. Amores bem antigos
    que hoje já não ouso.
    Amores e bons amigos
    São coisas em desuso.

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  9. Quantas coisas em desuso,
    Daquelas que não esquecemos,
    Podem soar como abuso
    Quando abusar não quisemos?

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  10. Abusar eu não quero,
    Da sua santa paciência.
    Antes morrer eu prefiro,
    Do abuso só distância.

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  11. Da minha santa paciência
    Não abusa porque a quadra
    Com a sua coerência
    Tem tudo o que mais me agrada!

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  12. Ainda bem que lhe agrada
    Esgalhar assim a correr
    Quase parece desgarrada
    Estar sempre a escrever.

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  13. É desgarrada e da boa,
    Que eu gosto da desgarrada
    Que nasce tal qual nos soa
    E esta soa bem esgalhada!

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  14. Que bela quadra esta
    Acabadinha ora de ler.
    É necessário ter testa,
    Para assim bem escrever.

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  15. A esta, inda a vou escrever,
    Mas não tarda mesmo nada
    Pararei par`ir beber
    Um pingado na esplanada

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  16. Que lhe saiba divinalmente,
    Esse pingado a preceito.
    Eu beberia de boamente,
    Um café muito bem feito.

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  17. Um café muito bem feito
    Também o vendem por lá:
    Bem tiradinho, a preceito
    Melhor do qu`este não há!

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  18. Terá certamente de me dizer
    Onde beberei tal bebida boa
    Gosto de café que hei-de fazer.
    Quiçá procurar numa loja à toa.

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  19. É aqui, em Nova Oeiras,
    Que eu tomo o café pingado
    No Passeio das Palmeiras,
    De palmeiras despojado...

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  20. Que raio de mania essa
    De cortar arvores a eito.
    Tirar sombra depressa,
    Não tem qualquer jeito.

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  21. Não foi corte, foi a praga
    Do escaravelho bicudo
    Que reduziu tudo a nada
    Porque comeu tudo, tudo!

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  22. São terríveis as pragas
    Sei bem aquilo que digo.
    Vêm em grandes vagas
    São na verdade um perigo.

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  23. Foi um dó vê-las murchar,
    Só eu sei quanto sofri
    Depois, ao vê-las tombar
    Apodrecidas, que eu vi !

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  24. É triste ver assim morrer,
    Uma arvore com certeza.
    Nem sei que mais dizer,
    É a grã força da Natureza.

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  25. A natureza é mais crua
    Do que aquilo que pensamos
    Quando, às vezes, nos acua
    E provoca grandes danos ...

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  26. E depois há aqueles outros,
    Que apenas sabem destruir.
    Não são gente só monstros,
    Que nem merecem existir.




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  27. Ele há monstros, na verdade,
    Mas não são a maioria
    Pois se o fossem... Piedade!
    Que humano inda existiria?

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  28. Está prestes a principiar
    A época dos tristes fogos
    Nem se hei-de ousar piar.
    Ou entrar noutros diálogos.

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  29. Não o posso aconselhar
    Nem tenho grandes certezas
    Sobre o que há-de, ou não, piar
    Sobre tão grandes tristezas...

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  30. Tenho feito a minha parte
    Em pedaços que são meus
    É necessário engenho e arte,
    Para evitar estes fariseus.

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  31. De terra, só pedacinhos
    Tenho em vasos nas marquises...
    Vôo como os passarinhos
    Mas, no chão, tenho raízes

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  32. Raízes todos temos é certo
    Seja aqui, ali, acolá ou além.
    Não gostaria de ver deserto
    Um naco de terra sem vintém.

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  33. Sim, também terá raízes,
    Mas tem, por certo, um jardim...
    Eu estou entre os infelizes,
    Não sobrou nenhum pra mim! .

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  34. Tenho mesmo um jardim
    Com rosas de encantar.
    Dá-me trabalho. Ai de mim,
    Para as rosas eu cheirar.

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  35. Rosas não tenho... sou cravo
    De Abril de setenta e quatro:
    Sou pobre, não tenho um chavo
    Pra gastar ao desbarato!

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  36. Diz o provérbio chinês
    Que um rei e um peão
    Num jogo de xadrês,
    Para a mesma caixa vão!

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  37. Para a mesma caixa vão
    Se o jogo for dos reais
    Estes meus sem caixa estão
    Que eu caixas não quero mais!

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  38. De caixas não posso falar
    Pois muitas as minhas são.
    Após muito e bem regatear
    Comprei umas por um tostão.

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  39. José, desculpe-me por não me ter despedido ontem à noite, mas tive uma visita tardia e acabei por me esquecer das quadras.
    Hoje não estou muito bem e amanhã terei mais exames no hospital, mas penso que noutro dia poderemos voltar às quadras, se isso lhe aprouver, claro.

    Um abraço

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  40. Boa noite,

    desculpe só responder agora mas tive um dia bem ocupado. Enfim o costume....
    Quanto à desgarrada como queira. Eu irei escrever umas quadras para o São João. Mas provavelmente só para a semana.
    Só desejo as suas rápidas melhoras...
    Descanse!

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  41. Sou eu quem lhe pede desculpa agora, José. Estive no hospital, em exames, durante a manhã e cheguei muito cansada, dormi toda a tarde mas nem por isso me sinto grande coisa.
    Obrigada e um abraço!

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  42. Vá... as melhoras que dia 23 ainda vem longe e até lá espero que recupere.
    Agradeço a sua simpatia e generosidade já que nas desgarradas sinto que não sou suficientemente competente na coisa.
    As quadras escrevo-as mais por instinto que pensadas...

    Uma noite descansada e não se incomode comigo. Voto de sinceras melhoras!

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  43. Obrigada pelos votos de melhoras, José!

    Não é no dia 23 é no dia 26, embora ainda tenha de fazer mais exames e ir a uma consulta antes desse dia.

    Tem razão quanto às quadras, embora ainda não tenha conseguido interiorizar a cadência das sete sílabas exactas, já se vai aproximando muito da verdadeira quadra popular em redondilha maior. :)

    Abraço|

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  44. Maria João,

    Adaptando um velho adágio popular diria: se penso não escrevo, se escrevo não penso!
    Desculpe esta brincadeira.

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  45. Tem piada, sem dúvida, José, mas na realidade, o que se passa é exactamente o contrário... Eu tenho agora algumas dificuldades porque já não consigo escrever à velocidade do pensamento, mas foi a essa exacta velocidade que nasceram os meus melhores sonetos.

    Mas não precisa de pensar muito para coisas tão simples quanto as quadras; basta "apanhar-lhes" o ritmo - ou cadência - e vai ver que não falha uma única nota, ou sílaba. Aliás, muitos dos seus versos já estavam perfeitos, que eu estive sempre muito atenta a isso :)

    Abraço!

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  46. Imagino que sim...
    Mas convém eu assumir as minhas evidentes fragilidades poéticas!
    Quanto ao dia 23... referi-o apenas porque está agendado para esse dia a publicação de três quadras a São João!
    Nada mais.
    Espero e desejo sinceramente as suas rápidas melhoras.
    Bom fim de semana!

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  47. Bom dia, José!

    Vai ver que com o tempo e a prática as suas fragilidades se transformam em força e harmonia

    Abraço!

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