Azul Cobalto!
Havia alguns dias que Nuno percebia no filho uma certa melancolia, nada apanágio do jovem. De vez em quando perguntava propositadamente despreocupado:
- Passa-se alguma coisa contigo? Pareces amorfo...
Ao que Artur respondia sempre:
- Não pai… está tudo bem!
Mas o ar pesado e triste do jovem não deixava o pai crer nas palavras do filho. De vez em quando era a mãe que esfregando com doçura a farta cabeleira de Artur, o questionava:
- Então rapaz como está a escola?
- Mãe… pareces o pai… sempre a fazer perguntas.
- Peço desculpa, mas coração de mãe sente que algo em ti não está bem… ou estarei enganada?
- Estás enganada… Posso acabar de estudar?
- Pronto, pronto, desculpa!
Um dia já noite bem metida Nuno acaba por perguntar a Catarina:
- Acreditas nele?
- Hummm! Não sei… Sinto que há nele algo que o atormenta… disso posso quase jurar. Mas não imagino o que será…
- Começo a ficar preocupado… Tem 13 anos… uma idade claramente difícil…
- Pois Nuno, mas o teu filho sabe bem o caminho dele! Alguma paixoneta de adolescente… digo eu!
O pai levanta-se de sopetão, olha para a mulher e devolve:
- Isso foi coisa que nunca me passou pela cabeça… é isso… conheço aquele ar… vazio e distante.
A mulher olhou divertida o marido e soltou uma gargalhada:
- Ai sabes? Será que ainda te lembras?
- Ainda… ainda... - e com um sorriso matreiro pegou então na mão de Catarina e seguiram ambos para o quarto.
No dia seguinte Nuno percebeu que o Dia de S. Valentim se aproximava e coincidentemente o filho parecia cada vez mais acabrunhado. Teria de abordar o assunto com pinças, não fosse a confiança entre ambos ser posta em causa.
À hora de jantar Nuno arriscou tudo:
- Então Artur já compraste alguma prenda para dar à tua namorada? - e riu-se.
Artur surpreso pela assertividade da pergunta levantou os olhos para o pai e respondeu:
- Ainda não... Ela quer uns brincos em cristal de Murano!
Nuno abriu muito os olhos e comentou com o ar mais natural:
- Desejo estranho da cachopa!
De súbito Catarina que abandonara a mesa sem que filho e o marido tivessem percebido da sua ausência, regressou à sala, estendeu a mão a Artur e foi dizendo:
- Tens aqui um par… em azul cobalto que trouxe de Veneza, na minha viagem de finalistas! Oferece-lhos!
Texto escrito no âmbito do desafio da "caixa de lápis de cor" da Fátima,. Entram também a Concha, a A 3ª Face, a Maria Araújo, a Peixe Frito, a Imsilva, a Luísa De Sousa, a Maria, a Ana D., a Célia, a Charneca Em Flor, a Gorduchita, a Miss Lollipop, a Ana Mestre a Ana de Deus, a Cristina Aveiro, a bii yue, e o João-Afonso Machado
Comentários
gostei. eu também não me importava de ter uns brincos de Murano, são lindos e escolheste uma cor divinal.
como estás depois da pneumonia? como estão todos?
beijos e um forte abraço de vai correr tudo bem feliz dia
Um bom dia.
Beijoquinhasss
Este desafio das cores nao é nada fácil. E depois cores tão específicas.
Não é um texto assim... fixe, mas foi o que pode arranjar!
Quanto à pneumonia era mesmo covid. Mas ja estou mais que óptimo... estou ótimaria!
Obrigado pelo cuidado.
Porta-te... mal... faxavor!
Obrigado!
Gostei muito da história José ... envolvente
Beijinhos
Dia Feliz
É por andar sempre com a cabeça no ar?
Moro nos arredores da capital.
Primeiro procurei azul cobalto na net. O resto veio à cabeça ate porque já estive na ilha de Murano.
Obrigado pela simpatia do teu comentário.
Fica bem e cuida-te.
Um destes dias ainda acredito!
Mas o mocita teria bom gosto...
Mas por enquanto aterrei na Amadora.
Mas as mães salvam sempre a honra do convento
Sabem-na toda!
Feliz dia José!
Faz-se o que se pode...
Fique bem e cuide-se.
Mas todas as mães tem esse sentimento tão bonito de partilha.
Obrigado pela visita.
Provavelmente outros tempos...
Mas os pais preocupam-se sempre com os filhos. Até quando sao adultos.
Bom fim de semana.
Adorei
Bom fim de semana.