Desafio de escrita dos pássaros #3.0 - Tema 2
Mote: afinal havia outro... fogão
Atravessou a rua pejada de viaturas da polícia e outras descaracterizadas que cortavam totalmente o trânsito da rua, serpenteando por entre elas até chegar ao passeio contrário onde surgiu um corpo já tapado com um pano branco. A seu lado reconheceu um velho inspector, mas de outra brigada. Assaz gordo Arcílio tinha quase todos os vícios: fumador, jogador, preguiçoso e lambão.
- Bom dia Arcílio, que fazes aqui? – e estendeu-lhe o punho para um cumprimento.
- Olha o Val… Acordaste cedo hoje! – e deu uma risada.
- Pois acordei… Ou melhor acordaram-me… Já te perguntei o que fazes aqui. Isto é um homicídio não uma rusga.
O outro saca de um cigarro, acende-o com o isqueiro voltando as costas contra o vento e tapando com a mão. Depois devolve:
- Isso pensas tu… Já viste a vítima?
- Ainda não… Deixa-me espreitar…
Levantou o lençol, olhou demoradamente e depois anunciou:
- Uma jovem entre 30 a 35 anos, conhecia quem a matou e quem o fez era canhoto.
- O problema reside aí…
- Onde?
- No sexo…
Valdemar não entendeu:
- Agora não percebi…
- Há três anos essa Arcizete que está aí morta chamava-se Octávio…
- Ok. Isso quer dizer o quê? Alguém a matou…
- Pois…
Valdemar percebeu, mas não deu seguimento à conversa. Perguntou:
- Sabes onde morava a vítima?
- No terceiro andar desse prédio aí – e apontou com o queixo.
- Vamos lá?
- Nem penses… Nunca mais chegaria lá acima!
O jovem inspector riu e dirigiu-se ao velho e degradado edifício. Assim que entrou subiu ao nariz um cheiro a bafio. A cada degrau que pisava este rangia sob o seu peso. Valdemar temia que o passo seguinte fosse desfazer a velha e carunchosa escada de madeira. No cimo do prédio o patamar era mal iluminado por uma pequena janela redonda que havia muito tempo que não via limpeza. À esquerda encontrou a porta aberta de um apartamento e um polícia do lado de dentro a guardar. Identificou-se e penetrou num local ínfimo onde reinava a confusão. Parecia que alguém havia entrado ali em busca de qualquer coisa. Tentando não tocar em nada Valdemar foi escolhendo os sítios para colocar os pés com todo o cuidado. Andou pela sala, entrou numa divisão onde mal cabia a cama, seguiu-se a casa de banho também ela demasiado acolhedora, para terminar na cozinha.
Abriu armários, vasculhou alguns e quando deu por terminada a pesquisa regressou ao patamar para voltar à rua. Nesse mesmo instante Arcílio acabava de chegar ao piso tentando respirar. Valdemar aguardou que o colega recuperasse o fôlego para começar a descer.
- Já vais?
- Já!
- Alguma novidade?
- Humm, nada de interessante.
- Vou só dar uma espreitadela.
- Ok, vou indo!
Ainda antes de começar a descida Valdemar declarou:
- Olha Arcílio afinal havia outro… fogão! – e principiou a descer as escadas.
O obeso inspector coçou a cabeça e sem entender patavina encolheu os ombros e penetrou no apartamento.
Comentários
Não está certo!
Este detective promete...
Gosto muito de ler policiais mas nunca me aventurei a escrevê-los. Provavelmente nem sai nada policial.
Depende dos temas...
Bom fim de semana.
Não tens uma personagem para se meter com ele?
Bom fim de semana.
Os temas não são nada fáceis... Safa!
Bom fim de semana.
E eu a pensar que sim.
Bom fim de semana.
Bom fim de semana!
és um provocador. eu disse que gosto mais. não significa que não tenha gostado dos contos anteriores
Eheheheheeh!
E o próximo tema até se ajusta ao teu policial.
Bom fim-de-semana.
Ahahahahah!
Gostei muito, mal posso esperar para saber qual era o outro fogão?!
Era um fogão, pura e simples.
Um género literário que alia o drama com o humor e que nos leva numa montanha russa de emoções é sempre vem vindo. Nunca sabemos o que iremos encontrar na próxima curva.
A ver o que sai...
Bom domingo.
Aguardam-se as cenas dos próximos capítulos
Muito bom!