Despedida!

Resposta a este desafio da Ana


Ana_deus.jpg


Retirou o pequeno caderno da gaveta, soprou o pó, depois passou-lhe a mão por cima e finalmente rodou a pequena chave do cadeado.


Antes de abrir o velho diário mirou a imagem da figura feminina e recordou as infrutíferas tentativas de fazer aquele penteado. Depois os pássaros (seriam pintassilgos ou uns meros cartaxos?), a borboleta poisada...


Uma nostalgia subiu ao coração, mas arriscou abrir o caderno. Começou a ler devagar folheando cada página manuscrita naquela letra redonda e certinha. Uma escrita escorreita sem grandes floreados e assertiva. Lia excertos aqui e ali onde percebia que a sua vida fora muito mais que estudos e mais estudos. Algumas alegrias e muitas tristezas, a maioria desilusões de amor... No fundo o prenúncio do que seria a sua vida futura.


Depois foi vendo as colagens. Um cravo vermelho, dois candeeiros de cor quente, uma porta fechada, uns ténis alvos... Se estes a transportavam para o tempo de menina traquina e reguila, já os outros recortes faziam-na sentir estranha. Mas porquê colar aquilo? Olvidara completamente...


Por fim olhou o relógio e apressou-se a arrumar tudo como estava antes. Guardou consigo apenas a chave do cadeado do velho diário.


Saiu do que fora o seu antigo quarto e passeou-se pela casa como estivesse num museu a olhar para objectos com história, para se dirigir à porta de saída, olhar uma derradeira vez e sair.


Na rua dirigiu-se a um casal ainda jovem, que parecia aguardá-la, e entregou-lhes as chaves daquela que fora a sua casa, dizendo:


- Já me despedi!

Comentários

  1. gostei! é um bom texto.
    obrigada, amigo
    beijinhos e tudo de bom

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  2. Ana,

    este não é um bom texto, porque o anterior era bem melhor!
    Só que ontem escrevi o primeiro texto e pensei que estava publicado. Todavia esta manhã é que me apercebi que "neribi"... não havia texto nenhum.
    Apanhei uma fúria que nem imaginas... Estava bravo mesmo!
    Estava tão giro o de ontem. Mas como sabes não há hipótese de escrevermos textos iguais... Nunca!
    Portanto saiu este que é pobre.
    Porque tu mereces o melhor e eu por vezes não consigo.

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  3. obrigada pelo carinho. o primeiro texto podia ser melhor, mas este não deixa de ser bom

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  4. Mais um bonito apontamento teu, nestes desafios da Ana. Gostei muito.
    Tudo de bom, José.
    Bjs

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  5. Pois bem sei, José. Estou em dívida para contigo, talvez no fim de semana venha a musa inspirar-me, não está fácil...
    Tudo de bom.
    Bjs

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  6. Amiga,

    não tens obrigação nenhuma!
    Bom fim de semana!
    E as melhoras!

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