Prosa-poema para um fim de tarde
Daqui deste alto, tão alto onde toco as estrelas,
Vejo a linha de horizonte, ténue
Onde singelos pontos brancos roçam o céu.
Daqui deste alto, tão alto, onde abraço a Lua,
Noto alvas e serenas almofadas,
onde o sol, por fim, irá repousar.
Daqui deste alto, tão alto onde me sinto voar
Descubro o milhafre em voos brandos, pacientes,
Mira a sua presa perfeita e ingénua.
Daqui deste alto, tão alto agarro o vento,
Percebo a planície recortada por plúmbeos traços,
Alagar o vale de esperança primaveril.
Daqui deste alto, tão alto, há quem veja o mar,
Pode ser que sim…
Mas eu também não sei o que é o mar!
Comentários
Ora estava eu a meia hora de entrar para a oficina e sem nada escrito, quando de repente me lembrei que na minha aldeia, enfiada no fundo da serra dos Candeeiros, falava-se há muito tempo que por vezes, em noites de silêncio conseguia-se ouvir o mar. Se se ouvia no fundo do vale, melhor se ouviria no cimo da serra. E assim surgiu este poema.
Quanto ao sentimento de rigor que sentimos connosco é natural. E ainda bem que assim é. O pior é que muitas vezes (comigo já aconteceu!!!) a emenda é pior que o soneto...
(Posso confidenciar-te que este poema já foi declamado pelo José Fanha, até parecia um poema escrito por escritor...).
Só uma pequena correção: Foi um poema escrito por um escritor!