Entre chegadas e partidas! - #4
(continuação daqui)
Rosália não se espantou com o cumprimento tão matutino, diria mesmo que o aguardava. Virou-se e deu de caras com Virgílio. Este desmanchara-se num enorme sorriso, para depois teimar:
- Parabéns pelo seu trabalho de ontem. Então aquela entrada de improviso, deixou todos de boca aberta. Muito bem!
- Ohhh. Simpatia sua... - tentando desviar o tema da conversa - e hoje para onde vai hoje?
- Vou sair no voo das 9 e 10...
- Paris Orly, portanto!
- Pois, mas sinceramente não me apetece.
A jovem arquitecta tentou saber mais e havia uma questão que lhe bailava, mas nunca tivrera coragem de proferir. Porém desta vez:
- Explique-me o que faz para andar sempre no laréu?
Virgílio calculou que um dia a questão ser-lhe-ia colocada e respondeu sem rodeios:
- Agora? Bom agora não faço nada... tinha acabado de vender a minha empresa quando cheguei naquela manhã de S.Francisco, lembra-se?
- Muito bem!
- Nesta altura vivo do dinheiro que ganhei com esse negócio. Quase trinta anos a construir esta empresa... para a vender a uns tipos de Silicon Valey...
- Não tem família para o acompanhar?
O empresário poisou os olhos no balcão e carregou-se então de um ar sério e triste. Depois recuperou o antigo aspecto e respondeu:
- Há perto de um ano faleceu a minha mulher após anos de uma luta inglória contra um cancro da mama.
- Lamento...
- Obrigado. E os meus dois filhos, que são gémeos, dedicam-se a uma actividade estranha: são ambos jogadores profissionais de póquer.
- Logo os dois?
- Sim... Todavia jogam sempre em locais diferentes, nunca um contra o outro! O que ganham e perdem dividem pelos dois.
- Bem visto! E ganham bem?
- Ui... bem demais! Estão ricos!
- Essa coisa do póquer pensava que era só publicidade, mas pelo que me diz...
- Feita com cabeça é muito proveitosa, mas raramente os vejo! Andam sempre por aqui e por ali.
- Não me diga que é por isso que viaja tanto... - e após um breve silêncio - a ver se os apanha em algum aeroporto.
Virgílio quase riu com a ideia pouco sensata, mas plausível! Depois atacou o croissant e o galão. Terminou com um café. Na enorme sala o movimento de passageiros a chegar e a partir parecia crescer. Pagou a despesa e despediu-se:
- Rosália tudo de bom e mais uma vez se necessitar de ajuda ligue-me. Não se iniba!
A jovem teve então um gesto estranho. Despiu o avental, deu a volta ao balcão e aproximou-se de Virgílio. De frente para um homem apenas pediu:
- Desculpe!
E beijou-o.
Por fim voltou ao avental enquanto para responder a um cliente:
- Se chegou agora vem de Londres, com toda a certeza!
Será que vai dar pano para mangas? Espero que sim!
ResponderEliminarIsto pode ser unicamente um esboço para outra coisa qualquer!
ResponderEliminarA seu tempo se verá...
eu fiquei com a sensação de um fim
ResponderEliminarestou a adorar
beijos grandes aos dois, para ti e a Isabel
Obrigado Ana.
ResponderEliminarMas tens razão era para ser um fim o episódio anterior, mas o parvo do meu espirito andou em bolandas comigo para continuar!
ResponderEliminarQuando é que podemos ler o #5???
ResponderEliminarAndo a pensar nele Ana!
ResponderEliminarBom fim de semana!