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A mostrar mensagens de março, 2023

Hoje convido eu! #24

Convidei desta vez o meu amigo padre JM , companheiro dos caminhos de Fátima a desafiar-me com uma palavra, tema ou frase. Não se fez rogado e apresentou-me o seguinte mote: passagem . Demorou muito tempo a escrever para sair assim!   Naquela manhã José Vermelhinho passou defronte da velha igreja e reparou que porta estava aberta. Ficou indeciso entre entrar ou deixar para outro dia o que há muito pensara fazer. Só que o coração mandou mais que a razão e decidiu entrar no monumento religioso. No interior reinava um profundo silêncio enquanto no ar pairava um odor a círio queimado. Olhou em redor como se procurasse alguém para depois se sentar num dos enormes bancos corridos. Ali ficou longos minutos até que percebeu uns passos vindos de trás. Imaginou que fossem do pácoro, para no segundo seguinte perceber uma senhora de negro vestida que passou devagar pelo banco onde se sentara. Em voz sumida foi desabafando: - Mais uma beata que vem aqui todos os dias... provavelmente expiar o mal q...

Dia Mundial da poesia - 2023

As palavras soltas, presas lavradas, únicas. Rabiscadas, tolas. Insensatas, frias. Mornas, brandas. Todas!   Serão sempre O meu bom refúgio.

Hoje convido eu! #23

A CAL não tem um blogue seu, mas deveria, digo eu! Seja como for e pela amizade que nos aproximou acabei por convidá-la também a desafiar-me. Aceitou, optando por um tema que nesta altura da minha vida torna-se cada vez mais importante. Lançou esta pista: sentido da vida. Pois é, não é nada fácil...    Sentou-se no banco de jardim meio sujo e já descolorido após ter libertado os netos para a brincadeira. Naquele parque infantil repleto de apetrechos para a criançada, os miúdos corriam e divertiam-se. Eram felizes, nem que fosse só naqueles instantes! Uma senhora surgiu de repente vinda não sabia de onde. - Boa tarde! Posso sentar? - apontando para o banco. - Claro – e afastou-se para o lado. - Não se mace, não vale a pena. Cabo bem aqui! Mas obrigado de igual maneira! Ele esboçou um sorriso… Pensou que poderia ter sorte e a senhora fosse daquelas silenciosas e pacatas. Não era. - Costuma vir aqui muitas vezes? - Sempre que posso. - Netos? - Sim tenho, três! - Oh que maravilha… É um ho...

Hoje convido eu! #22

É uma pena que tenha deixado de escrever. Os seus textos na maioria irreais e fruto de uma prodigiosa imaginação foram sendo depositados no blogue:  O Bom, o Mau e o Feio . Não obstante estar ora longe da escrita achei que deveria convidá-lo a desafiar-me. Assim fiz e aquele apresentou a seguinte... nem sei a que chamar:  Humuhumunukunukuapua'a . Parvoíce por parvoíce acabei por esgalhar o naco infra.   Sentiu que a terra tremia. Olhou o céu azul onde um Sol inclemente tudo queimava. Não se recordava da última vez que chovera naquele lugar. Ao longe uma breve nuvem de pó. O Mundo mudara muito desde a sua infância. Conheceu os pais que morreriam anos mais tarde mas nunca soubera como. Esconderam-lhe! A nuvem de pó aproximou-se assim como a tremedeira no solo. Encostado a um velhíssimo cajado de madeira de um tipo de árvore que já se extinguira, manteve o olhar no horizonte. A nuvem era simplesmente uma carruagem que passou por si em geande pressa. Nem se deu ao trabalho de perceber ...

Hoje convido eu! #21

A Ana Mestre dos blogues  That'it e  Palavras Minhas  é uma amiga de li«onga data e foi também convidada a participar neste meu desafio. Como mote atirou-me a palavra: lembranças . Palavra curiosa que nos remete para prendas ou daquelas bonitas recordações de lugares. Pois... leiam o que escrevi!   Artur tinha o olhar fixo no monitor enorme onde uma infindável rede de letras, números e outros caracteres se desenvolviam a enorme velocidade. Estava assim há horas. De vez em quando a tela parava. Quase instintivamente teclava qualquer coisa e logo surgia novamente a tela repleta que coisas que só ele percebia. Ouviu uma voz ao longe. Levantou os olhos e viu as horas: 3 e 23 da madrugada. - Xiiii, tão tarde. A voz que escutara ao longe estava agora atrás de si, - Como estamos, Artur? - Sinceramente? Mal… muito mal… - Já deste com o problema? - Desde o início que sei qual o problema… o que não consigo é saber como resolver… - Como não? - Sabe o que aconteceu realmente? - Sei que um vír...

Hoje convido eu! #20

O Marco do blogue  Merlo  desenha muito bem. Vai daí também considerei interessante convidá-lo a desafiar-me. Fê-lo com uma frase curiosa: cada pessoa é um mundo . Um mote que daria pano para mangas como soi dizer-se. Para mim deu o texto que segue.   Sentado na esplanada Miguel olhava o relógio. - Nunca chega a horas! – pensou. De súbito sentiu um par de mãos frias que lhe taparam os olhos. Logo percebeu que era Margarida pelo tom sedoso da pele que cobria os dedos finos da recém-chegada. Pegou na mão dela e levou-a à boca beijando com doçura. Ela surgiu na frente esbelta como sempre. - Desculpa o atraso, mas foi uma complicação para arranjar lugar para o carro! – desculpou-se depositando nos lábios do namorado um ósculo singelo. Deu a volta à mesa e sentou-se defronte. Mirou-o com olhar crítico e foi dizendo: - Tu não tens outra roupa? Calças de ganga e camisa, camisa e calças de ganga… Ele olhou a sua indumentária e acrescentou: - Mas olha que estão lavadas… - Deixa que estou a brin...

Hoje convido eu! #19

Desta vez convidei o Vagueando do blogue  Generalidades para me desafiar. Respondeu rapidamente ao meu convite apresentando a palavra: anemia . Ui pensei eu... E agora? Agora... é só lerem o que segue. Não sei se corresponde ao solicitado, mas como aqui não há regras... Mas tive de puxar pelo bestunto!   Entrou na estrada de terra batida bem devagar e foi percorrendo o caminho até ao largo espaçoso que servia de estacionamento. Parou o veículo, desligou e saiu. O vento soprava do lado do mar que ele podia ver na sua anilada plenitude. Avançou uns passos até à cerca de madeira para perceber como no fundo da falésia o mar sovava as rochas negras. A espuma branca desvanecia-se com outra onda, mas aquele vaivém tinha a sua beleza. Aspirou o ar marítimo para depois retirar do bolso do casaco um envelope donde descobriu um papel. Desdobrou-o, foi lendo para de vez em quando olhar o horizonte. Dobrou a carta e enfiou-a no bolso do casaco. Depois virou-se e reparou que bem encostado ao seu ca...