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A mostrar mensagens de setembro, 2022

Amor hoje!

Não chores amor Eu chorarei por ti! Secarei as tuas lágrimas Num lenço de pura seda.   Não fiques triste amor Que a tristeza é coisa vil. Ri de mim, Ri de ti. E abraça-me… Só!   Não olhes amor. Tudo o mundo nos vê Os dedos nos meus assim. E a paixão a escorrer!

"O Fado" - José Malhoa

Resposta a este desafio   da Fátima   Sentado num vetusto banco de madeira alto e forrado com um veludo escarlate muito surrado, Jacinto procurava encaixar nervosamente os seus pequenos pés nas travessas puídas que ligavam as pernas do assento. O público ia-se aglomerando ao seu redor. Sentados? Não... de pé que leva mais gente, dizia Mestre Pereira, o dono do restaurante, sempre com o olho no negócio. Na parede atrás uma cópia velha e suja do eterno quadro “O Fado” de Malhoa. Pigarreou o artista e baixou-se para o guitarrista, que ensaiava uns primeiros acordes antes da actuação do fadista, para lhe dizer algo que ninguém percebeu. Jacinto tinha doze crescidos anos e desde sempre ouvira a sua avó Elvira a cantar fado enquanto esfregava o chão da sala com uma gasta escova. Ainda muito menino perguntou-lhe: - ‘Vó que ‘tás a cantar? A velha mulher parou de trautear e esfregar, ergueu as costas doridas ajudanado com o braço gordo e respondeu: - É um fado velhinho com'á vó! - Com quem...

Rosa do meu jardim

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Sempre que olho para ti enches-me de alegria. A tua cor ou as tuas cores, O teu cheiro ou será perfume? És a rosa mais bela do meu pobre jardim. Uma luz radiosa, clara que ilumina os meus tristes dias. Quero pegar-te levar-te comigo. Onde o mundo desconheça que nós existimos. Secarás às minhas mãos. E eu chorarei a dor de te perder.

"Young Mother Sewing" - Mary Cassatt

Resposta a este desafio da Fátima   Estou há horas a olhar para o quadro “Young mother sewing“ pintado por Mary Cassatt em 1900. Mesmo para um brutamontes pictórico como eu sou, tal é a minha insensibilidade no que se refere à interpretação duma pintura, esta tela tem uma magia própria. Há uma luz algures... naquele pequeno espaço. Tudo nele é beleza e harmonia: a mãe costurando compenetrada, a criança aos seus joelhos, a jarra azul repleta com flores amarelas, a janela por detrás deixando antever um campo verde e alguns pés de árvores. Depois o listado da costureira, a alvura do vestido da menina, as mãos inocentes vincadas na face e no braço… enfim um quadro quase perfeito. O problema mesmo é olhar para esta tela e dizer o que se sente… ou para onde ela nos remete. Percebe-se uma candura e uma paz que nos é transmitida essencialmente pela criança. Os olhos negros, expressivos denotam, porém, uma certa tristeza. Entretanto a mãe segura algo entre os dedos que suponho ser uma agulha c...

"A persistência da memória" - Dali

Resposta a este desafio A noite negra caíra havia muito sobre a cidade. Corria um vento que principiava a gelar quem se afoitava na rua. Jorge ajustou melhor o sobretudo ao corpo evitando a brisa fria. Caminhava devagar para um encontro para o qual fora convocado por um amigo de longa data, mas que não via há muitos anos. Estranhou o convite, mas como não tinha nada para fazer, aceitou. Enviaram-lhe a morada por correio postal o que lhe fez logo desconfiar da proposta. Porém como sempre gostara de desafios, ei-lo a caminhar pelas ruas desertas da cidade no sentido de uma morada meio estranha. No instante seguinte ouviu uma viatura a aproximar-se, mas não ligou. O carro passou por ele para parar um pouco mais à frente. Abriu-se a porta traseira e de lá alguém o chamou: - Jorge Gouveia? - Sim sou eu. - Entre no carro. Rápido. - Desculpe, mas tenho mais que fazer que brincar aos raptos. - Isto não é rapto. Não vai a um encontro ali à frente com o Dário? Desconfiado começou a recuar… Não e...

Eu e o mar!

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Queria ser o extenso mar, verde, azul, cinza ou preto. Doçura e raiva para mostrar, Malagueiro, manso e quieto.   Queria ser como mar revolto cuspindo som das entranhas varrer a praia do pó solto Viver aventuras tamanhas.   Sou um ribeiro escorrendo Por entre pedras desiguais. Tenho um sonho vendido àquele que me der mais!

O tempo!

O tempo é velhaco, Leva-nos as horas, os dias, as semanas.   Deixa-nos Memórias Tristes umas Outras… Já nem o são.   O tempo É vil. Rouba-nos a alegria De voltar A saber amar.   Pilha-nos A alma triste Do pouco sangue Que um dia Encheu o coração.   O tempo é criminoso Mata-nos sem dó A esperança E o sonho.   Corta cerce o velho ardor. Inunda as noites de muitas lágrimas.

Tanto e tão pouco

Queria beijar-te. Com beijos simples uns outros molhados. Quentes os primeiros Singelos os outros.   Queria abraçar-te. Enlear-te nos meus braços e apertar até sentir o teu peito contra o meu a arfar.   Queria amar-te. Entregar-me assim, sem condições, desejos. Ou fugas. Queria apenas amar-te   Mas como sempre, há um tortuoso caminho, demasiada tristeza, um rio que não corre, uma lua que não brilha.