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A mostrar mensagens de maio, 2022

Despedida!

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Resposta a este desafio da Ana Retirou o pequeno caderno da gaveta, soprou o pó, depois passou-lhe a mão por cima e finalmente rodou a pequena chave do cadeado. Antes de abrir o velho diário mirou a imagem da figura feminina e recordou as infrutíferas tentativas de fazer aquele penteado. Depois os pássaros (seriam pintassilgos ou uns meros cartaxos?), a borboleta poisada... Uma nostalgia subiu ao coração, mas arriscou abrir o caderno. Começou a ler devagar folheando cada página manuscrita naquela letra redonda e certinha. Uma escrita escorreita sem grandes floreados e assertiva. Lia excertos aqui e ali onde percebia que a sua vida fora muito mais que estudos e mais estudos. Algumas alegrias e muitas tristezas, a maioria desilusões de amor... No fundo o prenúncio do que seria a sua vida futura. Depois foi vendo as colagens. Um cravo vermelho, dois candeeiros de cor quente, uma porta fechada, uns ténis alvos... Se estes a transportavam para o tempo de menina traquina e reguila, já os ou...

A cor do mar!

Resposta a este desafio Era uma vez uma mulher chamada Edna que tinha problemas de visão. Um dia sentada na sua barraca feita de terra batida e tecto de colmo, escutou vindo do centro da aldeia um enorme alvoroço. Ouviu as crianças a gritarem num frenesim incomum. Mas em vez de se levantar deixou-se ficar sentada pois sabia de antemão que em breve alguém lhe traria novidades. Ainda não havia decorrido um minuto e logo um rapazito descalço e quase sem roupa entrou a correr pela porta que nunca existiu. - Mã Edna, mã Edna… chegarem… chegarem… A idosa estendeu a mão gorda e tentou acariciar o cabelo encarapinhado do menino. Este aproximou-se e deixou que matriarca da tabanca o tocasse para depois lhe perguntar: - Seninho quem vem lá? - Os doutor… os doutor… Vem ver olhos… Edna ergueu as mãos para o Céu e disse: - Eu sabia… eu sabia… - Sabia quê mã Edna? A velha não respondeu. Arrancou o pesado corpanzil da velha cadeira e procurou com as mãos o buraco da porta que não havia. Aproximou-se ...

Conta a história da tua vida como se fosses uma abelha

Mais um desafio proposto pela Ana . Nasci e em breve me tornei operário. Nunca tive tendências a ser zangão e muito menos rainha. No entanto voei muito… Palmilhei quilómetros por entre flores lindas e perfumadas e plantas que nem flores tinham, em busca do melhor néctar. Umas vezes consegui outras nem tanto! Servi os altos interesses dos outros enquanto pude. Depois passei a interessar-me unicamente pelos meus. Mas é assim a vida. Hoje sou uma abelha guardiã, daquelas velhas prestes a morrer, após uma corrida contra o tempo real e abstracto. Por muito mel que coma terei sempre um pedaço de fel dentro de mim!