A versão do Tomé
Uma coisa assumo desde já: detesto gente apressada. Eu sei que os tempos que ora se vivem não são somente vividos, são destruídos pela pressa e pelo desencanto.
Mas eu, digam o que disserem, prefiro viver nesta calma,
serenidade e não ando nunca a correr.
Bom mas isto sou eu que ao fim de muito tempo já vivido
tenho direito a dizer o que me apetece.
Os últimos tempos tenho vivido numa quinta simpática, cheia
de inimigos como são as galinhas, patos, perús e demais malta com penas, mas também
recheada de personalidades bem curiosas.
Ainda estou para saber como aterrei neste lugarejo com três
humanos que aqui fazem a sua vida. Comigo curiosamente nunca se meteram, talvez por ser grande e eles terem medo de mim. Houve mesmo um, mais pequeno, que
certa vez tentou tirar-me do meu caminho.
Estava a ver que tinha de me encolher na casa, o que nem
sempre é bom pois é muito pequena, mas enfim alguém acabou por me salvar desse
facínora.
Nessa manhã estava uma humidade bem saborosa e deu-me o
cheiro de folhas novas perto. Como deveis saber, sou um tanto pitosga e ver não
é o meu forte. Porém estas antenas são mais sensíveis que papel de arroz e deu
para perceber que o aroma das folhas frescas estava perto.
Subi a parede sem sobressalto, a não ser aquele que já
relatei do meia-dose de humano, deslizei por entre as telhas húmidas e
encontrei uma rama de uma árvore bem suculenta.
Mas vocês sabem como são as crianças… teimosas até mais ver.
E o “piqueno” andou atrás de mim dias a fio, mas sem nunca me tocar, valha a
verdade. Mas exprimia-se de forma estranha e dava saltos e depois apontava para
mim como se eu fosse culpado de alguma coisa…
Estes humanos são doidos… completamente. Há lá necessidade de
andar naquela excitação? Depois quando lhes dá um fanico ainda são capazes de
perguntar o porquê…
Certamente que não conhecem aquela máxima que diz: devagar é
que se vai longe?
Ah ainda ficou uma coisa para perceber do humano mais “canininho”,
e que se prende com qualquer coisa como “Tomé sem pé”… Saberão do que se trata?
É que eu cá não sei… Nem pretendo saber!
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