Poema de resistência e amor

Este poema foi escrito em homenagem a um bom amigo vítima de Esclerose Múltipla, doença da qual viria a morrer. Trabalhámos juntos muitos anos e durante todo esse tempo sempre mostrou uma coragem e uma tenacidade de fazer inveja. Hoje recordei-o e a este breve poema.


 


Por vales de seda e linho,


Desafias um longo caminho…


De dor, de dor.


 


Um trilho ímpio, sinuoso,


Amargo, tenebroso…


E triste e triste.


 


Entre loas de imenso fervor


Há uma história de amor…


E paz e paz.


 


Renasce das tuas entranhas,


Uma aragem todas as manhãs,


De viver, de viver.


 


És a força, o mar e a terra,


Que em ti frágil, encerra…


A glória, a glória.


 


Os teus sonhos brilhantes,


São ósculos de amantes,


Sorrindo, sorrindo.


 


Resistes como um ancião vadio,


À morte num desértico baldio…


Tenaz, tenaz.


 


Coragem é quem vive assim,


Simplesmente tão perto do fim,


E ama e ama.

Comentários

  1. Doença maldita essa...
    Ainda assim, mostra que existem pessoas com uma força fora do normal.
    Paz à sua alma.

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  2. O meu amigo Fernando já morreu há uma dúzia de anos. Mas não há dia nenhum que não me lembre dele.
    Era um amigo... daqueles!
    Todos os dias ia trabalhar já de cadeira de rodas... Dia a dia víamo-lo a definhar! Mas nunca desistia.
    Era eu que o ia buscar ao carro de manhã e ia levá-lo à tarde. Empurrava-o até à casa de bando de deficientes onde o despia e o sentava na sanita. Depois deixava-o. Quando estava resolvido ligava-me e eu fazia o trabalho inverso. Um dia liga-me muito aflito pois caira na casa de banho. Corri aquele enorme corredor até à casa de banho e entrei.
    O espectáculo não era o mais bonito. Peguei no meu telemóvel e liguei à minha mulher que trabalhava comigo. Ela veio buscar a camisa e as calças, lavou-as e secaram com um secador de cabelo. Não conto isto para me gabar, mas para perceber que o Fernando era para mim um irmão.
    O que aprendi com ele. com a força que ele tinha é incalculável.
    No dia 7 de Janeiro de 2011 não morreu um colega, mas um amigo daqueles à moda antiga como o amigo que escrevi neste conto: https://josedaxa.blogs.sapo.pt/hoje-convido-eu-32-209732
    Desculpa este longo comentário mas por vezes falar dele alegra-me porque sei que ele olhará sempre por mim.
    Abraço e obrigado por poder reviver alguns momentos do Fernando.

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  3. Eu é que tenho de agradecer a confiança na partilha que fez. Obrigado!

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  4. Olá José...
    Poema muito muito bonito e emotivo.
    Também achei o teu desafio do quadro um dos mais lindos do teu livro, e soube depois que se tratava de uma reflexão sobre a vida e a coragem do teu amigo que partiu, e, ainda fez mais sentido.
    Este poema completa a homenagem que lhe fazes, obrigada por o partilhares connosco, Amigo. Tal como contas no história do teu personagem, são anjos, e acredito que estão sempre presentes pois na verdade são residentes nos nossos pensamentos diários, não havendo dia nenhum em que neles não pensemos e recordemos com muita saudade, mas também com gratidão por podermos ter feito parte das suas vidas.
    Beijinhos 🐦

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  5. Parabéns por este POEMA DE RESISTÊNCIA E DE AMOR, José!
    Damos sempre o nosso melhor pelos nossos amigos, quer estejam connosco quer tenham partido: este poema é a prova disso.

    Um sentido abraço

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  6. Mafalda,

    Este poema foi escrito ainda estava vivo mas permanentemente na cama.
    Fui vê-lo a casa e falava sempre como se no dia seguinte estivesse curado.
    Uma tenacidade incrível.
    Ontem lembrei-me dele (como quase todos os dias) e depois considerei importante publicá-lo neste wspaço.
    Foi um bom amigo.
    Deixa-me contar isto: no dia do seu funeral fui abordado pela família agradecendo-me o que havia feito por ele. Senti-me encabulado... porque fiz o que fiz porque me sentia bem a fazê-lo, nada mais!
    Bom fim de semana.

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  7. Maria João,

    Até pelos inimigos... eu dou o meu melhor, quanto mais pelos amigos...
    As melhoras.

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  8. Peço desculpa, então :) É possível que também eu tenha inimigos, mas nunca me dou ao trabalho de pensar nisso... E na verdade, quando escrevo, escrevo para todos.

    Obrigada!

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  9. José, animada já eu estou, eheheheh

    O que o levou a pensar o contrário?

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  10. Sei que quando não estamos bem fisicamente tornamo-nos mais aborrecidos. Eu pelo menos fico!
    Mas gosto de a ver assim!
    Já tenho três quadritas prontas para o São João!

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  11. Ó José, então eu que tenho doença crónica há muitos anos deveria ser pior que um gambá enfurecido, rsrsrsrs

    Gosto muito de brincar, embora também goste muitíssimo de estar concentrada a escrever boa poesia, que é coisa que não faço há mais de uma semana...
    E, já agora, espero que a Musa não me apareça exactamente no dia de São João para eu poder vir partilhar umas quadras consigo!

    Abraço!

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  12. Pois eu diria o inverso... espero que a Musa apareça pois é bem melhor a sua poesia que são as minhas quadras!

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  13. Não se preocupe que eu não preciso de Musa para as quadras Da Musa só preciso para os sonetos, embora já tenha escrito muitos à revelia dela, só para não ficar sem publicar nada.
    Quadras em redondilha maior já eu dizia aos três anos, antes de saber escrever e só o sei porque o meu avô as apontava num caderninho com o meu nome e a data.
    O que não convém é que eu esteja muito assustada com o raio do tal exame que se aproxima, ou as minhas quadras vão ficar muito fraquitas. Mas não, não hei-de estar assim tão assustada!

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  14. Não imagino que exame irá fazermascessa boa disposição vai tudo correr pelo melhor. Verá....

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  15. É um raio de uma Cintigrafia com perfusão endocárdica de não sei o quê que exige um dia de internamento hospitalar... Só o internamento me deixa de cabelos em pé, que da última vez que fui internada por causa do tive uma série de azares e fiquei internada quase dois meses, brrrr

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  16. Mas desta vez irá tudo correr bem. Tenho a certeza.
    Queremo-la cá rapidamente!

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  17. Boa tarde, José :)

    Também eu estava muito segura de que tudo ia correr bem das outras vezes, rsrsrsrs...

    Obrigada, de qualquer forma. Um bom Domingo!

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  18. Há sempre um momento
    Que olhamos o passado
    Para ver o que há dentro
    E buscar um outro lado.

    Sou crente e acredito
    Que nada é impossível
    A vida tem um súbdito
    É o sonho e é terrível.

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  19. É por isto que há pessoas que nunca morrem. Há quem as recorde!

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  20. Nada há de horrível no sonho...
    Só se for um pesadelo
    Que venha tornar medonho
    O que não tinha de sê-lo
    *
    Para hoje lhe desejo
    Um soninho descansado:
    Que a "vaca saia do brejo"
    E que o deixe sossegado

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  21. Exactamente! Mas o Fernando merece... oh se merece!

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  22. Muito sono tenho eu
    Que hoje saí a desoras
    Este pilantra do Morfeu
    Anda sempre nas horas.

    Uma noite descansada!

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  23. Esta noite talvez tenha
    De lutar contra Morfeu
    Para apanhar uma aranha
    Que, manhosa, me mordeu

    Não pense que isto é mentira!
    É a mais pura verdade
    E eu espero que em nada o fira
    A minha sinceridade

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  24. Acredito nisso mais
    Qu' ele há coisas assim
    Então com vis animais
    para eles somos festim.

    Cansado da dura apanha
    Das infindáveis batatas.
    Uma tarefa tamanha,
    Que acabou às tantas.

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  25. Ah, quem me dera poder
    Andar nessa dura apanha
    Em vez de vela fazer
    Só por causa de uma aranha!
    *
    Mas tanta mazela tenho
    Que mal me posso mexer
    Por isso já nada apanho,
    Nem a aranha, a bem dizer...

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  26. Um passarito chegaria
    para a aranha mordaz
    Com o bico apanharia
    a dita cuja, zás, tras, paz!

    Mas cuide dessa bicha
    não vá ficar super herói.
    Em qualquer mão anicha
    A linha que nem rato rói.


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  27. Anda aquela desgraçada
    A picar-me há oito dias!
    Uma baba por picada
    E eu já cheia de arrelias
    *
    Por uma osga eu daria
    Ouro e fama, se os tivesse!,
    Que uma osga engoliria
    A aranha, se aparecesse ...


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  28. Ai osga não não, por favor
    Qu´é animal que não gosto.
    Tenho delas imenso horror
    Mania minha, que desgosto.

    Vou até vale de lençóis
    Terra do bom descanso
    Depois de tantos sóis,
    Vai ser hora de ripanço.


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  29. belíssima homenagem amigo José

    "Coragem é quem vive assim,
    Simplesmente tão perto do fim,
    E ama e ama."

    Quem assim ama não merece ser esquecido, nunca.
    Abraço cúmplice

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  30. Ó José, que agricultor
    Pode temer uma osguinha?
    Inda se fosse maior,
    Um sardão ou uma anguinha
    *
    Talvez eu compreendesse,
    Mas uma osga, senhor?
    Um`osga até apetece
    Abraçar com terno ardor!

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  31. Sei que é um patetice
    ter este receio às vezes
    Até escapa a Beatrice
    Princesa dos ingleses.

    Vou partir ate amanhã
    que hoje o dia esticou.
    Dormir até de manhã,
    O corpo que trabalhou.



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  32. Tenha então um bom soninho
    Merecido e repousado,
    Que eu vou-me sentar no pinho
    A vigiar o malvado
    *
    Do bicho que nem sei bem
    Se é aranha ou se é mosquito...
    Seja o que for que lá vem,
    Dá-me um prurido infinito

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  33. Peço desculpa ontem
    Ter saído de mansinho.
    Dia toda a gente tem.
    Um amargo outro docinho.

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  34. Saiu, mas justificando
    O motivo da saída:
    Estava quase dormitando
    E eu, quase adormecida
    *
    Também saí bocejando
    Logo após a despedida
    Pra dar ao sono o comando
    De umas horinhas de vida

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