Fuga!

Naquela distante linha do horizonte há


um segredo por desvendar,


um desejo por realizar,


uma lágrima por chorar,


uma mentira por denunciar,


um farol para orientar,


uma luz para aceitar,


um sentido para a vida.


 


Diz-me então porque foges?

Comentários

Sarin disse…
Porque quando
desvendados os segredos,
satisfeitos os desejos,
choradas as lágrimas e
denunciadas as mentiras,
de que adiantarão
farol ou luz
se por sentido apenas um alvo
- um ponto sem linha nem nó
desenfiado
de quaisquer horizontes?
José da Xã disse…
Sarin,

entendo a tua questão mas todos nós fugimos de qualquer coisa porque o horizonte é sempre inalcançável.
Por muito que lutemos e cerremos os dentes há uma luta permanente dentro de nós que não conseguimos debelar.
Sou um homem de causas... Sempre fui!
Mas a primeira de todas é saber qual o meu real sentido neste mundo. Sem saber desta o que valem todas as outras?
E por vezes, sinceramente, tenho receio da resposta que a vida me vai dando.
Sarin disse…
Não foi assim que entendi o poema. A linha do horizonte tanto é o fim que a vista alcança como é uma deflexão da luz e olhar a distância não tem de ser evitar olhar o espelho. Até porque, tal como o horizonte é deflectido, a imagem no espelho é invertida.
Mas deixar de olhar o horizonte é centrar-se num ponto - e muitas vezes este reduz-se ao umbigo de alguém. É sobre esta concentração que falo, sobre este auto-centramento que, se mal gerido, se sem horizonte, acaba por esvaziar.

Entendi que falavas da fuga da linha do horizonte :))
José da Xã disse…
Sarin,

quando escrevi o poema pensei essencialmente na forma como muitos de nós olhamos para o futuro (horizonte) e não conseguimos ligar com a distância e a impossibilidade de lá chegarmos.
Por isso muitas vezes fugimos da realidade ou refugiamo-nos em esterilidades.
Mas o poema poderá ter também a tua interpretação.
imsilva disse…
Por ser difícil e duro lá chegar? Tem um bom domingo.
José da Xã disse…
Obrigado.
Mas o futuro para muita gente é uma incerteza com a qual não querem lidar!
Fantástico Domingo (por aqui com chuva!!!).
amorlíquido disse…
Essa linha sempre foi e será uma utopia. Faz-nos acreditar e querer, mas por muito que corramos, a fuga não será nossa senão dela que, a cada passo dado, estará cada vez mais distante de nós.
Acho que muitos partilhamos o vislumbre dessa linha, mas é aquilo que ela desperta que, sendo diferente, nos torna distintos também. Não tenhamos dúvidas! Antes do seu alcance, o percurso está repleto de desejos e segredos, de lágrimas e mentiras, de penumbras que às vezes nos orientam mais que o brilho do sol. Esse é o verdadeiro sentido da vida. Os que tocaram no horizonte, não voltaram para contar!
Obrigada José, pela inspiração e reflexão!
Bom domingo
José da Xã disse…
Todos nós, mais ou menos, gostaríamos de saber o futuro, que é neste texto a tal linha do horizonte.
Mas muitos de nós teme o advir, receia a incerteza.
Este texto é assim uma espécie de constatação quase filosófica.
Um resto de optimo Domingo.
C.C. disse…
Porque existem coisas que não são para ser alcançadas mas sim simplesmente admiradas!
Grande abraço.
José da Xã disse…
Eu diria que há coisas que não são para ser alcançadas, mas temos, ainda assim, de lutar por elas...
A imortalidade parece ser uma delas...
Abraço.

Mensagens populares deste blogue

Ao fim de mim

O Bravão e o bravo!

Despedida!