Desgarrada de Carnaval!
Vamos brincar Carnaval
Lançam os foliões.
Que ninguém leva a mal
Nem ricos nem pobretões.
Prefiro estar longe
Da malta brincalhona.
Antes eremita ou monge,
Que ouvir uma sanfona.
Não ouso negar não
As máscaras dif’rentes.
As de Veneza então
São belas, valentes.
Fica assim lançado
Mais este desafio
Nem cantiga nem fado
Talvez um assobio.
Nota:
quem quiser participar pode fazê-lo com uma ou mais quadras através de um comentário neste blogue, através do seu próprio blogue (se o tiver) com referência a este desafio ou enviar mail para josedaxa@sapo.pt. Tanto nos comentários como por mail ou nos blogues eu acabarei por juntar aqui a(s) quadra(s). Assim ficará mais visível. Vamos lá então escrever!
Respostas:
O José desafia e o pessoal não quer falhar
Ele é um craque com as palavras, mas eu também vou tentar
De palhaços está o mundo cheio, dizem as bocas das gentes
Eu cá acho que o mundo está cheio de charlatões que não sabem estar contentes
A minha resposta
Desafiar não dói
Quem o diz, muito sabe.
Não quero ser herói
Rir antes que desabe.
Comentários
Ele é um craque com as palavras, mas eu também vou tentar
De palhaços está o mundo cheio, dizem as bocas das gentes
Eu cá acho que o mundo está cheio de charlatões que não sabem estar contentes
Desafio aceite!
Boa! Começa bem!
Vai já para o postal!
Obrigado!
De saber os resultados
Dos testes, que foram dois,
E estavam muito alterados
Está-me a pular o pezinho
Para entrar na desgarrada
E não o deixar sozinho
Doentinha como estou,
Fá-lo-ei no hospital
Que é pra aonde agora vou
Bom fim de semana.
Eis uma desgarrada.
Escrita para se ler
Numa tarde repimpada.
Que eu cá não me ensaio nada
De desgarrar só c`um pé:
Fá-lo-ei de uma pernada!
Não será carnavalesco,
Mas apesar de eu ser calma
Entra no verso burlesco:
Sra, Enfermeira, por favor,
Ponha o pé no acelerador
E ache-me um senhor doutor
Que me ajuste este valor!
Obrigada eu, José!
Que já não se brinca.
Neste versejar a cem
À hora nem uma trinca.
pois tenho bons amigos
Eu sempre alinho
Nesta lida de antigos.
Pois faz muita falta
A quem escreve à pressa,
Mas sempre sem batota.
Bloqueou o meu cartão...
Acho que fez muito mal,
Mas el` diz que é prevenção...
Pra tentar manter-me viva:
Hoje sem administrações
Da pastilha vingativa...
Para a ver mais feliz.
Escrever é o seu forte
E eu sou um aprendiz.
Tadinha da enfermeira
Nem sabe o que lhe calhou
Uma doente de primeira
E a doença que herdou.
Que fique bem melhor.
Com ou sem pastilhas
E outras em seu redor.
Não é coisa de fiar.
Cortam mesmo a quem dê
Uma bola de bilhar.
Já estaria há muitos anos
No cemitério da esquina
Como adubo pra gerânios
Foi decerto a cortisona
Que aumentou o seu efeito...
Soubesse eu e vinha à tona
Que a recusa era um direito!
Não segui medicina.
Preferi as vidas tortas
Que tomar penicilina.
Desculpe só agora
Conseguir mal versejar
Cheguei há uma hora
Com dores na lombar.
É meu desejo sincero,
Pois quando dói não faz ronha
E até causa desespero
Que as dores são chatas.
Nem abraço as meninas
Ambas minhas ricas netas.
Eu já tive uma fractura
Numa vértebra lombar...
Sei que isso é uma tortura,
Mas acaba por passar
Talvez consiga viver.
Sem nada que me alegre,
Já nada tenho a haver.
Então por que é que desgarra
Com a rapidez da lebre
E a harmonia da cigarra?
Acabadinhas de ler
São destas lavras
Que nasce o bom saber.
Já mal se sabe expressar
Que estou quase a adormecer,
Já me sinto a levitar...
Véspera de Carnaval.
D'um cinzento amigo
Tal qual o do Natal.
E eu estou c`uma dor no peito...
É bem verdade eu lhe juro:
É feitio, não é defeito
Que dores é má obra.
Antes assar chouriço
Que comer abóbora.
As melhoras desejo
Da sua dor no peito
Para lombar prevejo
Comprimidos a eito.
Na toma dos comprimidos:
Excesso, se não mata, fere
Os órgãos e os sentidos
Obrigada pelos votos
De melhoras pr`ó meu peito
Que desde tempos ignotos
Anda, coitado, sem jeito...
Nem de me queixar.
Mas estas parolas
Dão-me muito que falar.
Não saí de casa
Pois estou derreado.
Nem com grão na asa
Estou bem descansado..
Não estou de certeza...
Estou qual maré vaza
Nos rochedos presa...
Para olvidar a dor
Quer quiça qu'eu fique,
Mais doente, doutor?
Eu doutor não sou,
Mas em vez do drinque,
Beba isto que lhe dou
E coma algo que se trinque
Foi um tal João Pestana
Que ao fazer.me bocejar
Disse:- Agora é que se engana
Quem não se queria enganar...
Talvez seja tardia
Aqui já não mora
A fome que havia.
Um sono que enxoto,
Mas não vai embora:
Que grande maroto!
Que a vida tem força
Neste dia e afora
Corro como uma corça.
Pelo menos na vontade
De bem curar a rodos,
Sem contar a idade.
A aguardar esclarecimento:
Tenho a conta bloqueada
E nem sei por quanto tempo
Não pede contas aos anos,
É uma chata alimária
Que dói e que entope os canos
Esses bloqueios parvos
São coisas da vida
Que nos deixam servos.
Tenho dessas heranças.
Comprimidos já tomei
Para fugir das andanças.
Que depressa me acudiu,
Teria a vidinha em p`rigo,
Quem me pagava o avio
*
Dos muitos medicamentos
Sem os quais não viveria?
Isto aqui não são lamentos,
É quase uma gritaria!
E anticoagulantes,
Desses tomo eu ao montão
Mais corticoides constantes...
Mas sei lá o futuro.
Ditos para o coração
Que este é pouco duro.
Mais remédios que comida...
Todos dariam um tomo
De farmacopeia, ó vida!
Qu'isso pode ser demais.
Talvez uns pirolitos
ou quem sabe uns sais.
Eu tenho de obedecer
Ou estaria por onde andam
Os que optaram por morrer
Mas eu pouco os oiço.
Tenho outros interesses
Já não há arcaboiço.
C`um pouco de água com chá...
Podendo, até os abulo..
Acredite, era pra já
Anda tudo numa fona.
Minha sogra a prazo
As emoções à tona.
Tadita da idosa
Que não merecia
Ter doença poderosa
E fazer radioterapia.