Vermelho!
- Pai? - Oh filha entra... Que boa surpresa, querida. O pai levantou-se do seu velho cadeirão onde se sentava geralmente para ler e aproximou-se da filha, que acabara de entrar com a sua velha chave, para a oscular. Porém ao olhar para a jovem percebe uma mancha invulgar e demasiado rosada na face e que lhe apanhava o olho esquerdo. - Tens a cara vermelha... Que te aconteceu para ficares assim? A rapariga levou a palma da mão à face como que a tentar esconder o que o pai já vira. - Não sei papá! Acordei assim esta manhã... Algum bicho que me mordeu... - Hummm! Essa hiperemia não me parece natural. O pai e as suas conhecidas expressões médicas, na maioria imperceptíveis. - Esta quê? - Hiperemia.... vermelhidão... - esclareceu e teimou - isso não tem nada bom aspecto. - Pai deixa ... não me dói, deve ter sido um bicho qualquer. Sabes como sou alérgica. O pai pegou no livro que estava a ler e devagar colocou-o em cima da secretária. Depois saiu da sala, pegou no casaco pendurado no benga...