Quase soneto

Quantas palavras escrevi sem sentido?


Que sonhos tive eu que se perderam?


As lágrimas salgadas de um vendido


São chamas lúgubres que se apagaram


 


Apetece-me roubar esta face ao mundo


Para que possa alimentá-la sozinho


Queria sim sentir toda a alma a fundo


A raiva, o desespero de um fim maninho


 


Hoje os meus passos são já diferentes


Daqueles que caminhei em tempos


São doentios, cobardes e abafados.


 


Dia após dia os meus gestos quentes,


Tornam-se tristes. Agora nos campos


Nascem árvores, flores ou cardos.

Comentários

  1. Uma nova (velha) faceta tua. Gosto muito da tua poesia. Beijinho. Bom Domingo.

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  2. Uma poesia tão velho quase como o tempo.
    Obrigado pelo comentário.
    Boa semana

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