Desafio de escrita dos pássaros #13
Mote: Reescreve o final dum filme
A confusão estava instalada na enorme sala de reuniões do jornal. O chefe da redacção, Pigmélio Antunes, coadjuvado por um dos editores, o Filinto Brandão, lançara no início da reunião um tema para a mesa que se tornaria palco de terríveis bravatas.
A ideia de um desafio no sentido de se reescrever o final de um filme até tivera estranha aderência. O pior viera depois quando uns consideraram que o filme deveria ser o mesmo enquanto outros desejavam um livre critério.
Enquanto as ideias eram bramidas em vez de civicamente discutidas, Malquíades olhava aquele espectáculo quase degradante, mantendo-se em silêncio no canto da imensa mesa.
Quando o chefe percebeu que perdera o controlo da discussão gritou de forma a fazer-se ouvir:
- Ó pessoal vamos ter calma, sim? Aqui o Malquíades ainda não expressou a sua ideia e eu gostaria de saber o que ele pensa deste tema.
As hostes acalmaram após o berro do chefe e todos poisaram o olhar no jornalista. Malquíades sentia-se mal naquela posição onde era o centro das atenções. No entanto também tinha uma visão e seria interessante proferi-la. Recostou-se na cadeira, abriu o seu velho caderno de apontamentos onde rabiscara umas ideias e disse então:
- Ao invés de vós considero este exercício uma verdadeira perda de tempo e de recursos.
Um burburinho atravessou a sala. Continuou:
- Como sabem os filmes são geralmente simétricos o que equivale dizer que para se reescrever o final de um filme, teria de reescrever também o seu início e provavelmente o meio…
Algumas cabeças acenaram que sim, outras que não, mas o silêncio de todos imperou. O jovem continuou:
- Percebo qual a ideia subjacente, todavia creio que haverá outras formas da redacção testar a qualidade da escrita e das ideias dos restantes redactores.
O editor entrou em defesa do exercício:
- Isto não é um teste à escrita de todos vós. Longe disso e nem faria qualquer sentido.
- Ah não?
- Não… é simplesmente um teste aos nossos leitores.
- Pior que seres incompetente é seres parvo!
Um silêncio cavo penetrou na sala. Uma mosca ouvir-se-ia a voar. O editor levantou-se da mesa irado, pegou nalguns papéis e saiu célere da sala. Outros redactores também afrontados seguiram-no. No fim Pigmélio observou:
- Não havia necessidade desta quezília. A ideia foi unicamente minha…
- Então o parvo és tu! – declarou Malquíades.
E abandonou também a sala.
Sempre bem, mesmo quando foges...
ResponderEliminarComo dizia o Diácono Remédios, e não era num filme, "não havia nechechidade". Tanta celeuma por causa de um Desafio? Acho que já são as compras do Natal que andam a deixar todos muito stressados!
ResponderEliminarPenso que todos os Pássaros pensaram nisto, mesmo que muito resumido ( foi o meu caso):
ResponderEliminar" Como sabem os filmes são geralmente simétricos o que equivale dizer que para se reescrever o final de um filme, teria de reescrever também o seu início e provavelmente o meio".
Beijinho e bom fim-de-semana.
Obrigado pelo estimulo mas na tua escala este deve estar muuuuuuuuuuito abaixo do zero.
ResponderEliminarInagino que só a tua simpatia é que não dará pior nota.
Bom fim de semana.
Pois... há gente que faz tempestades num cálice.
ResponderEliminarBom fim de semana.
Maria,
ResponderEliminarO meu problema não foi inventar um outro fim, mas tão-somente escolher o filme.
Vai daí saiu isto.
Podes tentar, mas os teus textos, mesmo que queiram não conseguem não ser bons. Já seja a escrita que é sempre excelente, já seja a história sempre coerente. Nunca decepciona. E nao é simpatia, eu não sei ser simpática. Acredita.
ResponderEliminarEu quis dizer com o que transcrevi do teu texto, que também tive dificuldade em escolher o filme, e pensei até dar a volta ao tema.
ResponderEliminarMas tenho andado ocupada e decidi escrever sobre um belo filme...e tinha outros em mente, mas este foi o mais fácil de escrever.
Beijinho
O Malquíades tem um bocado de mau feitio, mas concordo com a opinião dele. Ninguém com juízo quer reescrever o final de um filme
ResponderEliminarBoa noite,
ResponderEliminardesculpa o atraso da resposta.
No entanto tenho que contrapor. Sou muito exigente com a minha escrita. Mas por muito que tente nunca sai aquela coisa fantástica que acabo por ler nos outros. Não é necessário ter uma escrita aquilina ou agustina, porém algo melhor não seria, de todo, mau.
Bom Domingo que aqui em Castelo Branco o frio é rei.
maria,
ResponderEliminarpor não conseguir escolher um é que fugi ao tema.
Alexandra,
ResponderEliminarquando diziam que o moço estava mais sereno, eis que vem um desafio e estraga-me o homem,
Ahahahahahahaah|
Bom fds.
Esclarece, quais outros? (Não é para responder) não estamos a falar de escritores, mas de pessoas que gostam de escrevinhar (uns mais do que outros). Os teus textos, são sempre dos melhores, entre 2 ou 3. "Coisa fantástica que acabo por ler nos outros" Não estás bem da cabeça, vai dormir. Até amanhã.
ResponderEliminarOlá,
ResponderEliminardormi sobre as tuas palavras e só tenho a agradecer!
Uma fantástica semana.
Uma ideia genial para dar a volta ao tema. Muito bem esgalhado (adoro esta palavras que já ninguém usa ).
ResponderEliminarEu uso... algumas vezes!
ResponderEliminarObrigado.
Se eu fosse Pássaro, ficaria indignada... ainda bem que apenas sou cuco :D
ResponderEliminarMalqui nunca as guarda - sou fã do Malqui! :)))
Beijocas e desculpa só agora :)
Cuco?
ResponderEliminarSabes que há uma aldeia beirã onde os naturais são conhecidos com is cucos?
Agora mais a serio: estás melhor?
Não sabia, mas sendo entre beirã e estremenha, sei que daí não sou mas sou cuco no ninho dos Pássaros :)
ResponderEliminarEstou, sim, José, obrigada. :**
A aldeia a que refiro chama- se Louriçal do Campo e fica no concelho de Castelo Branco.
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