Os Felícios! #6

Resposta a este convite da Ana


Episódio 1


Episódio 2


Episódio 3


Episódio 4


Episódio 5


Maria Felícia entra em casa toda despachada e dirigi-se para o quarto. A mãe Felícia giranda pela cozinha numa costumada azáfama a preparar o jantar.


Felício há muito que está em casa. Um tipo amarrotara-lhe o táxi com vontade e agora seriam uns dias sem fazer "a ponta d'um corno" e o seguro a pagar. Para enorme enfado da mulher que gostava de estar, por vezes, sozinha e não ter que aturar as parvoíces do marido.


Entretanto Mário Felício chega a casa lentamente como se carregasse todos as tristezas do mundo na sua mala de entregador de comida. O pai repara no filho e envia-lhe uma mensagem via, o tão conhecido, uotessape:


"Que se passa, pá?"


Sem resposta!


"Mene estou a falar contigo... Porque não me respondes?"


Finalmente:


"Deixa-me em paz".


No momento seguinte lê:


"O jantar está pronto!"


Era a mae!


Felício já com algum esforço, devido acima de tudo à gordura que carrega, ergueu-se do surrado sofá e dirige-se para a cozinha donde exala um belíssimo aroma a comida. Depois chega Maria Felícia radiante! Finalmente o filho com uma cara de macambúzio. O ambiente parece pesado para uns e leves para outros. Mas ninguém quer falar.


Foi a vez de Felício como chefe da família lançar as questões:


"Mas o que se passa aqui hoje? Uns parecem umas estátuas outros palhaços..."


Nem uma resposta! Felícia defende os filhos!


"Deixa os miúdos... Como chegaste cedo a casa pensas que os outros também não fizeram nada! Calão!"


A primeira resposta veio de Mário:


"Eh pá... não se preocupem... Levei com os pés da namorada".


"Que lhe fizeste?" - pergunta a mãe com vivo interesse. 


"Nada, mãe... não fiz nada!"


"Se calhar foi por isso"! - escreve o pai e coloca muitas gargalhadas!


"És um imbecil, pai!" - diz Maria Felícia.


Irado com o epíteto Felício sente o sangue a subir à cabeça para no momento seguinte estar estendido no chão em paragem cardio-respiratória. Todos numa reacção normal se aproximam de sopetão do patriarca para logo este recuperar os sentidos sem qualquer ajuda, De forma inusual pergunta de viva voz:


"Quantos há?"


Ninguém respondeu... e todos olharam-se entre si. Aquela pergunta não fazia sentido ainda por cima... falada! Foi Maria Felícia que acabou por lhe perguntar:


"Estás bem. paizinho?"


O homem já recomposto e sentado novamente à mesa respondeu através do telemóvel:


"Eu sempre estive bem! O que se passa com vocês?"

Comentários


  1. obrigada, amigo!
    já tinha saudades dos Felícios! está surreal
    beijinhos e feliz dia

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  2. Dom dia, José!

    Coitado do senhor Felício que teve uma síncope vasovagal e nem deu por nada

    Creio que não seria nada difícil escrever um soneto rocambolesco para responder ao desafio da Ana, embora muitos se possam espantar com essa hipótese... Aliás, o soneto de Pessoa que hoje reeditei, bem como a minha glosa, até são um tanto rocambolescos... O pior é que estou muito desmusada, duvido muito que consiga criar seja o que for.

    Um abraço!

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  3. Não é recambolesco mas é irreal!
    Bom fim de semana Ana!

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  4. Maria João,

    Desculpe em primeiro lugar por não lhe ter respondido à desgarrada.
    É que estive ausente e a piesia trovadoresca requer serenidade.
    Pode publicar na mesma o que lhe der. Gostaria muito de ler!

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  5. Ó José, a desgarrada nunca foi uma imposição, foi um longo momento de diversão sem compromissos Assim é que tem ou teve graça...

    Pode ser que um dia destes
    Volte aqui pra desgarrar,
    Se da Musa vir as vestes
    E e o cavalo prá montar...

    Abraço!

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  6. Adorei o "uotessape" (para além da história hilariante, claro).

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  7. A Musa é uma chata
    que requer atenção.
    Não há quem a bata
    A escrever um poemão.

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  8. Vista as anteriores? Sem querer alertaste-me para as ligações anteriores.
    Vou resolver!
    Bom fim de semana.

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  9. Hoje a Musa apareceu
    De rajada, como o vento...
    Não sei bem o que lhe deu
    Pra ter tal comportamento
    *
    Mas hoje deu-lhe prá quadra
    Da popular e certeira,
    Da que tem farpa acerada,
    Mas não diz nem uma asneira

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  10. Ora antes ser assim
    Atrasada mas fiel
    Digo só cá para mim
    Ela entrou a granel.

    Vamos então caminhar
    Para uma bela troca
    Palavras a arranhar
    Uma alma numa toca.

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  11. Muitas almas numa toca,
    Ou até numa só tenda
    Sem terem pão para a boca,
    Sem meios de compra ou venda
    *
    Havemos de ver em breve
    A menos que a habitação
    Fique mais barata e leve
    Prás gentes desta Nação...

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  12. Todos os meses sinto
    Menos dinheiro na conta.
    Talvez beber um tinto
    Faça olvidar a tonta.

    Fala de bolso cheio
    Porque nada a detém
    Quem anda neste meio
    Sabe donde ela vem!

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  13. Eu não tenho o bolso cheio,
    Anda até muito vazio,
    Mas às vezes perco o freio
    Corro, corro até ao rio
    *
    Porém a dona inflação
    Consegue correr bem mais
    E deixa-nos sem tostão
    Pra sempre em casa dos pais

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  14. Boa noite Maria João,

    Desculpe só agora responder mas prenderam-me outros afazeres.

    Sei bem o que isso é
    Por cá vive um agora
    Não posso dar pontapé
    Lá terá a sua hora.

    Poupo, até nem como
    O bago já não chega
    Para comprar um tomo
    Mais velho qu'o cegarrega!


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  15. Tudo bem, José, compreendo perfeitamente! Já estou meia a dormir mas vamos a ver se ainda rimo, rsrsrs

    Isto vai dar para o torto
    Se os custos da habitação
    Deixarem um homem morto
    Com os sustos que lhe dão!
    *
    Boa noite e bom descanso
    Que amanhã é outro dia
    De trabalho ou de remanso,
    Conforme a nossa ousadia...

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  16. Bom dia sim senhora
    Mais um dia de labor.
    Correr a toda a hora
    Vida com muito sabor

    Plantar couves é duro
    Mesmo para quem sabe
    Trabalho sério, puro
    Nem a todos bem cabe.

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  17. Ai meu deus... para onde caminhamos... estes ecrãs roubam-nos tanto. ..

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  18. Nem imaginas!
    Esta é uma família especial. Porque irá ser a família do futuro.

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  19. Mais um dia de labor,
    Embora muito moída:
    Por cada gesto uma dor,
    Sem que me dê por vencida

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  20. Força Maria João
    A dor não pode vencer
    Dê-lhe um bom sermão
    Que a faça desaparecer.

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  21. Isto é um braço de ferro
    Entre mim e a dona Dor
    Que não tem lugar pra erro:
    Vence quem mais forte for!
    *

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  22. Se a sua dor tiver dor
    Pode ser que acorde
    De ter tamanho fervor
    Quicá talvez concorde.

    Deixá-la em boa paz
    Pois que tanto sofreu
    Decerto a dor é capaz
    De ajudar mais que eu!


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  23. Bom dia, José!

    Pensei em magoar a dor...
    Não houve dor que a magoasse
    E eu fiquei muito pior
    Entre a dor e este impasse

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  24. Boa tarde,

    Essa dor não é de burra
    Dessas tive eu algumas
    Mais vale dar uma surra
    Nessa e em mais umas.

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  25. Dor de burra, só correndo,
    E eu estava descansadinha
    Quando começou doendo
    Por baixo da costelinha...

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  26. Ó dor, maldita seja
    Que tantos atormenta
    Não há quem não veja
    Que a dor é uma tonta.


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