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A mostrar mensagens de agosto, 2022

Escrita a gosto! #31

Desafio de Agosto da Ana Tema:  agosto foi… A secretaria não se via no meio de tantos papéis. A confusão era o seu ambiente preferido. Agosto estava no fim e os colegas preparavam-se para regressar em força, cheios de estaleca e de imensas coisas para contar das férias. E ele sem paciência... Ao invés ficara pela redacção a tentar despachar informação. Olhou o relógio e calculou que seria o momento ideal para regressar a casa... antes da invasão. Meteu o portátil na pasta, juntou os papéis de forma a que se visse o tampo da seceretária e saiu. No elevador encontrou alguns regressados: - Então meu como correu tudo por aqui? - perguntou um que estava com ar de torrada queimada. Sorriu e devolveu: - Agosto foi... Os outros olharam-no à espera, mas a porta do elevador fechou-se antes que ouvissem uma resposta: - ... um mês boooooom... sem vocês! - concluiu. Mas eles não precisavam saber!

Escrita a gosto! #30

Desafio de Agosto da Ana Tema:  luz noturna A festa fora de arromba e nem se recordava como chegara a casa! Acordou a meio da noite com uma enormíssima dor de cabeça. A lua que entrava pela janela estragada era suficiente para lhe iluminar o quarto pobre, desarrumado e malcheiroso. Ergueu-se da cama e procurou, ainda que atordoado, a casa de banho. Aqui chegado despejou o resto da noite na sanita e sentou-se no chão. Mais lúcido a imagem assemelhava-se a de uma série americana que vira há uns anos. Levantou-se ainda cambaleante do chão frio e sentou-se à borda da cama. Olhou ao seu redor e enfiou a cabeça entre os braços e pela primeira vez em muitos anos... chorou. De súbito uma estranha luz nocturna iluminou a sua face!

Escrita a gosto! #29

Desafio de Agosto da Ana Tema:  caneca preferida   Havia muito tempo que não entrava na casa que fora dos seus avós. Após a morte deles nenhum dos filhos conseguiu encontrar um acordo para a herança e assim a habitação ficou fechada e entregue às teias de aranha, ratos e demais bicharada. Decorridos que haviam sido mais de uma vintena de anos, regressou a uma casa onde fora anormalmente feliz. Lembrava-se das madrugadas acordadas por um galo enorme ou o balir doce das ovelhas e borregos quando partiam para os lameiros. As tardes sob uma figueira a apanhar deliciosos "pingo mel". As noites sob uma lua luminosa e o cantar das cigarras...  Empurrou a porta e esta abriu-se quase sem esforço. Entrou devagar olhando onde punha os pés enquanto afastava como podia as milhentas teias de aranha. Atravessou a sala escura e entrou na velha cozinha. A luz entrava pelas frestas das portadas de madeira deixando perceber o pó que andava no ar. Na parede um escaparate onde ainda resistiam alg...

Escrita a gosto! #28

Desafio de Agosto da Ana Tema:  eu sou…   Outrora fui poeta sem musa, pintor sem tela, escritor sem livro.   Hoje eu sou... o presente incerto, a verdade atroz a incerteza dita.   No futuro atormenta-me  o desconhecido e a dor da morte!

Escrita a gosto! #27

Desafio de Agosto da Ana Tema:  pequeno Nem sabia como se apaixonara por ele. Será que o amor se explica? Porém ninguém imaginava aquela sua paixão. Nem ele. O jovem colega nem era da turma, mas apenas amigo de algumas das suas amigas. Nem se recordava de alguma vez lhe ter dirigido a palavra. As suas colegas quando falavam dele ela fazia-se desentendida: - Não conheces? Aquele miúdo alto... - e levantava a mão acima da sua cabeça. - Não sei de quem estás a falar... - mentia. Mas o amor tem formas subtis de juntar os apaixonados e assim num certo dia plúmbeo, ele ia a sair da escola à frente dela ao mesmo tempo que começou a chover. Ela sem chapéu e perante o aguaceiro só teve expediente para dizer: - Oi pequeno ... dás-me boleia no teu chuço? Ele parou e pela primeira vez riu para ela!

Escrita a gosto! #26

Desafio de Agosto da Ana Tema: laranjas Os jovens corriam um atrás do outro. Ela cansada parou e gritou-lhe: - Dá-me as laranjas , já! Do cimo da colina ele riu e colocou os frutos no chão: - Com queiras... Aqueles começaram a rebolar e alguns foram-se esmagar perto dela. Irada como nunca se sentira a rapariga atirou: - Eis a verdadeira diferença entre um bravo e um cobarde! Ele ouviu e fugiu dali. Dizem que anos mais tarde se alistou na Legião Estrangeira donde nunca regressou!

Escrita a gosto! #25

Desafio de Agosto da Ana Tema:  pacífico Na parede à sua frente residia um calendário daqueles eléctricos e antigos. As horas desdobravam-se em folhas, assim como os dias e os anos. Sentado num “fauteill” muito surrado, fixava o olhar naquele velho aparelho. Um AVC recente havia-lhe roubado a voz e o andar e atirara-o para uma casa de repouso. Só respondia com sons roucos… e com olhares. Porém a memória estava intacta. A cada dia que passava no calendário ele recordava qualquer coisa na data. E se alguns dias ele permanecia sossegado, havia outros em que era um destempero de agitação. Era o caso daquele dia 25 de Agosto. Ele olhava a data e arregalava os olhos. Depois quis chorar, mas não conseguiu. Nesse dia recebeu a visita de um dos netos. Os olhos iluminaram-se numa alegria e por fim sossegou. O rapaz trazia uma pasta e abriu-a para o avô. Este com a mão boa passou-a pelas fotografias e olhou novamente para o neto. - Eu sei avô, eu sei! Neste dia há vinte anos entravas tu pela prim...

Escrita a gosto! #24

Desafio de Agosto da Ana Tema:  três Olhava o relógio Patek Philippe e impacientava-se. Batia com a mão na pasta preta simbolo da exasperação que o atormentava. Combinara à hora certa e passado que fora o momento combinado tudo nele se alterava. Sempre fora habituado a cumprir horários e raramente se atrasava fosse para o que fosse. Portanto... pontualidade acima de tudo. Daí aquela ansiedade quase doentia. Na longa avenida os carros passavam sem parar e ele longe de perceber em que carro viria. Por fim parou um táxi à sua frente donde ela saiu... deslumbrante. Era difícl dizer algo àquela mulher lindíssima, mas ele não a temia.  - Isto é que são horas? - e apontou para o relógio de pulso. Ela puxou o longo cabelo loiro para trés e perguntou: - Estou assim tão atrasada? - Estás e muito... - Quanto tempo? - Três longos minutos! Ela riu, abanou a cabeça e devolveu: - Então é melhor entrarmos!

Escrita a gosto! #23

Desafio de Agosto da Ana Tema:  o meu rosto Defronte do espelho olhou-se com alguma tristeza. Na face os rasgos fundos da velhice percebiam-se cada vez mais, não obstante uma penugem alva. Pegou na espuma de barbear e espalhou-a uniformemente pela cara. Depois a lâmina foi deslizando deixando uma pequena estrada. Assemelhava-se aos limpadores de neve que diariamente passavam à sua porta quando viveu no Connecticut. Outros tempos, pensou! Finalmente e após estar bem escanhoado, lavou-se. Voltou a mirar-se ao espelho e sentiu-se abatido, triste. - O meu rosto ... que outrora conquistou o mundo... Uma lágrima foi descendo pelos sulcos fundos da pele até cair na sua mão!

Escrita a gosto! #22

Desafio de Agosto da Ana dia 22 - quadrad os A polémica estava instalada ao redor de enorme mesa. Até àquele instante o repasto havia decorrido de forma amigável e divertida. Só que num segundo a faísca da discórdia saltou e os vapores etílicos já presentes fizeram o resto. O tom de voz cresceu a cada palavra discordante. Havia já algumas tentativas meio dissimuladas para passar às "vias-de-facto". Entretanto o casal anfitrião tentava apaziguar os ânimos, sem sucesso. A determinada altura um dos convivas que não entrara em polémicas e percebendo o caminho que as coisas estavam a tomar ergueu-se da sua cadeira, subiu para a mesa, colocou as mãos a fazer de altifalante ao redor da boca e deu um grito: - OI! O troar da sua voz teve o condão de apaziguar as demandas quase como por milagre. Depois: - Obrigado pela vossa atenção. Sejamos civilizados e ordeiros. Continuava a receber a atenção da plateia. Olhando em redor continuou: - Mas quem é que zaragata por considerar que os gat...

Escrita a gosto! #21

Desafio de Agosto da Ana dia 21 - hoje é...   hoje é o dia, de amar sem reservas de fugir sem receios de correr sem me cansar de cantar sem vergonha de rir até cair de chorar até sufocar de estender a mão ao póximo.   Só assim será sempre dia para se ser feliz!

Escrita a gosto! #20

Desafio de Agosto da Ana dia 20 - nuvens   Não sei se são cirrus ou cumulus o tapete que envolve o antigo anil.   São brancas e plúmbeas. Ou sei lá da cor da fresca alegria.   Não imagino se trazem invernia ou mais um dia de imenso calor.   São apenas belos novelos,  nuvens ! E eu que só desejo dormir em paz

Escrita a gosto! #19

Desafio de Agosto da Ana dia 19 - as minhas mãos   Doem-me as minhas mãos ! Uma dor profunda, de gestos pobres, acenos fictícios e de abraços simulados.   Doem-me furiosamente!

Escrita a gosto! #18

Desafio de Agosto da Ana dia 18 - há cinco anos Ela acordou, espriguiçou-se, olhou o relógio-despertador e virou-se para o lado do marido. Depois acordou-o devagar. - Olá querido, sabes que dia é hoje? O homem obrigado a acordar, ergueu-se da cama, esfregou os olhos e olhando ainda ensonado para a esposa devolveu: - Sexta-feira... acho eu! - Certo e mais? - Mais o quê mulher? - Não te lembras o que aconteceu há cinco anos ? - Não me lembro do que aconteceu ontem... Ela interrompeu-o furiosa: - És um brutamontes, um estúpido, um parvo. Nem sabes o dia em que casámos. - Eu sei... tu é que não! - Ai eu não sei? - Não... é que só fazemos anos de casados... amanhã!

Escrita a gosto! #17

Desafio de Agosto da Ana dia 17 - janela do quarto de dormir A primeira vez que o viu foi da janela do quarto de dormir . Ele passava do outro lado do passeio carregando uma mochila. Ela percebeu que ele tinha cabelos longos, doirados, que quase tocavam os ombros. De passo sempre rápido como se estivesse atrasado só olhava em frente. Um dia à tarde reparou nele, desta vez do jardim. Caminhava no passeio mais perto, mas mantinha o olhar em frente sem notar nela. Durante meses ela vi-o passar de manhã e à tarde! Jamais lhe dirigiu uma palavra nem sequer um mero sorriso. No entanto apaixonara-se por aquele jovem de cabelos longos que olhava sempre em frente no seu caminho. Um dia à tarde o jovem reparou na casa e no jardim... Muita gente de negro vestido passeava com solenidade por entre árvores e arbustos. Travou o passo e ficou a olhar aquele lugar onde, sem ele simplesmente imaginar, alguem vivera uma bonita e derradeira paixão! Por ele!

Escrita a gosto! #16

Desafio de Agosto da Ana dia 16 - respira   Olha o Sol replandescente, na sua luz.   Sente o vento permanenente na sua viagem.   Cheira a terra promitente, de um sonho.   Saboreia o pão quente, de vida fértil.   E agora finalmente... respira !

Escrita a gosto! #15

Desafio de Agosto da Ana dia 15 - unicórnio Em pé, à beira-mar perscrutava o horizonte onde dois azuis distintos se uniam. A maré apresentava-se baixa, muito baixa. As pequenas ondas lambiam-me os pés. Uma gaivota voou como que fiscalizando os banhistas! De vez em quando avançava um passo no sentido do mar. Sentia o frio da água e por ali ficava largos minutos. Assim que o corpo se habituava à temperatura evoluía mais uns metros. Com os braços cruzados sobre o peito despido… meditava! Finalmente decidiu-se por penetrar totalmente no mar frio. As ondas chocaram contra si, mas ele continuou. Mergulhou no mar anil. Sentiu o frio obrigando a erguer-se. Respirou fundo. Saiu do mar. O Sol batia-lhe nas costas com força e aquecia-o. No entanto nem o calor do astro-rei nem o frio do indomável mar lhe retiraram a dúvida que ali o trouxera. Dava voltas à cabeça, revolvia o espírito. Mas nada surgia que o ajudasse. Virou-se para o manto azul, passou a mão pelo cabelo molhado para dizer para si pr...

Escrita a gosto! #14

Desafio de Agosto da Ana dia 14 - amor é... A barulheira no bar era imensa de tal maneira que quase necessitavam gritar para se ouvirem. Aqueles dois há muito que se entretinham a beber fazendo comentários e piadas sobre quem estava na enorme sala. Entretanto no meio da pista de dança uma jovem bonita trajava uma t-shirt estampada com uma célebre frase:  amor é... Pergunta um dos ébrios: - É o quê? - apontando à vestimenta da jovem. Responde o outro: - Uma chatice! - O quê o amor? - Não! A nossa bebedeira...

Escrita a gosto! #13

Desafio de Agosto da Ana dia 13 - seis em ponto Seis em ponto ! Olhou o relógio da enorme sala e notou aquela verticalidade dos ponteiros. Principiou a arrumar os poucos objectos da secretária, desligou o computador e apagou o candeeiro que iluminava o tampo. Atrás de si num bengaleiro esticava-se um casaco, essencialmente devido ao peso das moedas que costumava trazer nos bolsos. Pegou neste e vestiu-o devagar como sempre o fazia. No momento seguinte notou uma série de olhares que seguiam atentos os seus gestos. Fez de conta que não percebeu. Por fim pegou na velha mala e sem emoção disse para quem o quis escutar: - Bom fim de semana! Dirigiu-se ao elevador e chamou-o para descer! Este chegou deu um toque e finalmente entrou. Porém alguém meteu a mão na porta e disse: - Boa reforma! - e deu um beijo na face. Na entrada principal os seguranças preparavam para lhe dar um abraço, mas ele apressou o passo repetindo o desejo: - Bom fim de semana! E desapareceu na rua. Mais tarde alguém afi...

Escrita a gosto! #12

Desafio de Agosto da Ana dia 12 - um segredo Abraçados à beira-mar poisavam o olhar no horizonte onde o Sol após a luz branca, transformara-se em amarela e iniciando ora a sua passagem para laranja, para mais tarde desaparecer e dar lugar à Lua. Eram jovens apaixonados e falavam baixinho para que o Mundo os não escutassem. Riam e conversavam coisas quase sem nexo. Ela, de vez em quando, passava as mãos pelo cabelo dele. O namorado acariciava os doirados da companheira e sorria. Um momento idílico, perfeito daqueles para recordar para sempre. Só que ela, como que picada por algum insecto, endireitou-se, pegou na face do jovem e olhando-o profundamente declarou com solenidade: - Tenho algo importante para te dizer... - Sim e... - É uma coisa que deves guardar contigo para sempre! - Um segredo? - Sim e daqueles enormes - e fez um gesto com as mãos a exemplificar o tamanho. - Então não o digas pois se me disseres deixa de o ser... A jovem arregalou muito os olhos e deitou a cabeça devagar ...

Escrita a gosto! #11

Desafio de Agosto da Ana dia 11 - verde Uma jovem entrou na farmácia em passo lento. Dir-se-ia mais que rebolava tal era o seu peso. Para além do aspecto volumoso a jovem denunciava evidente desmaselo. O cabelo apertado num novelo quase se assemelhava a um ninho, a roupa que trajava estava suja e malcheirosa, os chinelos de enfiar mais estragados que inteiros. Toda ela parecia saída de um qualquer esgoto... Aproximou-se do balcão e perante o técnico: - Bom dia! - cumprimentou numa voz quase abafada. - Bom dia, faça favor de dizer. - Quero uns comprimidos para as dores! - Tem receita? - Ah não, é preciso? - Convém... Depois num acesso de lucidez: - Ah espere... Foi à sacola meio descosida e tirou de dentro uma pequena embalagem. Mostrou-a ao famacêutico, dizendo: - É igual a esta caixa verde !   ( baseada em factos reais)

Escrita a gosto! #10

Desafio de Agosto da Ana dia 10 - amarelo - Estás com ar de quem te devem dinheiro e não te pagam... - Oh pah tu não brinques! - Que se passa? Posso ajudar? - Tu ajudar? Nem por isso... O amigo perante o ar assaz triste do antagonista, constatou: - Estás com um ar amarelo ! Será da cerveja? O outro devolveu irritado: - Não... é dos tremoços !

Escrita a gosto! #9

Desafio de Agosto da Ana dia 9 - vermelho Olhava para a tela ainda inacabada e franzia o sobrolho. O pintor continuava a pincelar o quadro com todo o cuidado, quando, de súbito, parou e perguntou: - Que me dizes. hem? O amigo não sabia o que comentar para logo devolver: - Como se chamará o quadro? Não será que tem uma certa cor a mais? O pintor virou costas ao quadro e de dedo em riste perguntou: - De que cor é o sangue? Sem aguardar resposta continuou veementemente: - E as papoilas, os cravos de Abril, as bandeiras da revolta, o teu Benfica? De que cor são? - Vermelho ! - Ah pronto... eis o nome desta tela!

Escrita a gosto! #8

Desafio de Agosto da Ana dia 8 - sabor preferido   Tu meu amor, serás sempre o meu sabor preferido.   Porque sabes chorar e rir, porque sabes sonhar, porque sabes a mar e amar.

Escrita a gosto! #7

Desafio de Agosto da Ana dia 7 -  debaixo dos teus pés - Olá! Assustado olhou em redor e não percebeu ninguém a chamá-lo. No entanto escutara perfeitamente o cumprimento. Continuou a sua caminhada em passo normal quando... - Olá outra vez! Estacou. Quem o chamaria ou no mínimo estaria a cumprimentá-lo? Seria que estaria doido? De outra forma como poderia escutar o que estava a ouvir? - Já reparaste debaixo dos teus pés ? Decididamente estaria a enlouquecer. Sózinho na praia, apenas com o mar cinza como companhia não seria possível estar a ouvir alguém a falar consigo. Ainda por cima deixara o telemóvel no carro. Mas as palavras ressoavam na sua cabeça e olhou para o chão e viu a areia. Esta brilhava agora que o Sol parecia querer furar o céu plúmbeo. Depois aquela água mansa, cálida que ia e vinha como se quisesse que ele percebesse quanta beleza poderia ser aquele momento.. de serena Paz. Sorriu e regressou à caminhada. Não mais o voltaram a chamar.

Escrita a gosto! #6

Desafio de Agosto da Ana Dia 6 -  estou a ler… - Alice, Alice - chamou a mãe. Nem uma resposta. - Que miúda esta... desaparece e nem diz nada a ninguém... Que coisa! Voltou ao chamamaneto: - Alice, Alice... Acabou por abrir a porta para o longo quintal onde uma horta crescia com profusão rodeada de umas laranjeiras verdes e já salpicadas de pontos amarelos. Gritou: - Alice.. - Estou aqui mãe! - Ah finalmente. Que estás a fazer? - Nada...   Estou a ler... A mãe recolheu a casa com um pensamento. - Que encontrará aquela cachopa nos livros?

Escrita a gosto! #5

Desafio de Agosto da Ana Dia 5 -  meio-dia Tlim-tlão, tlim-tlão... Doing, doing... Plim, plim... O neto correu pela casa. Procurou no quarto, na sala enorme, na casa de banho. Depois lembrou-se espetendo o dedo no ar: - Ah já sei. Correu célere para o escritório. Ali estava ele, o velho avô, completamente surdo e de volta de uma caixa com peças pequenas de relógios. Tocou-lhe na perna e o ancião como que acordou... Depois apontou para o relógio de parede. O avô há muito que não conseguia ouvir qualquer som, mas vendo os ponteiros dos diversos relógios e a alegria do fedelho disse quase gritando: - É meio dia !

Escrita a gosto! #4

Desafio de Agosto da Ana Dia 4 - doçura Ela olhou-o com aquela doçura  única dos verdadeiros apaixonados. Ele, deitado na cama do hospital, não conseguiu perceber o olhar!

Escrita a gosto! #3

Desafio de Agosto da Ana Dia 3 - manuscrito As diversas depressões (ou seria a mesma?) atiraram-no para um limbo que não sabia muito bem onde deveria estar. Mas naquela tarde penetrou no sotão por aquele alçapão tantas vezes proibido e olhou em seu redor. As aranhas haviam tomado conta do local. Porém havia alguma luz que entrava por entre as telhas vãs e a visão foi-se adptando à relativa escuridão. Aquele local parecia saído de um livro de aventuras. Arcas, malas, lavatórios de loiça, rádios que nunca vira, até um relógio de parede repousava no chão. Abriu as malas e de lá foi retiranto livros, muitos livros... todos eles com aquele odor tão característico da vetustez. Ou quiçá de estarem fechados! Encontrou no fundo uma pasta de couro. Abriu-a e entre outros papéis pegou naquilo que parecia ser um livro escrito numa caligrafia certa, com uma ligeira inclinação, todavia assaz legível e muito bonita. Leu a primeira frase: " A morte e a vida são faces opostas da mesma moeda, depen...

Escrita a gosto! #2

Desafio de Agosto da Ana Dia 2 - folha   Olhava aquele pedaço de papel branco e nada lhe ocorria. Rigorosamente nada. Só se lembrava daquele célebre texto de Jorge Luís Borges. Podia escrever, desenhar ou simplesmente amarfanhar e deitar o papel no lixo. Contudo aquele não era um só papel... mas uma folha de papel alva como a roupa das lavadeiras da aldeia. Que tinha o desejo de ser apenas preenchida! Com qualquer coisa!

Escrita a gosto! #1

Desafio de Agosto da Ana Dia 1- luz da manhã   A noite mansa partia agora, Após longas horas de vela Não sabia se era dentro ou fora, A tristeza de ela ser a mais bela.   Amava-a tanto e tão pouco Que queria fugir, desaparecer. Correr, correr como um louco Para os seus braços e adormecer.   Aquela inebriante luz da manhã , Sabia-lhe a gloriosas memórias. Entre fardos, sacos e mantas de lã, Eles amaram-se por entre estórias.   Uma lágrima cristal caiu da mão!