21 dias na aldeia (2)

 


I – O Vento


 


Um raio de luar espreita a povoação


Por detraz do cabeço, orgulhoso e altivo


Quere saltar o monte alto, deixar de ser cativo,


Ultrapassar as grades, ser livre da prisão.


Há estrelas também! E há também o vento.


Que as faz bailar lá em cima no escuro firmamento!


 


E sopra o vento forte! E espreita o luar!


E bailam as estrelas brilhando, a cintilar!


 


Soa ao longe um latido dum cão bem vigilante.


Que é? Se não é gente que vem para roubar!


É nos ramos da oliva o vento a perpassar


A fazê-los tremer, num trémulo vibrante.


 


E o vento que acorda o bom do cão amigo,


Que faz tremer os ramos das olivas despertas


É ‘inda o mesmo vento, o mesmo Eolo antigo


Que nos antigos tempos levou às descobertas,


Que levou os heróis, por esse mar além,


A construir impérios e estradas abertas


Aos humanos gentios da nossa pátria-mãe.


 


É esse mesmo vento que numa hora calma,


Me incita a versejar e acorda a minha alma!


 


 


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