Desafio de escrita dos pássaros #3

Mote: Uma aventura/momento que te tenha marcado


 


Nunca conhecera verdadeiramente o medo. Nem mesmo naquela manhã em que fora chamado ao Director da escola. Sentira-se temeroso é certo, mas medo, medo não tivera.


A não ser naquela vez... Aí sim fora uma experiência inolvidável.


Era já noite cerrada quando Malquíades e o amigo Andrelino entraram no salão de baile, cheiinho quase até à porta. Com dificuldade foram passando por entre os espectadores até encontrarem um local mais aprazível de forma a perceberem o ambiente… feminino.


Na pista uns amigos viram-nos e sorriram. Ao intervalo juntaram-se todos no bar. Como de costume Malquíades mantinha-se em silêncio. Uma ou outra rapariga metia-se com ele, mas raramente respondia.


De repente apareceu junto do grupo uma jovem muito bonita que pediu a outra qualquer coisa. Ambas falaram, mas pouco se percebia tal era o barulho ambiente. Desconhecida de quase todos foi naturalmente apresentada. Quando chegou a vez de Malquíades, aquela pareceu estremecer tal a forma como ele a olhou. Os seus olhos verdes amendoados denunciavam alguém sereno e confiante.


Quando a música recomeçou as raparigas regressaram ao salão levando os rapazes atrás. Já dançavam alguns pares quando Malquíades convidou a rapariga que chegara no fim, para dançar. Esta acenou que sim e ambos dançaram um longo “pasodoble”.


Logo veio outra moda e mais uma e o par não se desfez. Os amigos admiravam-se com Malquíades. Entretanto novo intervalo.


- Parceiro… toma cuidado que essa com quem andas a dançar é casada… - avisou Andrelino.


Entretanto Malquíades percebeu que o seu par abandonava o baile sem dizer nada. Mas antes de sair a jovem procurou no meio da multidão o olhar do rapaz. Sem mais este declarou:


- Não esperes por mim.


Andrelino abriu os olhos de espanto.


A noite estava muito fria. Corria uma aragem forte evidenciando o cheiro a terra molhada. Malquíades percebeu ao longe, sob a luz de um candeeiro donde emanava uma luz mortiça, a figura esbelta do seu par. Devagar, como se andasse a passear perseguiu a bela jovem aproveitando a penumbra. De vez em quando esta parava aguardando que o rapaz ganhasse algum terreno. Ao chegar ao portão fez um breve compasso de espera e olhou para trás. Finalmente entrou na singela moradia.


Malquíades aproximou-se serenamente e preparou-se para entrar na casa.


De súbito sentiu uma mão forte a agarrá-lo no ombro, enquanto uma voz pujante gritava ao seu ouvido:


- Ah bandido que te apanhei!

Comentários

Maria Araújo disse…
Ai nas que ele se i meter!
Mas ela também o desafiou com o olhar.
Gostei!

José da Xã disse…
Contam que história verdadeira tinha muitas mais palavras...
O marido GNR levou o Malquíades preso até ao outro dia de manhã...
imsilva disse…
Como não gostar do Malquíades, e não torcer por ele?
Ana a Abelha disse…
ena! haja aventura o enredo promete!

bom fim-de-semana
José da Xã disse…
Depende dos proximos desafios...
Bom fds.
Ana Mestre disse…
Adoro as tuas histórias meu querido amigo.

Beijinhos e bom fim de semana
José da Xã disse…
Obrigado.
Prometo tentar ser fiel aos meus leitores.
Beijos, bom fds e as melhoras do teu pai.
A 3ª face disse…
Olha o maroto! Será que aprendeu a não se meter com mulher casada?
Ou...seria uma mão feminina????
José da Xã disse…
Resta a dúvida...
Será que o futuro nos dirá mais alguma coisa?
redonda disse…
E o que acontece a seguir? Quem é que o agarrou? Está-me a parecer que o Malaquias deve ter um passado e um futuro, vou procurar saber mais nos textos anteriores.
Gostei muito, só queria que continuasse, para saber o que acontecia a seguir.
um bom fim-de-semana
Gábi
redonda disse…
sorry escrevi mal o nome dele, Malquíades
vou continuar a ler o texto anterior
José, José. Começo a estar viciada nestas histórias do Malquíades! Por favor, não permita que alguém o moleste. Quero que esteja presente nas próximas histórias!
(Também já estou com saudades da praia. Infelizmente, fiz pouca neste Verão, um dos que senti mais breves de sempre. Passo mal no Inverno, qualquer ponta de frio já é uma calamidade! Adoro o sol...)
José da Xã disse…
Gábi,

O próximo desafio proporciona-se a que o Malquiades apareça.
Mas sinceramente ainda não sei que caminho irá levar...
Bom resto de fds.
José da Xã disse…
Malaquias também não era mal pensado.
José da Xã disse…
Se leste o primeiro texto sabes que ele sobreviverá a este contratempo...
Mas calculo que deverá padecer algumas agruras.
Quem o mandou meter-se com quem não devia?
José da Xã disse…
Belinha,

Dou-me mal com muito calor. Aquela coisa de 40 graus... não é para mim.
Mas curiosamente adoro estar a torrar ao sol, na praia.
Este ano so tive 15 dias de praia.
Uma miséria.
Sarin disse…
E acabaram-se-te as palavras :D :D :D

O Malquíades não é malandro nem gabiru - faz pela vida, que o rapaz é solteiro e sem compromissos ;)))
José da Xã disse…
Mas avisaram-no que a senhora era casada.
Esticou-se um tanto...
Digo eu...
Sarin disse…
E quem pode acreditar nas notícias e nas redes sociais?!

Seriamente, quem tem de velar pela lealdade (diferente de fidelidade) são os que assumem os compromissos - não sabes se as pessoas não estarão numa relação aberta, por exemplo. Do lado do Malquíades ou de outro ou de outra em lugar dele, a obrigação é a de ser leal a si mesmo e aos seus valores :)
José da Xã disse…
Um dia explicarei porque o Malquiades chegou a este ponto...
O rapaz faz pela vida.
Bla bla bla disse…
"Ah bandido que te apanhei!"
José da Xã disse…
O Malquiades é que não se deve ter rido.

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