Soneto II

Porque será escrever me dói tanto


Sinto em sobressalto toda minh’ alma,


Aquela dor lancinante de um pranto.


Uma mágoa fria que jamais acalma.


 


Não sonho ser um rei ou um bom santo,


Mas entoações nuas sem vivalma


Falaram de um só amor que acalento,


Preso na minha mão, na própria palma.


 


Porque dói esta dor assim tão triste


Serei apenas um triste homem só


A quem nada aguarda nem assiste.


 


Um dia serei pó não mais que pó


Daquele que nem ao Suão resiste.


Qual milho sob a roda duma mó.

Comentários

  1. muito bommmm! Adorei!
    Acho que está óptimo, nos 14 versos impecáveis, assim como o terceto de remate fantástico! Ali no 10º verso só me atrapalhei um bocadinho a declamar o "mero homem só", mas eu sou meia surda como sabes e não sei se é válida esta humilde e bem intencionada observação? O que achas?
    Se não estou enganada também acho que tens pelo menos um dos versos em Alexandrino?
    Está fluido, bonito, e a alternância de métrica dá movimento, gostei muito, José!
    Peço desculpa pela demora, mas escrevi o comentário e não sei como carreguei no regenerar página e apagou tudo em lugar de submeter
    Força! Sempre em frente! É mais um desafio
    Noite tranquila, amigo José!
    Beijinhos!

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  2. Não percebo nada de sonetar, mas adorei o que escreveste.

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  3. Gostei muito, José!


    Um grande abraço!

    PS- Veja a sua caixa de correio electrónico, por favor

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  4. Olá amiga.

    A Maria João já comentou e enviou mail com opiniões.
    Preferia que fosse soneto a sonetilho.
    Tenho de lhe dar a volta...
    Obrigado pela presença!

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  5. Pois Isabel.
    Estou agora a tentar aprender a escrever sonetos.
    A ver se consigo!

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  6. Bom dia Maria João,

    Já vi. Vou tentar fazer as alterações devidas para que fique um soneto e não uma amostra.
    Muito obrigado pela disponibilidade.

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  7. Eheheheheh... eu tento ser discreta e vocês trazem tudo para aqui

    Um abraço!

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  8. Olá José, que bom encontrar-me com a tua escrita aqui no blogue
    Gostei!
    Tem um resto de dia muito feliz.

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  9. Estou ainda a aprender a escrever sonetos!
    Não é coisa fácil!

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  10. Olá José!!
    E bem que ficou, conseguiste dar-lhe a volta, muito bem!
    Está um belíssimo soneto!
    O terceto final espectacular "Um dia serei pó não mais que pó
    Daquele que nem ao Suão resiste.
    Qual milho sob a roda duma mó."
    Lindo!
    Parabéns, José da Xã! Isto é que é!

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