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A mostrar mensagens de janeiro, 2021

Castanho!

Resposta ao desafio da Fátima Bento   É a cor da terra, daquela fecunda. A cor do Outono daquele ventoso. Castanho é a cor do bagaço após a azeitona moída. É aquele fruto escondido por entre casulos fechados. Castanho é a cor das pinhas, que ajudam a acender na lareira o fogo crepitante, a cor da caruma espalhada no chão tapando os míscaros verdes e saborosos. É a cor do cacau e do chocolate. Do café matinal perfumado e saboroso. Castanho é a cor de pele: da minha, da tua, de tanta raça. A cor castanha daquele móvel que aquece a minha sala. Por fim o castanho da torrada acabada de saltar!  

O meu amigo mar!

Sentado na areia húmida deixo que a água fria do mar me vá docemente lambendo os pés descalços. Depois olho para aquela imensidão anilada e fico a pensar como poderia ter sido feliz se tivesse sido marinheiro. Cruzar oceanos, sentir o sal na cara, adormecer a olhar as estrelas e acordar com o sol alaranjado por entre dois azuis.... Gostaria também de poder mergulhar no mar profundo em busca daquele silêncio que só aquele sabe oferecer. De súbito uma onda veio mais forte e abraçou-me deixando-me encharcado. Sorri. Repito para mim mesmo que adoro este azul marinho. Comparado com este só aquele anil açoriano em contraste com o negro das pedras. O mar o meu amigo para sempre desconhecido!

Da abelha...

Mais um desafio ! Ela entrou devagar no estabelecimento e esperou que o companheiro estivesse livre. Calcorreou por entre mesas e cadeiras, para finalmente se sentar. A criança já começava a pesar… Ele ainda não a vira pois estava de costas, mas quando a percebeu no fundo da sala foi ter com ela com um sorriso aberto. - Viva, vieste cedo… - disse ele. - Olá amor… A médica despachou-me num instante. - E… - E o quê? - Tu não ias saber o sexo da criança? - Ia. - Então… - Podemos ir para um lugar mais sossegado? - Claro, vem comigo… Atravessaram a sala e num recanto onde se distinguia um quadro de ardósia ela comunicou: - Uma menina… Vais ser pai de uma menina. Um enorme sorriso aflorou aos lábios dele e depois dela e ambos riram. Ele afagou a barriga já volumosa da companheira e declarou entre risos: - Já pensaste num nome? - Já… - Ana, chamar-se-á Ana! - Concordas? - Claro que sim.

Prosa-poema para um qualquer Janeiro!

Oiço-te da sala a rabujar após um sono de passarinho. Não choras, não gritas apenas pedes que te tirem do berço. Abro a janela e vejo-te erguida de léxico incompreensível. Sorris e estendes-me os braços: socorro! Pareces tu dizer.   Elevo-te no ar qual pena e ofereces-me um abraço terno, Como só tu sabes brindar, como só tu sabes desejar. Aprendo contigo a amar devagar como o pôr-do-sol, No horizonte de mar anilado. Sinto-me pequeno, frágil.   Rebolas alegre no chão e eu rebolo contigo. Brincamos. Gatinhas entre bonecos e bolas, tapetes e sapatos teus. A alegria desse teu olhar, o doirado do teu cabelo fino Fazem-se sentir vivo. Tu és agora o Sol dos meus dias.   E a Lua brilhante de Janeiro!

Um ano!

Roubo-te uma gargalhada, Um beijo terno, Um sorriso matreiro.   Estendes-me os braços Pequenos e débeis Qual herói salvador.   Recebo-te encantado Como prenda desejada, Breve momento singular.   Doze meses, um ano, Já tantas semanas. E um amor tão fino.   Recortado esse amor em linhas que fui fiando, Vive hoje e sempre.   Pobre escriba é este Que não sabe traduzir O que o coração manda.   Um dia lerás ou não Estes pedaços de luz Que será minha e tua.

Vinte e um!

Cerram-se com vigor os punhos. Gritam-se alarvemente alegrias, Sonham-se luminosos Junhos Repletos de luz e energias.   Saiba eu quem somente acredite, O que tantos outros desejam Há quem ainda muito medite, No que os crédulos ensejam.   Saiu um ano, entrou um ano, todavia a dor ainda aqui fica Sem sequer saber qual o dano Nem o que aquele significa.   Foram dias, semanas, meses, Abraços e carinhos proibidos Foram tantas, tantas as vezes, Que perdemos nossos sentidos.   Que possa finalmente eu dar Aquele abraço sincero, quente E em vez de um vazio, um mar De mãos abertas a toda a gente!   A esperança mora aqui!