Desafio de escrita dos pássaros #2.8
Mote: Foi tão bom, não foi
Encostado à enxada de bicos gastos, Elizário mirando o quintal, sorria. Um mimo.
Regos impecavelmente direitos, cômaros certos e as couves a crescerem com encanto.
Sentia-se bem naquela família que definitivamente o adoptara. Ainda por cima agora que a sua conterrânea estava de esperanças… Avô… diziam-lhe que seria avô… Mas como se nunca fora pai?
Era sempre com renovada alegria que o florentino chegava ao quintal e via o resultado do seu trabalho. Um manto verde, viçoso, fresco e pujante.
Porém naquele dia o ilhéu levantara-se estranho. Acordara com um mal-estar que o incomodava. Todavia nem uma queixa já que não queria aborrecer ninguém. Sentia que algo não estaria bem… uma dor permanente no peito, alguma dificuldade em respirar…
Quando acordou e tomou verdadeira consciência viu-se rodeado de um conjunto de aparelhos e tubos que entravam no seu corpo. A seu lado a sua amiga recente e o marido.
- Olá… Que grande susto nos pregou…- disse o futuro pai, enquanto ela segurava na mão isenta de tubos.
As forças eram poucas e fechou os olhos. Tinha sono, muito sono e sentia-se deveras cansado… tão cansado. Voltou a adormecer.
Quando recuperou do longo sono tinha a seu lado um homem de bata vestida.
- Então mestre Elizário, sente-se melhor?
Os tubos, aparelhos e demais artefactos médicos continuavam a rodeá-lo. Nem sabia se a pergunta feita pelo doutor seria para ter resposta. Preferiu calar-se.
O especialista foi olhando para os visores e para uns papéis e comentou com outro colega entretanto chegado.
- O caso parece grave… Se esta creatinina não descer os rins param.
- E como está o coração?
- Mal… muito mal!
Foi a última coisa que Elizário escutou.
Ao acordar achou-se noutro lugar.
- Estranho… nunca aqui estive…
À sua frente uma planície estendia-se a perder de vista. Olhou as suas roupas e percebeu que eram as mesmas que vestira quando assentara praça. A seu lado soou então uma voz:
- Bonito não é!
- S… sim… - respondeu sem perceber o que dizia.
- O Elizário acaba de chegar a um local fantástico. O Céu…
- O quê? O Céu? Quer dizer que… morri.
- Pois… um dia teria de ser.
- Mas os meus amigos?
- Foi tão bom, não foi? Gente boa…
- Foi… mas eu não posso deixá-los sozinhos. Não posso!
De súbito ouviu:
- Já o temos doutor, já o temos novamente!
Que grande susto, não se faz! Sabes que uma característica do Elizário que me cativa é as poucas palavras que pronuncia? Mais um belo texto. Esta semana não tive condições nem para pensar no assunto. O texto que me saiu ( não dentro do desafio) foi o meu grito de desespero pela situação. Aqui tens a tua estrelinha, que vale muitas.
ResponderEliminarOlá Isabel,
ResponderEliminareste texto era muito mais longo, mas as 400 palavras obrigaram-me a cortar nas palavras.
Já o Malquíades era pessoa de poucas palavras.
Porque será que crio personagens assim já que sou um tagarela por natureza?
Cuida-te, se fizeres favor. E se eu sair disto com vida gostaria de ir à Ericeira...
A lei do contraditório ! Fico à espera da tua presença na Ericeira quando isto acabar. Cuidemo-nos todos.
ResponderEliminarMas olha que não vou sozinho pois a família é grande.
ResponderEliminarAhahahahahahah!
tão lindo adorei. obrigada José beijinhos virtuais e um xi-
ResponderEliminarObrigado Ana!
ResponderEliminarCuida-te.
Li a tua história na hora do almoço e não sei o que me fez não comentar.
ResponderEliminarTalvez as notícias.
Adorei este texto.
Felizmente, o Elizário está vivo.
"Não o mates",por favor.
Maria,
ResponderEliminarsó depende dos próximos desafios...
Mas ao almoço... às trs horas?
Andas a almoçar tarde...
Querido José, és tagarela ,sim, mas tens o dom de contares histórias que prendem o leitor.
ResponderEliminarSabes que só fiz o meu texto ontem à noite?
Escrevi um pequeno parágrafo, apaguei,voltei a escreve.E sabes sobre o quê?
O novo Coronavírus, e o que está a fazer ao ambiente à custa da pandemia.
A pergunta era: o ambiente, com baixas emissões de dióxido de carbono,depois de tudo passado( e espero que seja breve), ficaria com saudades do nosso tempo de isolamento, e iria comentar consigo próprio " foi bom,não foi?"
Mas já são tantas as mortes que desisti e fui para a minha infância, recordar a inocente que eu era.
Quando tudo isto acabar, e se eu estiver por cá,espero ver o mundo mudar, a todos os níveis.
Que todos entendam que somos nada e que se mude o modo de ser e estar neste mundo corrupto,cruel,egoísta.
Temos de fazer o melhor para os nossos netos.
Beijinhos
Maria,
ResponderEliminarComo diz a Alexandra no seu texto: antes disto queixavamo-nos por andarmos a correr. Agora não se corre e anda tudo chateado.
Bom fim de senana.
Ó pequeno, quem diz a hora do almoço, é mais minuto,menos minuto ( foi depois de lavar os pratos,José )
ResponderEliminarE já foram, e são,às vezes,a hora a que almoço.Mas evito.
Bem vinda ao clube de almoçar tarde.
ResponderEliminarAcreditas que ando entretida nos blogues,de quando em vez vejo as notícias, e esqueci a hora de jantar?
ResponderEliminarNão descongelei nada,vou comer sopa, ovos mexidos,pão e queijo.
De fome não morro.
Hoje comi ao almoço uma lata de atum, um ovo cozido e batatas.
ResponderEliminarJantar dois iogurtes e fruta.
Mainada.
Preciso de fruta.
ResponderEliminarMas não sei se vou comprar.
Amanhã,faço um peixe assado,aproveito para fazer um bolo.
E depois vais para o ginasio à espera de emagrecer.
ResponderEliminarAh,ah,ah!
ResponderEliminarAchas?!
Emagrecer?
Eu já sou magra qb.
Queria engordar 2, 3 quilos,e nada.
O ginásio é porque gosto e cuidar da coluna,dos ossos...
E veres os monitores giraços...
ResponderEliminarBom fim de semana.
Cuida-te.
Doido.
ResponderEliminarObrigadinho!
ResponderEliminarBeijos.