Poema para um dia cinzento

Chove.


Nas ruas lamacentas caí tanta vez.


A terra negra ou clara invade-me


Como vírus peçonhento.


 


Chove.


Nas margens duma ribeira


Morrem afogadas as ervas


Verdes de tanta raiva.


 


Chove.


O som da bátega de água


Enche-me o coração de melancolia


Torpe de quem sofre de amor.


 


Chove.


Um vento singelo e apurado


Vai-se recortando por penedos


Trazendo-me o cheiro a terra.


 


Chove.


Ouvi-la só, bastava-me.

Comentários

  1. Temos poeta! Não habemus papa, mais isso não interessa nada (ehehhehe) Gostei muito. Está muito bem feito. Um beijinho amigo bfsemana e bom regresso.

    ResponderEliminar
  2. Hum! Não é grande coisa...

    Mesmo assim obrigado por comentares.

    ResponderEliminar

Enviar um comentário

Mensagens populares deste blogue

Ao fim de mim

O Bravão e o bravo!

Despedida!