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A mostrar mensagens de janeiro, 2023

Hoje convido eu! #10

Quase toda a gente conhece a Maribel do blogue Educar(Com)Vida . Quando a convidei a desafiar-me calculei que o tema seria à volta da escola ou da educação. Não me enganei. Assim o mote sobre o quel irei esgalhar umas pobres palavras é: A escola para mim foi... Espero que gostem!   A entrevista estava prestes a terminar, percebia-se pela postura da jovem jornalista. Cepeda Miranda um ilustre desconhecido havia umas semanas, subira à ribalta após ter ganho em reconhecido prémio literário. Desde aí jamais parara. A jovem continuou: - Diga-me, agora que estamos a terminar esta nossa conversa, como é que a escrita entrou em si? - Teria os meus 13 ou 14 anos quando percebi que alguns textos que lia de forma obrigatória na escola, faziam-me espevitar, não a copiá-los, mas a dar outra roupagem... - Já que fala na escola... como foi a sua relação com ela? Era bom aluno? - A escola para mim foi... - aproveitou a pausa para de beber um pouco água - um horror! - Como assim? - Naquele tempo os pr...

Hoje convido eu! #9

Bom a coisa está a compor-se já que estamos no exercício nove deste desafio. Para hoje pedi à  ROMI do Desabafos que lançasse uma pista. E que pista ela me entregou: palavras que magoam ! Só agora consegui desembaraçar-me deste complicado desafio. Espero que gostem.   Deu conta da entrada do filho em casa. Este descalçou-se e subiu a correr as escadas para o andar de cima onde ficava o seu quarto. A mãe conhecendo o rapaz disse para si: - Humm! Este traz alguma escondida… Aguardemos. A tarde declinava para a noite. Na rua soprava uma brisa morna, apetecível enquanto na cozinha escutava-se o barulho de tachos, panelas, pratos e copos. Para finalmente: - Artuuuuur! O jantar está pronto! O jovem desceu devagar, foi ao lava-loiças lavar as mãos e logo originou uma reprimenda da mãe: - Não tens uma casa de banho? O jovem limpou as mãos a um pedaço de rolo de papel e sentou-se no seu lugar, sempre em silêncio. Serviu-se e comeu! Nem uma palavra. Por seu lado a mãe manteve a mesma postura e ...

Dor da partida

Estou de partida para lugar nenhum porque aqui não é o meu lugar. Parto sem procurar mundo algum, Deixo para trás tudo. Devagar.   Foi tempo perdido aquele que vivi Sob a bela manta de um sonho. Foi tempo ganho aquele que aprendi A amar sem saber de onde venho.   Dói-me a pura alma e o pobre coração Por já não saberem sequer chorar, Mas a dor que carrego na mansa mão não sabe que destino há-de partilhar.

A prenda de Natal

Resposta  a este  desafio A noite na cidade, naquela véspera de Natal, ganhara diferentes contornos. Não eram unicamente as luzes e os enfeites luminosos alusivos à quadra, pendurados muitas semanas antes, era acima de tudo aquele espírito natalício, tão inexplicável quão perceptível, por um jantar em família, nem que fosse somente uma vez por ano. João olhou o relógio digital à sua frente no tablier do carro e comentou para si mesmo: - Dezanove e treze… daqui a três quartos de hora vou-me embora. Mais um ou outro serviço e está o dia ganho! Conduzia devagar em busca de um eventual cliente. Uma mão surgiu do nada por entre carros, sinal evidente para parar. Travou e aguardou. A porta abriu-se e deu entrada uma daquelas mulheres que só se vêem em revistas cor de rosa. Muito bonita, vestia um casaco comprido que tapava um vestido provavelmente mais curto que o devido, já que ao entrar este denunciou o que não deveria. Pelo espelho retrovisor olhou a cliente e cumprimentou: - Boa noite! E...

Hoje convido eu! #8

Esta semana atrasei-me a escrever o texto do desafio que eu solicitei à  Ana  e que diz o seguinte: a vida só é complicada para quem se quer preocupar . Sem saber bem o que irei escrever... vejamos o que sairá!   Filho mais novo e indesejado da Júlia e do Chico o "Moinante", cedo foi entregue aos cuidados de uma tia casada, mas sem filhos. Carlos cresceu assim longe de um pai alcoólico e de uma mãe mais preocupada em saber da vida dos outros que da sua. Nunca se preocupou muito com os antecessores que sabia quem eram, mas raramente os via. Deste modo Carlitos brincou muito na rua e depressa se tornou um líder da gaiatada. Mesmo os miúdos mais velhos seguiam-no sem medo porque sabiam que dele só surgiria brincadeira. E da boa! (Como se houvesse más brincadeiras!!!) A escola foi um momento fugaz. Muito inteligente, o rapaz cedo deu mostras de saber mais do que dizia e era, por assim dizer, o local preferido para as suas estranhas e, por vezes arriscadas, brincadeiras. Quando te...

0nze anos!

Em 2012 decidi dar luz a alguns textos que estavam guardados e outrossim fazer nascer outros que dormiam dentro de mim. Mais de uma década passada continuo a perguntar-me se terá valido a pena abrir este blogue? Não só por aquilo que aqui vou depositando, mas principalmente porque tento esclarecer-me quanto à qualidade destes nacos de textos. Maldita dúvida! Independentemente daquilo que penso sobre a minha escrita, vou continuar por aqui. Agora com os desafios recentes e que eu próprio alimento... Obrigado a quem aqui vem! Sabe bem saber que desse lado há sempre alguém e ler-me!

Hoje convido eu! #7

A Di do blogue  1mulher apresentou-me a seguinte sugestão para estes desafios de escrita que vou desfiando: vale tudo na vida? Um tema sempre actual e que me deu muuuuuuuuuuuuuuuuuuuuito que pensar. Depois peguei num exemplo real, fiz algumas modificações e " voilá "!   Bateu duas vezes na porta maciça e aguardou. - Entre! Baixou a maçaneta e penetrou no gabinete que já sabia acolhedor e agradável, se bem que espartano em objectos. Uma secretária larga de pau santo muito trabalhada encontrava-se de forma a apanhar a luz do dia pelas costas. Em cima um candeeiro que espraiava uma luz amarela e quente que saía de um abajour de esmalte. No lado contrário do móvel uma pequena central telefónica que Virgínia, a secretária de Bento Paixão, lidava com saber e agilidade. Ao redor a forrar as paredes apenas madeira e ao lado do que parecia ser uma porta uma cadeira seca também de pau santo. - Bom dia Doutor Emídio Santana, sente-se que o doutor já o atende. Também ainda faltam dois m...

Triste é…

Triste do homem Que não escuta seus passos. Vive enfermo no catre Ou não se ouve?   Triste do homem Que não escuta a sua alma. Vive enfermo da tristeza Ou não se ouve?   Triste do homem Que não escuta o seu coração. Vive enfermo da desilusão, Ou não se ouve?   Triste do homem Que não escuta o pisco vadio. Vive enfermo da amargura Ou não o ouve?

Hoje convido eu! #6

A Lu do blogue  Aqui há coração foi uma das "vítimas" deste meu desafio. 'Tadinha! Fiz o convite por mansagem electrónica para esta bloguer responder  na volta com a seguinte frase:  Morte, o que haverá para além? Bom o tema é difícil e dava pano para mangas... e eu escrevi isto!   Sempre que se juntavam tinham duas certezas: a primeira é que se divertiriam e a segunda é que nunca imaginavam em que estado etílico ficariam. Ambrósio, Clemente, Saturnino e Noé, amigos desde crianças, cresceram lado a lado entre fugas à escola ou em busca de aventuras. Todavia a vida não era igual para todos, portanto mais uma razão para partilharem o que tinham. Assim se foi construindo uma amizade daquelas férreas e inquebrável. Naquela tarde quase fim de noite voltaram a juntar-se. Desta vez faltava um. Saturnino havia morrido no dia anterior num aparatoso e trágico acidente de motorizada. Abraçaram-se como de costume, mas cada um carregava a tristeza à sua maneira. Eram já homens feitos...

Um Natal rico de pobres

A noite abraçou a aldeia com o seu manto negro e silencioso. Apenas se escutava a chuva que caía abundantemente nos telhados de telha vã ou escorrendo pelos beirados. Era véspera de Natal e Arsénio atravessava o casario devagar, cansado de mais um dia de jorna dura. Todavia só assim conseguia sustentar a pobre família. A sua casa, que mais parecia um pardieiro, situava-se no outro lado do povo. E o frio e a chuva que se entranhava no corpo franzino tolhia-o ainda mais. O sino dea velha igreja tocou oito badaladas. Contou-as como se fossem passos na vida. No lar sabia que encontraria a mulher e a filha que aguardavam por um naco de broa ou umas folhas de couve para enganar a fome. Um Natal como tantos outros... de mingua! - Vida maldita de quem é pobre – desabafava para consigo. No instante seguinte apercebeu-se que alguém o chamava. Olhou para o lado e debaixo do alpendre da casa senhorial da aldeia achava-se o homem mais rico da região: - Boa noite Arsénio, para onde vais? - Bom noite...

O retrato

Ergeu o olhar para o lado oposto da mesa, mas a cadeira, tantos anos ocupada, encontrava-se agora vazia. Cinquenta e cinco anos em conjunto! Mais de meio século. E os últimos anos haviam sido de suplício, luta permanente contra uma doença que teimava em evoluir drasticamente. Lembrou-se da promessa de ambos feita muitos anos antes de qualquer enfermidade... - Nunca me leves para um lar, quero morrer na minha cama   - pedira Adelina um dia. Eduardo prometera que assim faria. E fez... - Avô não comes? A neta agitou-lhe a mão esquerda acordando-o daquele marasmo. Na mão direita a colher da sopa poisada no prato enquanto os pensamentos e as lembranças voavam. - Sim minha querida, desculpa, estava distraído. O avô fora sempre um exemplo para toda a família. A valentia, a corajem e a tenacidade haviam feito dele uma pessoa admirável e admirada. E a doença de Amélia viera mostrar quão forte era aquele homem. - Agora pai, vai viver finalmente connosco? - perguntou a filha mais velha. O velho r...

Hoje convido eu! #5

A sorte lançou o nome da Cristina dos Contos por contar   para me desafiar com uma frase, palavra ou simplesmente uma ideia. Não se fez rogada e propôs "Amo-te e agora..."  Um tema difícil como é sempre o amor, mas após muitos avanços e recuos na minha cabeça, acabei por escrever o texto seguinte que é anormalmente longo. I A morte do velho Venâncio deixou muitos trabalhadores da Quinta de Nossa Senhora das Dores preocupados. Até o feitor Amílcar temia que a única filha do patrão não estivesse à altura da gestão da enorme fazenda. Gracinda era uma jovem de pouco mais de uma vintena de anos que gostava de passear a cavalo e  a quem ninguém lhe conhecia amigos. De vez em quando surgia uma prima afastada mais ou menos da sua idade e que por ali ficava uns dias. Fora este convívio Gracinda cuidava com esmero dos cavalos por quem tinha forte adoração. Dois dias após o funeral de Venâncio, apareceu no solar da quinta um homem desconhecido. Solicitou uma audiência com a jovem órfã,...

Ceia de Ano Novo

Olhou o relógio em cima da secretária que marcava 23 horas e cinco minutos. À direita um monte de papéis para ler e dar despacho. À esquerda uma chávena grande de café acabado de tirar da máquina. Embrenhou-se uma vez mais nos papéis e esqueceu-se de tudo. De súbito um estrondo abanou o gabinete. Logo outro e depois muitos mais. Ergueu-se da secretária e abriu os estores. Lá fora a noite apresentava mais luz. Percebeu isso nas cores vermelhas e verdes que se dispersavam no céu. - Olha um fogo-de-artifício… - exclamou entre dentes, qual desabafo. E ali ficou pregada naquele espectáculo de pirotecnia. Lembrou-se da sua mocidade e das passagens do ano com o avô longe de Portugal, cada ano numa cidade diferente. A breve evocação do calor humano daqueles dias já longínquos no tempo aqueceu-lhe o coração. Mas logo de seguida reparou na secretária e nas resmas de folhas, olhou as horas no seu relógio de pulso e percebeu: - Meia-noite… E eu aqui… Só! Uma lágrima rolou pela face maquilhada deix...