D. Gaudêncio, o Bravo!
Olhando para o edifício simples quase austero, Rafael tentava, em vão, descobrir a razão ou razões para alguém erigir uma habitação naquele local quase ermo. Bem ermo não seria o termo perfeito, talvez afastado do povo, definiria com melhor competência o local, até porque a casa podia ser vista facilmente da aldeia. As oliveiras, laranjeiras, cerejeiras e demais árvores de fruto emprestavam à quinta um ar estranhamente acolhedor. Sentou-se devagar numa enorme pedra que fora com toda a certeza um batente de uma velha casa e matutou na sua decisão, meio precipitada, ao adquirir aquela pequena fazenda. Tamborilava os dedos na pedra granítica assumindo a dúvida quando uma voz atrás de si o cumprimentou: - Ora viva jovem Rafael! O homem assustado olhou donde veio o cumprimento e deu conta do decano da aldeia. Um velho, velho como o Mundo, respondia Almiro quando muitos tentavam adivinhar a sua idade e à qual o astuto idoso conseguia sempre esquivar-se ao número correcto. - Bom dia Ti’ ...