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A mostrar mensagens de janeiro, 2022

Dez anos de escrita!

Quando há uma dezena de anos me aventurei a dar luz ao que fui rabiscando durante muito tempo, parti do princípio que rapidamente fecharia esta loja de escrita. É certo que também não tinha quaisquer responsabilidades (leia-se disciplina) em publicar aqui e assim fui deixando estar o espaço em aberto para acolher alguma ideia que eventualmente me surgisse. Passado este todo tempo reconheço que fiz bem em manter este blogue. Um espaço reconhecidamente mais intimista e sereno, próprio de quem escreve por prazer e devoção. Não posso, outrossim, deixar de referir os desafios de escrita que a partir de 2019 foram surgindo na blogosfera e que eu de uma maneira muito pessoal foi tentando responder com enorme prazer! Escrever tem sido, deste modo, uma espécie de terapia e com a qual vou desfiando algumas mágoas e muitas alegrias. Contas feitas foram aqui publicados 320 postais dando origem a 2872 comentários e 349 favoritos . Números que serão efectivamente muito mais do que estaria à espera...

Escrito na pedra!

Resposta a este desafio da Ana Todas as manhãs subia a escadaria que o levava à rua de cima evitando ter de dar uma volta enorme com o carro. O empedrado da escada alternava entre o preto do basalto e o branco do calcário. Nos intervalos algum musgo alimentado pelas últimas chuvas. Aqui e ali umas beatas já debotadas. À tarde descia as mesmas escadas num passo rápido. Nas paredes inscrições amorosas ou grafittis indecifráveis. Noutras alguns slogans políticos já em desuso e descoloridos. Por vezes passava sem ligar outras lia e ria. Naquela tarde, contudo, havia uma cercadura onde as pedras estavam levantadas mesmo no centro da escadaria obrigando-o a desviar-se do seu costumado trilho. Durante dias assim esteve aquele impedimento. Na semana seguinte quando voltou a subir reparou que finalmente a vedação fora retirada notando-se ainda alguma areia no chão oriundo da reparação. Mas desta vez ao passar por cima reparou que uma das pedras tinha uma inscrição. Baixou-se e leu: “Queres ca...

Léxico em estado puro!

Vovó, vovó A gaiata chama. Queres um popó A avó oferece. Tens de fazer um o-ó!   Mais tarde é o vovô Que dá a boa papa. Mas a menina tem cocó Ou será somente xixi? Calcula a titi.   Há um miau que é gato E um ão, ão patudo. Depois vem o pá de pato E o piu-piu do passarinho Falta a tuta de tartaruga.   Aprender a falar ou a dizer o que se sente é duro, já que as palavras simples serão apenas sons de um amante coração.

Laura

Mais um para a já longa lista da Isabel!   Laura acordou. Um barulho incomum na casa havia-a despertado. De pijama com ursos estampados, ainda meio ensonada, abriu a porta do quarto. O barulho havia parado. Voltou então à cama quente e apetecível. A menina tinha oito anos de inocência adequada à idade, mas dona de uma inteligência especial. Aprendera a ler sozinha… muito tempo antes do tempo escolar pois admirava-se muitas vezes com o pai, que de livro em riste, conseguia rir e até chorar apenas com a leitura. E quando o via demonstrar alguns sentimentos perguntava-lhe: - Pai, porque ris? Ao que ele geralmente respondia: - Este livro é muito engraçado. Quando souberes ler dou-to para tu leres. Irás gostar. Deste modo Laura, desde muito cedo, tentou iniciar-se na leitura. Abordou a aventura com livros simples que cresciam por toda a casa. Todavia com a chegada do primeiro ano escolar e mais tarde de um computador com normal acesso à rede de   Internet , Laura facilmente teve acesso a o...

Dois anos!

O tempo esse guloso de vida Somou mais um, um apenas A um outro de alegria vivida, De manhãs e tardes amenas.   Desfolharam-se longos dias Em que foste dama e rainha. Desembrulhaste alegrias, A alma deixou de ser minha.   Dois anos de certezas e amor. De risos e palavras perdidas Dois anos de gargalhadas e calor De ternuras jamais escondidas.   As tuas doces e quentes palavras São mel, pérolas doces, macias. Teus gritos são inocentes loucuras, Que eu recebo como belas carícias.   Será tonto este amor, esta paixão Por ti quando te pego e te sinto? Será luz ou simplesmente ilusão Estas palavras que ora te pinto?