Um objecto quotidiano – V

Resposta ao desafio da Ana


Sentado à secretária no enorme anfiteatro, Alcides aguardava a vinda dos alunos. Um a um foram chegando pela porta de lado e foi cumprimentado:


- Bom dia!


Cumprimento que todos respondiam de igual forma.


Olhou o relógio e percebeu que faltavam ainda dois minutos para a hora do início da aula. Foi folheando uns compêndios que estavam espalhados na secretária, abria uma página depois tirava anotações para, de súbito, se levantar aproximando-se do estrado de madeira para principiar a aula.


Porém faltavam 30 segundos, quiçá o suficiente para chegaram mais discentes. Olhou o relógio e deixou que este fizesse correr lentamente o tempo. Assim que chegou à hora certa retirou-o do pulso, agitou-o nas mãos e depois principiou:


- Bom dia mais uma vez.


- Bom dia senhor engenheiro – responderam em uníssono os alunos espalhados pela plateia.


- O que tenho aqui na minha mão é um aparelho que mede o tempo. Chama-se relógio, mas vocês já sabem. O que talvez não saibam é que é um objecto quotidiano, certo?


Silêncio sepulcral. Para logo a seguir um braço levantar-se e alguém perguntou:


- Engenheiro o que quer dizer quotidiano?

Comentários

  1. Muito bom! Pelo menos temos que lhe dar o mérito de ter perguntado já que ainda não sabiam, o problema foi terem a pergunta numa idade já avançada...

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  2. O problema é esse mesmo. Avançada!
    O meu filho mais novo que é professor numa faculdade queixa-se que há muitos alunos que não percebem o que ele diz.
    Na verdade o rapaz sempre teve queda para a escrita e lê muito... Algo que os jovens não fazem!
    Depois admiram-se.

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