Os Felícios! #4

Resposta a este convite da Ana


Episódio 1


Episódio 2


Episódio 3


Chegaram à praia era quase meio-dia não obstante terem saído do Bairro das Mouras pelas 8 da manhã. O problema fora realmente o trânsito naquele Domingo especialmente para passar a ponte.


Como bom táxista que está convencido que é, Felício foi tentando fugir ao tráfego automóvel. Só que numa dessas fugas foi apanhado por uma Operação-Stop montada numa rotunda. Resultado... quase duas horas para convencer o polícia de que era um condutor profissional, recebendo ainda assim, em troca, uma multa de 125 paus por conduzir com demasiadas gramas de álcool no sangue. Não tivesse a família bebido também um gole daquele medronho "algarvie" e provavelmente a coima teria sido muito pior.


Quando entraram na areia a praia estava repleta. Maria Felícia descalça-se e enfia-se na areia a ferver. Mas dá um salto e volta para trás. De pé sem saberem para onde ir Felício arranca então decidido a inventar um lugar, nem que seja a um metro da água. A família segue-o enfim.


Sem preceito ou cuidado as quatro alminhas vão tricotando por entre chapéus de Sol, igloos manhosos, geleiras espampanantes e toalhas de praia "meide ine errepêcê". Já para não falar dos putos que armadilham o caminho com buracos na areia.


Mário Felício acabou por cair num destes quando olhava para as sedutoras curvas de uma jovem mulata estendida na toalha, esparramando-se ao comprido no chão fino e salpicando toda a gente ao redor com areia. Um vendedor de "Bolas de Berlim" feitas na Caparica é atingido por uma nuvem e só tem tempo de tapar os bolos do cesto já que o da mão ficou bem polvilhado, mas não de açúcar.


A maioria dos presentes ri-se alarvemente do espalhanço, mas Mário bufa de raiva e dá um calduço com força num dos putos, que fica a chorar. Felícia, por sua vez, carrega uma enorme cesta equilibrando-a numa velha e suja rodilha que colocou no cocuruto do seu corpo redondo e caminha devagar atrás do marido, que transporta o chapéu de sol, o saco com as toalhas e um jornal desportivo.


Ao longe Felício repara que há alguém a sair e quase que corre para o local. Porém aí chegado não percebe espaço algum e fica muito desapontado. Por fim chega-se perto da beira-mar e espeta com força o chapéu na areia molhada e senta-se. Os restantes imitam-no.


Maria Felícia vai devorando com os olhos as carnes humanas, especialmente masculinas, que atravessam na sua frente. O mesmo se passa com Mário Felício e com Felício, chefe do clã. Só Felícia vai estendendo as toalhas sobre a areia encharcada, aprontando o almoço.


No minuto seguinte a mãe e esposa percebe que está sozinha, já que os três foram à água. Uma carrinha do ISN em alta velocidade e de sirene bem estridente atravessa junto à beira-mar fazendo saltar areia para todo o lado. A mulher barafusta com as autoridades para depois enviar uma mensagem: vamos comer?


Maria Felícia responde: vou mais tarde acabei de conhecer o Joca!


Mário Felício devolve: conheci agora uma Miraldina, vou mais logo!


Felício diz: já almoçar?


Furibunda Felícia pega na toalha de praia e foge do local indo para o carro. A maré continua a subir e é nessa altura que o táxista percebe a sua garrafa de tinto a boiar aos seus pés, já meio vazia!


Às duas da tarde estão todos de regresso a casa, sem almoço e sem praia, onde chegam cinco horas mais tarde, tudo devido a um acidente na Ponte.


Felícia, amofinada, deita-se logo.


Felício vai poder finalmente ler o jornal!


Maria Felícia nem quer saber pois está de converseta via uotessape com o tal de Joca.


Por fim Mário Felício pediu amizade à mulata no feicebuque! Está à espera de resposta!

Comentários

  1. Fantástica esta familia Felícia, adorei!!!
    Bom fim-de-semana!

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  2. Um típico domingo estival português em grande...
    Apenas se "safaram" o Mário e a Maria.
    Já Felício, depois dos 125 paus de coima ainda queria mais festa, a julgar pela meia garrafa de tinto no bucho, antes do regresso.
    Bom fim-de-semana!!!

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  3. Uma família bem tuga. Ahahahahah!
    Bom fim de semana...

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  4. Tuga que é tuga tem que andar de botelha na alcofa.
    Agora já a pensar na próxima crónica familiar.

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