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A mostrar mensagens de junho, 2023

Três quadras a São Pedro!

Ei-lo o derradeiro São Pedro popular. Dizem que sorrateiro Se recusou a falar.   De Sintra é orago A sorte que ele tem. Queijadas de um trago melhor só os de Belém.   Acabam breve as festas Que enchem de alegria O pópulo sem sestas, Vida e alma rebeldia.  

Três quadras a São João!

Agora vem o amigo S. João Santo bom sem manjericos Talvez no mercado Bolhão Haja aquele Abade Priscos.   Santo da invicta cidade  Dos martelos até à Ribeira Festa para qualquer idade O que se quer é assadeira.   Na velha cidade de Almada Também São João quer festa Uns copitos uma sardinhada Ui não batas aí com a testa.

Soneto IV

Tenho os dias cheios de silêncios Daqueles que me dói escutar Tenho os dias plenos de inícios Que desejo nunca começar.   Paira por cima desta cabeça Uma sentença triste, traída. Construo meus dias numa peça, Ainda antes da cortina caída.   Olho o horizonte tão vermelho Cor do sangue me corre adentro Sentindo o dia esvair-se ao espelho.   Não sei onde encontrar o centro Deste mim tão seco e tão velho, Quiçá aí fora, talvez aqui dentro.

Poema de resistência e amor

Este poema foi escrito em homenagem a um bom amigo vítima de Esclerose Múltipla, doença da qual viria a morrer. Trabalhámos juntos muitos anos e durante todo esse tempo sempre mostrou uma coragem e uma tenacidade de fazer inveja. Hoje recordei-o e a este breve poema.   Por vales de seda e linho, Desafias um longo caminho… De dor, de dor.   Um trilho ímpio, sinuoso, Amargo, tenebroso… E triste e triste.   Entre loas de imenso fervor Há uma história de amor… E paz e paz.   Renasce das tuas entranhas, Uma aragem todas as manhãs, De viver, de viver.   És a força, o mar e a terra, Que em ti frágil, encerra… A glória, a glória.   Os teus sonhos brilhantes, São ósculos de amantes, Sorrindo, sorrindo.   Resistes como um ancião vadio, À morte num desértico baldio… Tenaz, tenaz.   Coragem é quem vive assim, Simplesmente tão perto do fim, E ama e ama.

Os Felícios! #3

Resposta a   este convite  da Ana Episódio 1 Episódio 2 Pairava sobre a urbe, naquele Verão inclemente, uma canícula que tudo tisnava. As pessoas fugiam da rua evitando o calor abafado, procurando naturalmente os locais mais frescos. Na precedente semana a chuva caíra a rodos tal qual as invernias. Agora aquele Estio… quase de um dia para o outro! Felício estava sentado no táxi à sombra de uma vetusta árvore no Príncipe Real ouvindo um posto de rádio que só dava música do toni das “ caminetes ” e de outras cantores de qualidade duvidosa. Enquanto aguardava algum cliente mais imbecil por andar com aquele calor na rua, enviou mensagens à família via uotessape : sábado praia quem vai? Durante três dias ninguém respondeu ao táxista. Também não insistiu. Admirou-se, todavia, com a mulher Felícia que andava sempre desejosa de enfiar o traseiro na água do mar. O fim de semana aproximava-se e nem uma mensagem. Até que na sexta feira à noite com todos sentados à mesa (uma raridade) Mário Felíci...

Três quadras ao 10 de Junho!

Hoje é dia dez de Junho Dia do nosso Portugal Onde estará o cunho Que criou este quintal   Dia de Luis de Camões O nosso maior poeta Um ladrão de corações Pior que um bom atleta.   Dia das Comunidades Daquém e além mar Em todas as cidades, Há um lusitano a rimar.

Três quadras ao Santo António!

Ó meu bom santo lisboeta António de teu rico nome Avia-me aí uma lambreta* Antes que morra à fome.   Brincamos hoje quase todos Aos bons santos populares Sob uns resistentes toldos Há que dar aos molares.   Todos os anos tem sido uso Escrever parvoíce a preceito Quiçá algo em mor desuso, Não quero saber. Está feito.   * lambreta - cerveja em copo pequeno

O herdeiro!

O vetusto elevador subiu lentamente com um ronco os três andares até que deu um solavanco antes de parar. Orlando fez correr as duas portas de lagarta e saiu para o patamar. À sua frente a porta que sempre fora de acesso restrito. Unicamente os clientes do pai advogado entravam por ali evitando com isso o acesso à casa. À direita a entrada principal, duas meias portas que só se abriam, ambas, quando entrava algum móvel novo e da qual de aproximou devagar. Defronte da entrada, de chave empunhada temia ou duvidava, nem sabia bem! Temia encontrar uma casa feita em fanicos e duvidava dos seus sentimentos perante o que iria provavelmente reviver. Vinte anos bem medidos o afastavam daquela, que fora durante muitos anos, a sua residência permanente. Encheu os pulmões de um ar velho e soprou antes de abrir a porta. Finalmente muniu-se de coragem e introduziu a chave na fechadura, tentando rodar. Mas aquela quase nem se moveu. Recordou então aquele truque que o tio um dia lhe ensinara: - Quando...

Soneto III

Sonho-te dia e noite, noite e dia Imagino-te aqui: vais repousando Enquanto procuro ver ao que ia Toda esta vida, assim, te procurando   Ser poeta nem foi uma heresia, Pois canto a minha dor sempre escrevendo Pensando eu que breve alcançaria, Uma luz no firmamento brilhando.   Mas a simples vida bem me avisou Que amar dor valente não é sofrer Talvez sentir que a dor já me passou.   Hoje o sonho fugiu para se prender Ao infinito célere que amou A doce sensação de se perder

Hoje convido eu! #34

Há um comentador - o S.O.S . - que de vez em quando surge a botar comentário no que eu escrevo. Desta vez apanhei-o na curva e convidei-o também a desafiar-me. Propôs então o seguinte tema: a criança, as outras crianças e o mundo ! Ora todos sabemos que as crianças são o melhor que o Mundo tem. E assim dedico este texto. neste dia especial dedicado à criança, a todas as meninas e meninos que por qualquer razão não conheceram os seus antecessores!   Naquela manhã acordou as filhas de forma original! Principiou pela mais velha, dando-lhe um beijo na face quente. Mia acordou devagar e admirou-se com a presença do pai. Espreguiçou-se para depois… - Olá pai… Bom dia… Que se passa? - Bom dia Mia. Eis o meu presente do dia da criança. Entregou-lhe um embrulho que a menina de nove anos depressa percebeu ser um livro. - Olha mais uma aventura do Milo! Obrigada… paizinho! Um abraço apertado envolveu-os. David deixou que as lágrimas caíssem e a menina percebendo o pai a chorar perguntou: - Tens ...