Desafio de escrita dos pássaros #6
Mote: "O Amor, uma cabana… e um frigorífico"
Estava tão embrenhado na revisão dos textos que acabara de escrever para o jornal que nem deu pelo telemóvel tocar, principalmente por aquele estar sem som. Eram quase 22 horas de uma sexta-feira invernosa.
Lá fora a chuva, sempre tão escassa, caía em torrentes quase diluvianas e o vento ajudava ao temporal. Um sopro sibilino, de alguma janela mal fechada, escutava-se…
Quando Malquíades descolou finalmente o olhar do monitor e o endossou para o aparelho telefónico que jazia a seu lado na secretária, percebeu que alguém lhe estava a tentar ligar.
Pegou nele e leu: Beatriz!
- Olá!
- Olá? Está tudo bem contigo?
- Sim.
- Pronto era só para saber…
Malquíades percebeu na voz da interlocutora algo que se assemelhava a um sarcasmo. Achou profundamente estranho, já que não era costume. Porém e sem saber muito bem porquê perguntou:
- Passa-se alguma coisa?
- Oh não, nada… Estás a trabalhar, não é?
- Sim.
Os monossílabos a imporem-se no diálogo de Malquíades… Como sempre!
- Vá fica bem e até amanhã.
- Até amanhã… - todavia a forma fria distante como do outro lado da linha se despediu denotava que algo estaria errado. Não percebia bem o que seria.
Beatriz desligou a chamada e Malquíades acabou de rever os textos. Ergueu-se por fim, espreguiçou-se, saiu calmamente do escritório e dirigiu-se à cozinha para recarregar a garrafa de água que sempre o acompanhava.
Recordou naqueles breves metros toda a história com a namorada. O seu olhar quase viperino que desconstruíra o coração da jovem, a paixão arrebatadora, depois transformada em amor profundo. O pedido estúpido e idiota que fizera a Andrelino para falar com ela, pedindo-lhe namoro por ele. Aquela tarde à beira-mar quando o sol se escondia por entre nuvens, céu e mar e onde ambos fizeram juras, tal qual os romances de cordel de um amor e uma cabana. Os segredos trocados ou melhor os segredos que Beatriz confessou perante o silêncio permanente do rapaz.
Encheu a garrafa virou as costas ao lava-loiça e reparou que na porta do frigorífico na parede oposta havia algo estranho. Aproximou-se devagar. Preso com um daqueles ímans trazidos do estrangeiro por um qualquer amigo, encontrou um papel escrito. Leu-o:
- Sexta-feira, 20 horas jantar com a Beatriz.
O seu coração quase explodiu. Procurou as horas de forma apressada no telemóvel e concluiu:
- Xiiiiiiiiii… grande bronca, esqueci-me completamente do jantar!
Ah,ah,ah!
ResponderEliminarGostei!
O Malquiades no seu... pior!
ResponderEliminarBom fim de semana.
Ai! Ai! Ficavas a pão e a água duas semanas ;)
ResponderEliminarTadinho do jovem...
ResponderEliminarÉ inexperiente na relação com o eterno feminino.
Ahahahahah!
Bom fim de semana.
Ps: hoje comi um "abade de priscis" divinal.
com toucinho ou sem?!
ResponderEliminarCom claro!
ResponderEliminarBelíssima sequência, Malquíades não falha...só um esquecimentozinho.
ResponderEliminarEra capaz de me dar bem com o Malquíades, esquecíamo-nos à vez :))
ResponderEliminarNão sei se ela o meteu numa cabana, mas desconfio que de pão e água não se livrou durante uns dias :D:D:D
O Malquíades é um rapaz muito certinho... falha sempre!
ResponderEliminarPermanece a dúvida...
ResponderEliminarE eu também (ainda) não sei como acabou este episódio...
Bom fim de semana.
Essa Beatriz é uma tótó, ligava-lhe mais cedo para o lembrar... tadinho!!
ResponderEliminarIMalquíades
Ai se a Beatriz sabe...
ResponderEliminarFaltou-me aqui um pedaço da história!!! Então se há duas histórias atrás a Beatriz disse que não como é que acabou por dizer que sim? Por favor não deixe a minha alma inquieta com tal dúvida!
ResponderEliminarE mais importante ainda, a Beatriz enquanto esperava para jantar encheu-se de gressinos ou passou uma larica daquelas à antiga?
Ponto 1 - a Beatriz disse que não ao Andrelino amigo do Malquíades;
ResponderEliminarPonto 2 - creio que comeu uma sandes de fraqueza e um pastel de nenhum.
Ahahahahah.
Bom fim de semana.
O que posso dizer...homens (alguns)...mas fui casada com um assim...exactamente assim...horas e datas eram mesmo para esquecer.
ResponderEliminarBom texto.
Acredita que não conheci o teu ex...
ResponderEliminarMas reconheço que é frequente esta postura masculina.
Bom domingo!
Que bronca, Malquíades...
ResponderEliminarAi, ai não há nada que não aconteça ao Malquíades. Punha um aviso no telemóvel. Bolas, também não resultava porque estava no silêncio. Não há remédio para o Malquíades
ResponderEliminarEstou a imaginar...
ResponderEliminarAhahahahahahaha!
Tem de haver...
ResponderEliminarSe calhar uma loção capilar...
Bom resto de Domingo.
Uiiiii.... Espero ver a volta que isto vai dar nos próximos capítulos!
ResponderEliminarTudo depende dos exercícios que nos forem propondo.
ResponderEliminarAntes disso será especulação.
Boa semana.
Mas essa Beatriz não dizia que não a tudo? Como é que aceitou jantar com o Malquíades? De que artes é que este se valeu para lhe dar a volta? É isso que me intriga. ;)
ResponderEliminarEis o esclarecimento devido:
ResponderEliminara Beatriz disse que não a Andrelino o amigo de Malquíades, quando aquele a pedido foi falar à Beatriz sobre um possível namoro com o Malquiades.
Beatriz achou que deveria ser o pretendente a falar com ela. Depois deve ter havido conversas entre os dois...
Digo eu...
Como é que ele se esqueceu da Beatriz?!?
ResponderEliminarGrande e assertiva questão...
ResponderEliminarAhahahahah.
Isso não se faz :p
ResponderEliminarO que é que não se faz?
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