Hoje convido eu! #18
O convite recaiu desta vez no bloguer dono deste espaço "O último fecha a porta". Este amigo lançou este doce para a mesa de escrita: caramelo salgado.
Durante umas horas andei aos papéis em busca de uma solução para o desafio. Até que... escrevi o que segue!
Quando Arménio, aos cinco anos, percebeu que não teria brinquedos como outros meninos, logo resolveu inventar… os seus próprios. Bastou uns arames e com alguma habilidade natural inventava objectos para se divertir. E quanto mais crescia maior era a sua capacidade para criar novos brinquedos.
Aos sete anos quando a escola lhe surgiu na frente descobriu que havia muita coisa para aprender. Tornou-se tão bom aluno que a professora chamou a mãe de Arménio à escola para lhe comunicar que aquele menino deveria continuar os estudos.
No entanto a mãe, que tresandava a lixívia das inúmeras escadas que lavava e a álcool que bebia sem destino, achou por bem não ligar à conversa da tal professora e colocar o mais novo de onze filhos a trabalhar.
Assim no último dia de escola Arménio, agora com quase onze anos, foi despedir-se de professora. Esta orgulhosa daquele aluno perguntou-lhe:
- Para o ano vais para onde estudar?
- Não vou para lado nenhum, ‘fessora! Vou trabalhar! – respondeu sem rodeios.
Desiludida e triste, afagou o cabelo sujo do aluno e encolheu os ombros impotente.
No entanto Arménio rapidamente fugiu das garras aquilinas da mãe para, bater a muitas portas, entrar numa escola que o sustentaria por algum tempo, bastando para isso que tivesse boas notas.
Só que o ainda jovem continuava, sempre que podia ou tinha matéria prima, a fabricar brinquedos, aproveitando todos os materiais. Não seriam certamente para ele, mas para os filhos de alguns amigos. Para tudo conseguia inventar uma boa solução. E quase sempre brilhante.
Um dia alguém lhe perguntou se conseguiria pensar num preço para certo brinquedo que ele inventara e construíra ao qual Arménio respondeu que não.
Quando acabou a escola industrial onde obviamente se destacara pelo seu génio inventivo, foi trabalhar para… um restaurante. Não seria o seu local preferido, mas tinha a vantagem de ter sempre comida. Aqui mais uma vez mostrou-se à altura da situação, para além de muitas vezes salvaguardar a casa de algum acidente na cozinha.
Muitos tratavam-no como Arménio “o génio”, alcunha que o jovem não apreciava de todo. Pois parecia-lhe depreciativa.
Só que o restaurante foi um abrir de novos horizontes. Na aldeia onde nascera aprendera muito sobre plantas e isso deu-lhe uma estranha capacidade para colocar muitos das ervas que conhecera ao serviço da culinária. Por vezes sugeria o uso desta ou daquela planta para dar mais gosto ou retirar um certo sabor a gordura.
Depressa entrou na cozinha como “maître”! Todos lhe reconheciam competência e conhecimento para comandar as tropas de culinária. De tal forma que o restaurante num ápice ganhou fama e prestígio.
Contudo o auge das suas invenções culinárias ainda se encontrava longe. Certa manhã quando os colegas começaram a chegar ao restaurante encontraram Arménio já de volta dos tachos e panelas. Admirados pela hora madrugadora alguns ousaram questioná-lo:
- Tu já foste a casa dormir?
- Ainda não… Estou a tentar inventar uma coisa para colocar na sobremesa…
Quando chegou a hora de abrir o restaurante para os almoços, Arménio estava pronto com mais uma invenção. Perguntou-lhe uma das colegas:
- Que andas a magicar?
- Isto… e mostrou-lhe uma taça onde se destacava um doce de cor quase alaranjada e espesso. Perante aquele petisco com bom aspecto, perguntaram-lhe:
- Que coisa é esta?
- É caramelo salgado inventado por mim.
- Mas isso já foi inventado…
- Creio que não!
- Não?
- Imagina um caramelo salgado sem ponta de açúcar nem uma pitada de sal!
Esse gostava de experimentar!
ResponderEliminarGrande história de vida, Eugénio merecia reconhecimento.
Eugénio? Não será Arménio?
ResponderEliminarUau, muito bem! Muito criativo! Gostava de conhecer tal invenção! Parabéns!
ResponderEliminarTambém eu!
ResponderEliminarobrigado. Forte abraço.