Queria…

Queria ser um belo poeta,


Camões, Garrett ou Pessoa.


Queria ser uma simples seta,


Disparada por Cupido à toa.


 


Queria ser um bom escritor


Eça, Herculano, Namora


Queria ter esse primor


De saber colher uma amora


 


Queria escrever lindos poemas,


Coisas sentidas, quiçá choradas


Queria viver sentidos dilemas,


Gritos, raivas e dores caladas.


 


Queria escrever certas palavras


Que nunca ousei enfim dizer-te


Queria desenhar nas minhas lavras


O que é amar-te e querer-te.


 


Sou pobre e reles prosador.


De sonhos, amores e cantigas


Choro num brando fervor,


A triste escrita, as imensas fadigas.

Comentários

MJP disse…
Belo texto, José!
Resto de dia Feliz!
C.C. disse…
És tudo isso e muito mais...
Belo poema!
Grande abraço.
José da Xã disse…
Nao me considero um poeta.
Vou escrevendo umas palavritas pobres e de pouco valor.
Mas agradeço os elogios.
Forte abraço.
imsilva disse…
Ai, a humildade no sítio errado! Belo poema.
amorlíquido disse…
Ambas as coisas. Sobre a humildade no lugar errado e a beleza do poema!
Um dia feliz
José da Xã disse…
Bom dia,

agradeço muito as palavras, mas em termos de poesia a competência deveria ser surpelativa.
O que não é o meu caso.
Reconhecer as suas fraquezas ou menor competência não será humildade, mas tão somente consciência real.
O problema é que leio por aqui coisas simplesmente sublimes e quando me atrevo também a experimentar aparecem coisas assim...
A matriz está muito elevada... e eu não consigo lá chegar.
amorlíquido disse…
Não concordo. Quer dizer, acho que não há nada melhor que reconhecer fraquezas quando elas existem, porém não acredito que seja o caso.
Por norma temos sempre tendência a ser mais exigentes connosco do que com os outros, o que faz com que encontremos defeitos onde eles talvez nem estejam presentes.
José, na poesia não há comparações. Há ou não a capacidade de tocar no coração do outro, de fazer sentir algo nas profundezas do que somos. Mas sabe o que é melhor? Somos muito grandes, a nossa geografia anatómica permite-nos ter recantos que nem nós conhecemos. E nem todos, com as suas palavras, alcançam os mesmos lugares. Isso não significa menor competência, talvez maior criatividade.
Já chorei com palavras talvez banais e já permaneci indiferente a reflexões que muitos achariam geniais. Não existe uma regra.
Se sentimos o que partilhamos é porque é verdadeiro. Se é verdadeiro será belo.
E não desista! Quero (e queremos todos) continuar a ler poemas seus. Que venham de si e que nos transportem para algum lugar.

Beijinho
José da Xã disse…
Ups!
Que lição maravilhosa que recebi agora...
É verdade que quando se escreve com o coração as coisas saem diferentes...
Obrigado pelo estimulo.
Cuide-se.
PS - o poema que escrevi e que mais gosto é este!
https://josedaxa.blogs.sapo.pt/poesia-para-um-fim-de-tarde-44672
Bom fim de semana.
Sarin disse…
Onde está o botão "favorito" para este comentário? :)
Muito bem explicada, a essência da poesia: ser sentida em quem a lê, mais do que ser percebida por quem a lê.
José da Xã disse…
Eu fiquei sem palavras...
Cuida-te miúda!

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