Desafio de escrita dos pássaros #1
Mote: Problemas, só problemas.
Malquíades entrou em casa apressado, carregando a pesada mochila e numa fugaz ida ao quarto largou-a em cima da cama para logo procurar a cozinha.
O almoço estava na mesa. Devorou-o num ápice e em silêncio. De seguida tentou escapar de casa para a brincadeira. Porém a mãe, qual polícia atenta, tinha o dedo indicador apontado na direcção do quarto.
Já sabia ao que ia… Os idiotas trabalhos da escola. Sempre os trabalhos da escola. A sentença, essa, também a conhecia de cor: sem os deveres feitos não haveria brincadeira.
Pegou nos livros e nos cadernos e foi lendo e escrevendo. Primeiro a Língua Portuguesa com a cópia, ao que se seguiram as respostas ao texto. Depois aquilo do Estudo do Meio… Desta vez as soluções eram escritas no próprio livro (mas não com muita força, que os livros são para devolver no fim do ano, dissera-lhe a mãe).
Finalmente as contas.
A mãe, conhecendo o filho como ninguém perfilava-se à porta do quarto. Sabia da pouca capacidade que o jovem exibia para se concentrar e mais ainda da facilidade com que se distraía.
Pelo rabo do olho Malquíades percebia a mãe estrategicamente colocada. Não haveria hipótese de fuga sem que os trabalhos estivessem completados.
Aquilo era uma guerra surda e muda, desde o início do ano lectivo. E provavelmente perdida.
Naqueles momentos desejava ardentemente não ter mãe, responsabilidades, escola…
Segurou na fotografia descolorida da mãe ainda jovem e recordou com profunda saudade as chegadas diárias da escola, com graça os olhares reprovadores quando tentava escapar sem os trabalhos feitos, com dor as lágrimas que a antecessora vertera quando se viu viúva. Lembrava-se tão bem como se tudo tivesse ocorrido no dia anterior.
Sempre fora pessoa de muito poucas palavras. Preferia escutar… Por isso a sua relação com a mãe fora assente em muitos silêncios, que ambos entendiam quase como se falassem. Bastava por vezes um olhar reprovador, um imperativo indicador, um gesto simples com a cabeça para perceber que não valeria a pena esticar a corda. Sorriu só de recordar.
As contas complicadas, a aritmética com aquela tabuada mecânica e monótona que mais parecia uma lenga-lenga e finalmente aquelas longas e estúpidas perguntas sobre pesos e medidas que Malquíades olimpicamente detestava. Era por esta altura que o menino então falava, dando voz à sua imensa revolta:
- Problemas, só problemas!
Comentários
Je suis Malquíades
:*
Mas este texto não ultrapassa as 400 palavras?!
Eu tinha quase 500, fui cortando, cortando...
Beijinhos
Ja vi que gostaste no nome do artista.
Ahahahahah!
Bom fds.
Beijos miúda!
Mas referia-me às memórias ;)
Beijocas, bom fim-de-semana
E nao tarda estou a dizer: no meu tempo...
Bom fds.
Bom fds.
Beijinhos
Não é grande texto, mas fiz o que a minha inspiração me deu.
Bom fds.
Adorei!
Bom fds.
Muito obrigado.
Bom fds.
Não percebo se o meu blogue tem algum problema. Primeiro pensei que sim, mas agora já vi que os Sapos conseguem lá comentar. Pode apenas ser que não tenham ficado entusiasmados com o Luisinho.
Aqui se escreve mal e sem Acordo.
O Malquiades não guarda boas recordações da escola.
Como eu...
Bom domingo.
A gente lê-se por aí!
Beijos.
Nunca gostei da escola. Essencialmente porque tive uma professora primária que primeiro batia e depous perguntava.
Gostaria que ela fosse agira professora... faziam-lhe a filha num instante.
Boa semana!
Adorei
Quase à hora é que decidi fazer o Malquiades o herói da minha pobre escrita.
O proximo desafio adapta-se ao rapaz. Veremos os que se seguem.
Repara que tenho diversos desafios para além de escrever somente 400 palavras... é dar consistência à personagem sem cair dm contradições. O que nem é muito fácil.
A gente lê-se por aí.