A última cor! #2

A secretária muito bonita, mas pouco vestida e profundamente maquilhada atendeu o telefone e após ter respondido quase em surdina levantou-se do lugar e aproximou-se do jovem:


- Quer fazer a fineza de me acompanhar.


- Ah sim, com todo o gosto!


A jovem assistente seguiu na frente e abriu a porta do gabinete deixando que o outro entrasse.


- Faça favor.


O jovem agradeceu e passando pela frente da esbelta secretária, penetrou no gabinete que já conhecia. Ao fundo o editor de pé olhava pela janela. Dando conta da visita virou-se repentinamente estendendo a mão para um cumprimento:


- Ora viva caríssimo, o que o trás por cá?


- Não sei se se recorda do que me pediu para fazer antes de publicar o dito livro das cores…


- Muito bem…


Sem mais diálogo o jovem escritor entregou ao editor um envelope fechado. Acrescentou:


- Aqui está… Espero que seja a cor que calculava… e que esteja do seu agrado!


- O quê? Você já escreveu o conto sobre uma tal cor que faltava?


- Correcto.


- Então deixe-me ler… - e foi abrindo o envelope donde retirou as folhas impressas.


Depois sentou-se no enorme cadeirão de pau-santo e ficou a ler o texto. Entretanto vendo o jovem de pé, convidou:


- Sente-se.


O escritor agradeceu sentando-se e ao invés da primeira vez, embrenhou-se na leitura de um livro que trouxera enquanto aguardava a resposta do editor. Tinha consciência que o texto era muito diferente de todos os outros, todavia interiormente temia que as coisas não corressem como calculara.


Passados alguns minutos percebeu alguma agitação no seu oponente. Ergueu o olhar no mesmo instante que o editor se levantou do robusto cadeirão e dando uma palmada forte na secretária deixou que uma gargalhada inundasse o amplo gabinete.


- Ahahahahahahahahah! Era isto, era isto que eu esperava de si!


- Ai sim – respondeu com um pouco de ironia, o jovem.


O editor voltou a rir com gosto. Contudo havia algo que lhe mordia a curiosidade.


- Explique-me lá como soube que era esta a cor que eu queria.


- Simplesmente porque o senhor não queria cor nenhuma, mas unicamente saber como sairia eu deste desafio.


- Você para além de ser bom escritor é espeeeeeeerto. Parabéns pelo texto e vamos seguir para a publicação do livro.


- Fico deveras contente por ter gostado.


- Mas posso fazer uma derradeira questão? – insistiu o editor.


- Faça favor…


- Como é que raio se lembrou da “cordeburroquandofoge”?


Foi a vez do jovem rir com gosto!

Comentários

  1. Sem dúvida a cor que faltava.
    Gosto muito destes relatos/histórias que escreves.

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  2. :) lembrei-me de um poema que vinha num qualquer livro da minha escola primária e que era algo parecido com isto:

    Um cavalo tinha um rabo
    Cor de burro quando foge
    Mas o cavalo não sabia
    E ele corria, corria,
    Sem comer nem dormir
    Toda a noite e todo o dia.
    Até que por fim, cansado
    Caiu e assim ficou.
    E o que ele agora tem, coitado
    É um rabo
    Cor de burro deitado.

    :)

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  3. Ahahahahahah.
    Isso já não é do meu tempo.
    Serei muuuuuuuuito.mais velho.

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