Mal versejando
Fraco e triste poeta, eu
Que nem versejar sabe.
Doente e infeliz filisteu,
Nem num coração cabe.
Em folhas alvas, virgens
Descarrego a raiva do dia.
Umas reles personagens
Encharcadas de rebeldia.
Queria ser belo trovador
De sonhos não sonhados
Rimar amor com ardor.
E saudades com fados.
E dizes tu que não sabes...
ResponderEliminarAh, José, não é essencial rimar para se escrever boa poesia. Isto garanto-lhe eu que, além de só ter pegado no soneto e na poesia metrificada quando já tinha 55 anos, cresci à beira de alguns dos nossos maiores poetas do século XX, que, tal como eu até 2007, escreviam em verso livre e verso branco.
ResponderEliminar"E as saudades com fados"
Não rimarei com certeza
Que os meus versos são alados
E à saudade não estou presa
Um abraço!
Temos poeta!
ResponderEliminarMuito bonito, obrigada pela partilha.
ResponderEliminarPois não!
ResponderEliminarQuem? Eu?
ResponderEliminarObrigado amiga pela visita!
ResponderEliminarOlá José!
ResponderEliminarO apelo da poesia, o poeta trovador, pois já és! E não é mal, é bem.
Gostei!
Portanto temos escritor e poeta! Trovador também!
Bom resto de dia, obrigada por esta partilha José!
Beijinhos 🐦
Mas versejou.
ResponderEliminarMuito obrigado,
ResponderEliminara minha competência nesta área ainda está anos-luz de umas pessoas que eu sei...
Tento fazer o melhor que sei e posso!
Mal...
ResponderEliminarForte abraço!
Maria João,
ResponderEliminarNão rima saudades e fado
Na nossa bonita língua lusa
Quiçá em estranhos lados
Haja uma blandífua musa.
Boa noite, José! Não sei se blandífua é um regionalismo que eu não conheço e o Google também não, mas posso lá chegar a partir de blandícia, por isso aqui vai:
ResponderEliminar"Haja uma blandífua musa"
Que depressa me socorra
Já que esta se me recusa
Com medo de que eu lhe morra :)
Um abraço!
ResponderEliminarMaria João,
ResponderEliminardesculpe foi mesmo um engano meu. Estava ao telefone e a tentar escrever... Resultado: asneira.
Renovo o meu pedido de desculpas.
E depois é cada calinada!
ResponderEliminarNão tem de que se desculpar, José! Nem eu nem o Google somos infalíveis e podia muito bem ser um regionalismo que eu desconhecesse.
ResponderEliminar]Um abraço e votos de uma noite repousante
Nada!
ResponderEliminarTenho muito gosto de ver o gosto comum pela Poesia, e adorei ali nos comentários a tua poesia em resposta rápida!
Corajoso! Todo o poeta e poetisa e escritor e escritor é um trovador audaz, sem dúvida!
Ainda estou a anos luz, mas a paixão mora cá dentro, isso, com ou sem poesias à altura, é o mais importante.
Noite tranquila, boa sexta-feira!
Obrigado!
ResponderEliminarMaria João,
ResponderEliminaradoro regionalismos até porque tenho origens numa aldeia com um linguajar muito próprio.
De tal forma que "os covanos não penetram na piação do charales do ninhou!"
Bom fim de semana!
Só se eu fosse adivinha é que o entenderia, ainda que também goste muito de regionalismos, José :)
ResponderEliminarSuponho que os covanos sejam os habitantes dessa sua aldeia e que não conversem com os "charales do ninhou" que, suponho, sejam os habitantes de outra aldeia próxima. Espero ter-me conseguido aproximar ligeiramente do que pretendeu escrever/dizer-me
Bom fim-de.semana!
Nem de perto Maria João!
ResponderEliminarEstamos a falar de Minderico! O Pedro Barroso cantou uma canção escrita neste linguajar.
Covanos são todos aqueles que não são da terra. Charales do Ninhou é a expressão que usam para minderico. Piação é modo de falar. Não penetrar é não perceber.
Mas sempre é mais fácil que "jordar grisol nas balhelhas"
Na piação não falhei, não, que percebi logo o que era. O resto é que foi um desastre total, rsrsrs
ResponderEliminarGosto muito da música do Pedro Barroso e conheço inúmeros temas dele, mas esse, em Minderico, nunca o ouvi... agora deixe-me cá ver que a palavra grisol não me é estranha, o jordar deve ser deitar ou botar e balhelhas... não faço ideia do que seja. O grisol que eu reconheci, vem de um material utilizado para pavimentos, não sei se é ou não esse o seu grisol, ou melhor o grisol em Minderico...
A palavra jordar é usado no minderico quase como o verbo "to do" no inglês! Jordar pode ser fazer, deitar... tudo o que implique uma acção.
ResponderEliminarGrisol é... azeite!
Balhelhas são as batatas. Assim "jordar grisol nas balhelas" é deitar azeite nas batatas.
Há dicionários disso. Eu tenho dois!
Tal como tenho um dicionário do Inverso que me ajuda muito nas rimas!
Bom fim de semana!
Mas porque é que eu deduzi em vez de me deixar levar pela intuição? Balhelhas, de alguma forma, fez-me lembrar batatas... talvez porque as chamam semilhas na Madeira.
ResponderEliminarQuanto aos dicionários de rimas, eu tenho um bastante bom nos links laterais do poetaporkedeusker, mas não tenho muito boa impressão da maioria deles porque muitos oferecem-nos hipóteses tão estúpidas como bênção para rimar com limão e não é verdade porque é sempre a última sílaba tónica que conta e em bênção a tónica é BÊN, não é ção... e mais uma quantidade de disparates similares que só servem para estragar poemas.
Mas confesso que só hoje descobri o sociolecto Minderico o que me parece estranhíssimo. Não o sociolecto, mas a ideia de não conhecer nada bem o meu próprio país. Paciência, se calhar não o conheço mesmo...
Um abraço e obrigada por me ter tornado um nadinha menos ignorante, José!
Há um dicionário (que não tenho!!!!) de sinónimos rimados creio de origem brasileira. Que conheci há mais de quarenta anos mas que acabei por nunca comprar.
ResponderEliminarO que tenho e já me vali dele são páginas de palavras que terminam da mesma maneira. Pode-se ou não rimar com elas. Chama-se Dicionário do Inverso porque a busca é feita do fim da palavra para o início.
Foi muito usado em aulas de linguística virada para a AI na faculdade de ciências de Lisboa!
Mas reconheço que é útil.
Para mim tem sido!
Acredito que sim, José, mas eu só recorro a algum quando estou desmusada ou numa fase mais aguda de alguma das minhas mazelas cardíacas e autoimunes. O meu léxico não é nada mau e vai-me dando para sonetar, quando, repito, a Musa está bem acordada e em sintonia com o resto de mim ;) Não ligue, embora o que escrevo seja a mais pura das verdades, gosto muito de falar por imagens e é óbvio que não acredito numa entidade qualquer exterior a mim. Aquilo em que acredito é que a Gabapentina me amenizou as dores na coluna, mas me roubou a garra, a força, a imaginação e a disposição para escrever soneto. Esta fase de pousio é muito diferente das muitas outras que já tive e que todos os poetas que conheci/conheço também tinham/têm. Enfim, ou a Musa se habitua à Gabapentina ou eu me habituo a viver com dores insuportáveis na coluna, Raio de dilema!
ResponderEliminarNoite serena, José!
Eu para dores tenho a "aguentocaína"!
ResponderEliminarEntretanto uma quadra onde misturo minderico com português corrente.
Serei serafim do ninhou
Ou apenas zé ninguém.
Um covano que zarpou
Buscando mais alguém.
As melhoras!
(Obviamente que já deve ter consultado um neurocirurgião por causa dessa coluna, certo?)
Errado, José. As consultas de reumatologia estão a ser suficientes para manter isto controlado e, claro, já fui várias vezes a consultas de ortopedia/trauma quando fracturei a L2. A aguentocaína é um dos medicamentos que tomo diariamente para colmatar as muitas lacunas dos analgésicos que me receitam. Como sou anticoagulada, só posso tomar Paraceamol, Metamizol Magnésico e a Gabapentina. Desmamei a Cortisona porque aumentei uma data de Kgs. em menos de um mês, o que não convém nada a quem tem doença coronária e insuficiência cardíaca. A iniciativa foi minha, mas o meu médico de família já foi informado da minha decisão.
ResponderEliminarA essa sua quadra não me atrevo eu a desgarrar: estou muito verde no Minderico, só conheço meia dúzia de palavras.
Abraço e uma boa e repousante noite
Vou tentar arranjar um dicionário desta Piação e enviá-lo para si!
ResponderEliminarVerá que vai gostar!
Entretanto as melhoras. As possíveis, não é?
Bom dia, José! :)
ResponderEliminarAs melhoras são sempre coisas muito distantes para quem tem de sobreviver a tanta mazela. Olhe, como não estou com nenhuma dor demasiado forte, que não piore tão cedo já é um belo desejo :)
Tenho a casa invadida, não por aliens , nem por legiões de romanos, mas pelos senhores que estão a furar paredes para colocar novas campainhas e intercomunicadores. A Mistral não está lá muito contente com o alvoroço e eu estou a ver-me grega para a acalmar... Ai que agora estão a chamar-me...
Um abraço!
Fico-lhe muitíssimo grata, José!
Trabalhos desses ao fim de semana? Parece-me pouco simpático.
ResponderEliminarContinuo nos desafios. Agora estou num muuuuuuuuuuuuuuuuuuito difícil que irá ser demorado na sua escrita.
Veremos depois o que sairá!
Coragem!
Era a única forma de garantir que todos os moradores estariam nas suas residências, já que este prédio tem muitas pessoas que ainda estão no activo e saem de manhã cedo para os seus trabalhos.
ResponderEliminarNão faço ideia de qual seja o teor desse desafio tãooooooo difícil, ;) mas desejo-lhe bom trabalho e muita sorte!
Abç!
Maria João,
ResponderEliminarum desafio que já iniciei uma série de vezes e que deito fora... Pode ser que saia logo... Mas ainda não é certo!
Curiosamente o seu foi feito num ápice. Creio que escrito em 20 minutos.
O problema é que há desafios que nos tocam e esses geralmente tornam-se os mais difíceis!
Boa tarde; José
ResponderEliminarEu sou a maior desafiadora de mim mesma, mas fico-me sempre pela poesia metrificada e, nessa área, não me recordo de alguma vez ter desistido de um auto desafio. Suponho que esse seu desafio seja na área da prosa...
Curiosamente, os que mais me tocam - sempre na área da poesia - são os que componho num abrir e fechar de olhos, quando a musa não está em greve, claro.
Abraço
Eu não desisto dos desafios... apenas escrevo, leio e depois... recomeço!
ResponderEliminarAté chegar aquilo que desejo.
Entretanto já está publicado. Não será um texto assim... Pronto foi aquilo que o meu coração mandou.
Ele é que sabe!
Uma boa noite de descanso!
Não escreve nada mal, o seu coração, José
ResponderEliminarGostei do seu micro-conto e acredito que a desafiadora também ficará plenamente satisfeita. Agora se este texto o tocou tanto, pergunto-me se não terá passado por algo muito semelhante. Não espero que me responda, sei que há coisas que muitos preferem guardar só para si e para os seus mais próximos familiares.
Um abraço, José!
Há muito que passei essa fase.
ResponderEliminarAssumo os meus receios e as minhas manias sem problemas!
A questão dos incêndios prende-se com a minha graaaaaaaaaaaaaaaande costela de agricultor!
Compreendo, José.
ResponderEliminarCreio que no que respeita a actividades já só tenho duas costelas: a de artista plástica aposentada por força das circunstâncias e a de poeta, agora a meia haste, mas ainda com alguma esperança de voltar ao meu melhor.
Que tenha um sono reparador
Obrigado.
ResponderEliminarTerei com certeza!