Despedida!

Corro as longas cortinas

Sobre este belo destino.

Cerro as janelas finas

Vivo longo desatino.

 

Mais de cinco centenas

De textos publicados.

Alguns ingénuos apenas

Mas sempre acarinhados.

 

Para outros trilhos parto

Não em busca da luz do Sol.

Aqui e agora reparto

Um gesto, um mero girassol.

 

Uma dúzia de bons anos

Tantos e tantos perdidos.

Saio sem remorsos, danos

Só agradeço aos sentidos.

 

Remato finalmente

Com a feliz sensação

Escrever é ser doente

De vida e de paixão.

Comentários

  1. Quem me dera que essa fosse
    A minh` única doença...
    Doença, sim, mas tão doce,
    Tão bonita, tão intensa!
    *

    Assim fosse e aqui garanto
    Que jamais precisaria
    De tanto remédio, tanto!,
    Nem sequer de cirurgia...
    *

    Abençoada a mazela
    Que nos torna criativos!
    Nem todos poderão tê-la,
    Mas dela ficam cativos :)

    Um abraço, José da Xã!

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    Respostas
    1. Eu digo quem me dera
      Assim escrever poesia
      jamais aprendi, pudera
      Escrever mal eu sabia.

      Gostaria, melhor saber
      Bem rimar a preceito.
      Para pôr alguém a ler
      O que vai no peito.

      Que as suas maleitas
      Me caiam em cima.
      P’ra dores tenho receitas
      Falta-me só uma rima.

      Obrigado Maria João pelas suas palavras.
      As suas evidentes melhoras é o que eu desejo.

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    2. Cuidado, amigo, cuidado,
      Não desafie as mazelas!
      Que elas lhe passem ao lado
      Pra que fique livre delas!
      *
      Agora é outra infecção
      Que se junta à que já tinha..
      Um micróbio sabichão
      Quer-me ver perder a linha
      *
      Mas não! Não vai conseguir
      Que embora muito cansada,
      Hei-de fazê-lo engolir
      O veneno, à colherada!
      *

      Um abraço, José da Xã!

      Eliminar

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