Não quero fama nem proveito Diz este pobre escriba de versos. Continuar mesmo sem jeito, A esgalhar textos travessos. Ser poeta não é apenas isto, Deixar as palavras fugirem. É qual oleiro, criar um registo Das muitas almas a abrirem. Não serei, nem bom nem mau, Poeta de enormes feitos. Como o tocador de berimbau Que não sabe outros preceitos. Vivi anos a tentar escrever O que ninguém ousara dar luz. Passou o tempo mui a correr Nem percebi qual a minha cruz. Qual amor, qual paixão A varrer-me todo por dentro. Ficou dorido, sim, o coração Por ser só ou apenas o centro.
Corro as longas cortinas Sobre este belo destino. Cerro as janelas finas Vivo longo desatino. Mais de cinco centenas De textos publicados. Alguns ingénuos apenas Mas sempre acarinhados. Para outros trilhos parto Não em busca da luz do Sol. Aqui e agora reparto Um gesto, um mero girassol. Uma dúzia de bons anos Tantos e tantos perdidos. Saio sem remorsos, danos Só agradeço aos sentidos. Remato finalmente Com a feliz sensação Escrever é ser doente De vida e de paixão.
Todos os anos insisto Em escrever um poema. Um dia destes desisto Sem proveito nem fama. Reparo em meu redor Naquelas puras que saltam. Em torrentes de ardor, Umas choram, outras cantam. Escrevi ror de palavras Todas sentidas quiçá cruas. Umas certas, algumas parvas, Mas todas limpas e nuas! Neste fantástico dia Há quem melhor que eu Faça bela poesia. A rimar até vir Morfeu .
lindo
ResponderEliminarbeijos e feliz dia
Obrigado Ana.
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