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A mostrar mensagens de agosto, 2025

D. Gaudêncio, o Bravo!

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Olhando para o edifício simples quase austero, Rafael tentava, em vão, descobrir a razão ou razões para alguém erigir uma habitação naquele local quase ermo. Bem ermo não seria o termo perfeito, talvez afastado do povo, definiria com melhor competência o local, até porque a casa podia ser vista facilmente da aldeia. As oliveiras, laranjeiras, cerejeiras e demais árvores de fruto emprestavam à quinta um ar estranhamente acolhedor. Sentou-se devagar numa enorme pedra que fora com toda a certeza um batente de uma velha casa e matutou na sua decisão, meio precipitada, ao adquirir aquela pequena fazenda. Tamborilava os dedos na pedra granítica assumindo a dúvida quando uma voz atrás de si o cumprimentou: - Ora viva jovem Rafael! O homem assustado olhou donde veio o cumprimento e deu conta do decano da aldeia. Um velho, velho como o Mundo, respondia Almiro quando muitos tentavam adivinhar a sua idade e à qual o astuto idoso conseguia sempre esquivar-se ao número correcto. - Bom dia Ti’ ...

As manas!

1 Quando Armandina e Olegário já tinham desistido de serem pais, eis que certa tarde a esposa foi encontrar o marido a perceber como estava a latada de uva branca. Num breve gesto de olhos o homem percebeu a novidade e exaltou de alegria quase bíblica. Nessa mesma noite convocou todo o pessoal não só para informar da belíssima notícia, mas também pedir que todos olhassem pela futura mãe. A mulher ergueu-se para tomar da palavra: - A minha mãe sempre me disse que gravidez não era doença, ela teve 13 filhos e sempre fez a sua vida. Mas prometo quando não me sentir bem pararei e pedirei ajuda. Todos felicitaram os patrões e estes, já noite dentro, encontraram-se no quarto onde Olegário pediu: - Mulher… toma cuidado contigo, por favor… Tanto sofreste para alcançar este estado… - Homem, crê que eu terei o maior cuidado comigo e com quem aqui carrego. Em Abril do ano seguinte Armandina deu à luz. Finalmente após uma gravidez um tanto complicada que obrigou a mulher a passar a maior p...

A versão da Clotilde

Não acreditei quando me disseram que estive assim tão perto de um humano, não acreditei mesmo! Se não fosse uma mana a afiançar-me ficaria com a ideia de que andavam a zombar de mim. Na verdade, esta manhã acordei com o gostoso calor do sol, que por entre muitas pedras lá conseguiu penetrar e aquecer-me. Hummmm, tããããããão bom aquele calorzinho! O problema é que me deu a fome. Uma fome danada, daquelas em que apetece tudo comer. Bom saí da minha toca de Verão – no Inverno costumo ficar numa muito longe do frio – vim até à superfície, mas com todos os cuidados que anda por aí muita malandragem. Apanhei uma mosca logo ali, depois mais um gafanhoto pequeno, mas bem perto da saída avisaram-me que havia um lugar repleto de comida. Porém para lá chegar teria de atravessar um conjunto de pedras cinzentas e já quentes pelo Sol da manhã. Anda eu em busca do lugar quando de súbito dou com aquele bicho enorme, que se encontrava ali mesmo à minha frente, muito quietinho, quase parecia eu quando...