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A mostrar mensagens de fevereiro, 2022

Contos Tontos - 41

Acordou sobressaltado. O Sol parecia querer despontar repleto de luz e cor. Copntudo um velho cortinado tapava quanto podia a luz solar. A seu lado a companheira daquela noite dormia ainda. Mexeu-se devagar de forma a evitar acordá-la, puxando os braços nus para fora dos lençóis e converteu as mãos numa improvisada almofada. O tecto branco reflectia alguma luz oriunda da rua e ficou a observá-la pacientemente e a perguntar a si mesmo como chegara ali, ao ponto de estar na cama com a sua ex-mulher enquanto a amante o aguardaria no apartamento. A vida dava cada volta… Ouviu a voz feminina chamá-lo de mansinho: - Jorge… estás acordado? - Estou, mas acordei há pouco. Porquê? - Porque tens de te vestir e ir embora rápido. - Ups… - O meu namorado é muito ciumento e não gostarias de o encontrar, nem ele a ti! - A ver se eu percebo… tu dormiste comigo quando tens um namorado? E não me dizes nada? - Tu também tens uma amante… - Amiga colorida, se fizeres favor! - Ou isso… Jorge levantou-se num ...

Contos tontos - 40

Havia semanas que a seguia. À distância, não fosse ela desconfiar. Aquele amor nascera assim... de repente como um corte de faca afiada. Não fora na epiderme, mas na alma. Idolatrava-a em silêncio e no escuro do quarto, pela madrugada de insónia, imaginava a passear com ela de mãos dadas à beira-mar. Ou então em sonhos maravilhosos... Todas as manhãs saía cedo correndo até a ver sair de casa. Seguia-a e protegia-a. Pensava ele. Até que naquele dia, já na rua ela aproximou-se de um homem mais velho que parecia esperá-la, osculou-o com paixão e dando a mão seguiram o caminho. Estacou miseravelmente triste, ficando a reviver o que sonhara e imaginara com ela nas últimas noites. E agora... como apagaria para sempre os sonhos?

"Several circles" de Wassily Kandinsky

Resposta ao desafio   da Fátima Pegou no portátil para esgalhar o seu costumado texto sobre um quadro. O dia amanhecera luminoso, mas frio resultado de um Inverno demasiado seco. Procurou imagens do quadro do artista russo Wassily Kandinsky denominado “Einige Kreize”* e ficou serenamente a olhar para aquele conjunto de círculos que lhe surgiram na frente. O quadro era curioso, engraçado, quiçá diferente. Todavia entender o que o fantástico artista pretendera mostrar é que se tornaria mais difícil. Na verdade nunca tivera jeitinho nenhum para ser critico de arte ou, no mínimo, perceber o que o pintor pretendera dizer através do seu pincel. - Onde estão as metáforas? - questionou-se. Enquanto ia rabiscando algumas ideias, à sua volta volteava qual borboleta a sua neta Maria. Uma menina traquina, como são todas as crianças, mas esperta e vivaça. A menina brincou com os bonecos, passou em seguida para os livros de colorir e foi aí que o avô olhando a cachopa teve uma ideia. Colocou o quad...